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O tio de Benidorm

Esta é a primeira Páscoa que passo na condição de tio. Não, não subi na vida, nem passei a frequentar “Lesboa”. Estou mesmo a falar do nascimento do meu primeiro sobrinho. Chamemos-lhe Nuno. O Nuno é motivo de alegria, como é óbvio, mas também é motivo de temor. Não é medo, é temor: aquela sensação que, uma vez ultrapassada, faz de nós adultos. Na verdade, este temor é um tríplice de ansiedades. E a primeira dessas ansiedades é universal, não depende do nosso contexto histórico: ser tio é jogar a partir do banco. Eu serei um dos primeiros suplentes da vida daquele menino se alguma coisa acontecer aos pais; neste sentido, ser tio é mais assustador do que ser pai. Quando os nossos filhos nascem, não temos tempo para pensar, estamos a jogar e não há descontos de tempo. Quando os nossos sobrinhos nascem (há outro a caminho), nós estamos no banco, temos tempo para pensar na imensidão de coisas que podem correr mal. E eu sou um pessimista nato. Não entro numa sala sem antes saber como posso sair dali em cinco segundos.

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