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O meu pai, Soares e África

Caro retornado, tenho respeito pela sua dor e sinto pela sua história uma volúpia literária assinalável. Contra a narrativa cunhalista e soarista, já é tempo de colocar a sua epopeia no centro da nossa história coletiva. Mas, antes de tudo, gostava que compreendesse que a descolonização não foi um crime, mas uma tragédia. Soares tem sido o bode expiatório de uma situação trágica. A África portuguesa estava destinada à implosão, até porque existia um abismo entre os portugueses europeus e os portugueses africanos. Para compreender este ponto, gostava de lhe apresentar o meu pai. Ele era o próximo da linha. Depois dos irmãos mais velhos, era o próximo a embarcar para uma guerra que dizia tanto à minha família como a guerra da Indochina. Sem o 25 de Abril, o meu pai teria sido obrigado a combater numa selva que lhe era tão familiar como o delta do Mekong.

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