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Aliados antigos, parceiros modernos na defesa

Sir Stuart Peach*

Na próxima semana, um novo adido de Defesa residente irá iniciar as suas funções na Embaixada Britânica em Lisboa. O capitão de fragata da Marinha Real Britânica, David Morgan, irá desempenhar o cargo que tinha sido extinto há cerca de 10 anos, período durante o qual o adido de Defesa britânico trabalhou a partir de Londres. Esta decisão representa um investimento significativo do Reino Unido no aprofundamento da sua relação bilateral com Portugal.

Reino Unido e Portugal têm a mais antiga relação diplomática no mundo que ainda se mantém em vigor. Mas mesmo antes da assinatura do Tratado de Windsor em 1386, a nossa amizade começou a forjar-se nos campos de batalha. Em 1147, aliados ingleses ajudaram a libertar Lisboa. E, em 1385, arqueiros ingleses ajudaram o exército português a derrotar as forças castelhanas na Batalha de Aljubarrota.

Nos tempos mais recentes, os nossos dois países também combateram juntos. No século XIX, o duque de Wellington ordenou a construção das Linhas de Torres Vedras a norte de Lisboa, para repelir os ataques de Napoleão nas Guerras Peninsulares. Um século mais tarde, soldados britânicos e portugueses viriam a lutar lado a lado na Batalha de La Lys. Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal ajudou a alterar o rumo da guerra, ao permitir que a Marinha Britânica usasse os Açores para desestabilizar a ação dos submarinos alemães, levando o primeiro-ministro, Winston Churchill, a expressar “o apreço do Governo de Sua Majestade” pelas ações dos portugueses “cuja lealdade ao aliado britânico nunca vacilou nas horas mais sombrias da guerra”.

Estes laços continuam fortes. Trabalhamos em conjunto em missões da NATO no Mediterrâneo e no Afeganistão, em missões da UE na Somália e das Nações Unidas no Mali e na República Centro-Africana. E estamos juntos na ‘Operação Inherent Resolve’ no Iraque e na coligação global contra o Daesh.

No próximo ano, o Reino Unido vai sair da UE, mas não vai sair da Europa. O nosso empenhamento com a defesa dos nossos valores partilhados mantém-se inalterado. E continuaremos determinados em utilizar o máximo potencial dos nossos recursos militares, diplomáticos, de ajuda ao desenvolvimento, bem como os nossos serviços de informação, para liderar a ação internacional em matérias que afetam a segurança e a prosperidade dos nossos povos. É por isso que pretendemos estabelecer entre o Reino Unido e a UE um acordo estratégico novo e ambicioso para a cooperação futura em matéria de segurança e defesa.

O restabelecimento de um adido de Defesa britânico em Lisboa representa uma oportunidade para fortalecer e aprofundar as nossas relações em matéria de defesa. Vamos rever e atualizar o Memorando de Entendimento bilateral sobre questões de defesa, assinado em 2010; revigorar conversações bilaterais sobre defesa; e procurar novas oportunidades de cooperação através de parcerias industriais na área de defesa.

Quer seja fazendo face às ameaças de uma Rússia ressurgente a Leste; enfrentando instabilidade, Estados falhados e terrorismo internacional a Sul; ou olhando para o Atlântico, o Reino Unido e Portugal continuarão a trabalhar em conjunto para resolver os desafios de defesa e segurança, tanto a nível bilateral, como no contexto da NATO e em concertação com a UE.

As nossas nações têm uma orgulhosa tradição de envolvimento internacional, exploração e descoberta. Com a chegada do novo adido de Defesa, abrimos um novo capítulo na nossa história longa e partilhada como aliados, parceiros e amigos.

*Marechal e Chefe de Estado-Maior da Defesa do Reino Unido

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 3 de março de 2018