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Expresso

O seu filho não é bom

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Meu caro leitor, a minha escola era a “A Guerra dos Tronos” em miniatura, era Westeros cruzado com o Portugal dos Pequenitos: existiam diversas famílias de gangues que lutavam pela supremacia do pátio. Claro que eu, sujeito deveras democrático, levei democraticamente pancada de todas as famílias brasonadas deste submundo. Destaco a Casa Barrigas, que fazia questão de mostrar a arma no coldre, e a Casa Carlitos, que fazia questão de mostrar delicadeza no assalto, “arranja aí uns trocos”. Sabe qual era a minha tática de sobrevivência, caro leitor? As miúdas. Sacar a miúda certa da família certa era sinónimo de proteção. Por exemplo, lembro-me do feliz período em que fui uma espécie de gigolô da Casa Barrigas, visto que namorava uma amiga do chefe. Ora, isto foi há vinte e tal anos, e nada mudou. Nem vai mudar. As escolas são terrenos de poder, maldade e humilhação, porque crianças e adolescentes não são bons por natureza. O que mudou foi a amplitude da crueldade. No passado aquilo ficava no confessionário da escola, hoje salta para o mundo através de iPhones e internets. Se tivesse iPhone, o Lord Barrigas teria filmado atrocidades muito piores do que aquelas que temos visto. Se tivesse iPhone, eu provavelmente teria filmado as atrocidades que a amiga do Barrigas me fazia nos caniços atrás do ginásio; esses vídeos seriam a perfeita apólice de seguro contra o bullying. 

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