Siga-nos

Perfil

Expresso

Aldeia e alcateia

Lisboa só perceciona a aldeia através de duas narrativas: o pitoresco para gozar e a morte para chorar; ou há um gozo dissimulado ou explícito lançado sobre o aldeão (os cartazes das eleições autárquicas; as procissões; os bailaricos pimba) ou há reportagens sobre as mortes dos incêndios. O aldeão aparece para ser gozado num registo à “Liga dos Últimos” ou para ser chorado no melaço insuportável dos diretos pós-incêndios. Tanto o melaço na morte como o gozo em vida tendem a abolir a complexidade do aldeão. É por isso que as soluções políticas para o interior nunca resultam: são feitas em cima do joelho desta dupla caricatura. “Mas então qual é a sua solução, caro Henrique”, pergunta o leitor. Não tenho soluções mágicas, mas sei que — antes de tudo — temos de refazer a nossa visão da aldeia e do interior através de livros que rejeitem estas duas lentes caricaturais. “Malditos — Histórias de Homens e de Lobos” é um excelente exemplo.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)