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Expresso

Nicolau

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O cinema português é padrasto para os atores, porque despreza as personagens, privilegiando o onanismo pseudopoético e antinarrativo do realizador encostado à desconstrução de Godard. Apesar disso, temos grandes atores e atrizes de cinema. Tenho três fétiches: Carla Chambel (musa de Joaquim Leitão), Rita Blanco (espelho feminino de Canijo) e o recém-falecido Nicolau Breyner (alter ego de Vasconcelos). Breyner era um génio no sentido em que captava o papel por instinto, quer na comédia quer na tragédia. E nos poucos papéis decentes que recebeu (sempre com Vasconcelos e Leitão), este instinto foi fundamental para a interpretação do gajo normal colocado em situações extraordinárias: o polícia (“Os Imortais”), o autarca (“Call Girl”), o soldado (“Inferno”). Além de saber comunicar emoções universais, Breyner tinha algo de intrinsecamente português nos gestos, na pose, naquele olhar terno. É por isso que temos de passar pelas suas personagens quando pensamos no veterano da nossa guerra colonial, no inspetor da nossa Polícia Judiciária, no nosso autarca.

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