Siga-nos

Perfil

Expresso

Misericórdia

  • 333

Na quinta-feira, a Zita Seabra liga para me pedir um ensaio sobre misericórdia. Na sexta-feira, deito-me sem conhecer o apocalipse de balas, bombas e carne humana pulverizada e espalhada por jeans e guitarras. No sábado, acordo no meio do caos, passo horas a ver e a ler notícias sobre Paris. Não me saem da cabeça os amigos e amigas que estudaram no Liceu Francês e que volta e meia visitam Paris, Bataclan incluído. Cheio de ódio, sento-me ao computador para escrever sobre misericórdia. Teria sido mais fácil escrever sobre física quântica. Pela primeira vez desde o 11 de Setembro senti um ódio puro, cristalino, reconfortante. O ódio tem este charme, reconforta-nos, legitima a nossa ira, “estão a pedi-las!”, “é altura de tirar as luvas!”.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI