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Praia, inferno e paraíso

Os manuais militares falam de uma regra que pode ser vista como a lei da gravidade da guerra: o exército atacante tem de ser três ou quatro vezes superior ao exército defensor; se quiser conquistar um castelo com três mil homens, os atacantes sabem que precisam de nove ou doze mil homens. Passa-se o mesmo com a praia e os miúdos. Cuidar de uma criança na praia implica a presença de três adultos, pelo menos. Portanto, duas filhas implicariam — no cenário ideal — a presença de seis adultos, pai, mãe, os quatro avós e, se possível, uma brigada Lannister de reserva. Como isso nunca acontece, o resultado é que a praia é o purgatório da paternidade. Nós, pais, deixamos de ter vida interior e passamos a ser meras entidades mecânicas. E este labor mecânico depende quase sempre do saco da praia que é preciso encher duas vezes por dias com toalhas, protetores, comida, brinquedos, fraldas, pranchas, mudas de roupa; depois caminha-se para a praia com o saco no ombro direito, com uma filha no ombro esquerdo, enquanto se tenta equilibrar o chapéu de sol na ponta do nariz num reflexo de foca; uma vez na praia, há que brincar e aturar as criaturas; às dez da noite, quando elas estão finalmente a dormir, repara-se num cenário ridículo: trouxemos sete romances.

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