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No osso

Há uns anos, fui júri de concursos literários da pequenada. Li centenas de textos de jovens pré-universitários. Na semana passada, lembrei-me dessas longas horas em que senti o desespero do stôr quando li a entrevista de Onésimo Teotónio Almeida ao Expresso. Por comparação com os jovens americanos, diz Onésimo, os jovens portugueses “não têm rigor” e refugiam-se em “coisas poéticas e abstratas”. De facto, a imprecisão é a marca daqueles textos que ainda guardo numa pasta: na prosa, não há personagens, locais ou emoções concretas, apenas estados de alma atmosféricos; no ensaio, não há argumentos com ideias e factos, apenas estados de alma; já não são estados de alma pseudo-poéticos, mas sim estados de alma indignados. É como se o moralismo do indignado fosse uma teoria do conhecimento, é como se não fosse necessário argumentar. Mas a grande tragédia é que estes textos são perfeitos exemplares da cultura portuguesa. Da tasca à cátedra, procura-se a verdade enquanto indignação ou emoção, recusando a verdade enquanto precisão. É por isso que é impossível dialogar sobre coisas tão diferentes como a segurança social ou o Alentejo.

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