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Os puristas da TAP

Há dois anos, os puristas da TAP encheram o espaço público com o fedor característico da presunção. Eles eram os bons, porque queriam uma TAP portuguesa; os outros eram os vilões, porque defendiam a privatização da TAP segundo as regras europeias. Eles, os puros, queriam uma TAP 100% portuguesa como a sardinha, como a maçã com bicho, como o vira minhoto. Um Estado-nação, diziam, deve ter uma companhia aérea pura e intocada por estrangeiros. Foi um momento edificante: em 2014/15, grande parte da esquerda portuguesa assumiu uma posição igual ao “orgulhosamente sós”. O facto de ser um orgulhosamente sós de esquerda não lhe retirava um milímetro de nacionalismo e reação. O processo de reversão da privatização da TAP foi assim liderado por reacionários de esquerda que tinham um discurso nacionalista igual àquele que entretanto se tornou popular ou populista com Donald Trump. Hoje em dia, depois do ‘America First’ e da conversão súbita da esquerda portuguesa à globalização e à UE, o tal manifesto nacionalista em prol da TAP 100% portuguesa não teria espaço porque soaria a trumpismo. Mas, entretanto, o mal ficou feito.

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