Siga-nos

Perfil

Expresso

Água

Chamemos-lhe Joaquim. É um avô emprestado que ainda tenho na serra algarvia e de quem tenho saudades. Para o compreendermos, temos primeiro de compreender o seu espaço. A serra algarvia encostada a Espanha é porventura o terreno mais inóspito do país: tem a secura do Alentejo mas também tem os montes da Beira; há meio século, viver naquelas vilas e aldeias entre Odeleite e Castro Marim era algo próximo da heroicidade. Não havia água, a vegetação era escassa, o solo era duro e infértil. Era e continua a ser. O dragão azul que é a barragem de Odeleite terá mudado alguma coisa, mas ainda é muito novo na paisagem lunar. Não é por acaso que Joaquim tem uma relação quase religiosa com a água. Quando voltávamos da praia, ficava irritado quando tomávamos banhos de mangueira ou mesmo quando usávamos água da chuva que mantinha armazenada em garrafões na açoteia; quando lhe dizíamos que era preciso fazer uma piscina, saltava da cadeira para gritar “a água não é para brincadeiras”. Hoje compreendo-o.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)