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Sempre senti volúpia literária pelos retornados. Cresci no meio deles. O bairro onde nasci foi levantado do chão por duas tribos de deserdados, os meus alentejanos e os vizinhos retornados. As duas raças eram silenciosas sobre o passado. Apesar de pobre, aquele bairro à beira do Tejo era um luxo para os meus antepassados habituados à planície amarela; evita-se por isso as conversas sobre o passado de miséria à beira do Sado e do Mira. O silêncio dos retornados tinha a causa inversa. Habituados ao fausto da planície vermelha, eles só podiam sentir claustrofobia naquele bairro que empilhava casas clandestinas como quem empilha peças de Lego. Com o tempo, acabei por entrar nos dois códigos de silêncio.

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