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Expresso

Refugiados, 1945

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Chama-se Herbert. Em 1945, era um menino de Viena de Áustria que cirandava pelas ruas a caçar ratazanas, que eram depois cozinhadas pela mãe num espeto improvisado entre ruínas e destroços; no prato, Herbert tinha de partilhar cada ratazana com a irmã. Naquela paisagem apocalíptica pouco mais havia para comer. Como tantas outras cidades, Viena era uma paisagem lunar, reduzida a um pó cinzento e repleta de crateras provocadas pelas bombas aliadas. Como diria Sebald muito mais tarde, os bombardeamentos aliados transformaram o sofrimento de alemães e austríacos numa extensão da natureza. Dormir ao relento, caçar ratos e roer solas passou a ser natural, tão natural como o vento que passava; aquele sofrimento não era bom nem mau, apenas existia, apenas acontecia, como uma tempestade ou terramoto. Contra esta visão amoral e naturalista, a Caritas lançou uma campanha: era necessário dar guarida a estes miúdos em zonas mais plácidas da Europa. E foi assim que Herbert, o menino dos ratos, chegou a Sepins (entre Coimbra e Aveiro) e à casa dos avós da minha sogra.

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