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Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Rio ganhou. Estava escrito nas estrelas. Mas o PSD está muito longe das estrelas 

Rui Rio diz que começará de imediato a criar uma alternativa à atual “frente de esquerda”. Para isso não lhe basta falar, tem que ter um programa, saber explicá-lo e, com isso, reconquistar o seu eleitorado potencial. Essa é a urgência - e a dificuldade - do PSD

A vitória de Rui Rio é uma vitória natural, do mais natural sucessor de Pedro Passos Coelho. Não por ter sido escolhido como sucessor ou por representar uma linhagem, longe disso, mas porque a página que se virou nas autárquicas tinha como sequência natural Rui Rio. Não interessa muito falar de cenários hipotéticos, mas acho que Rio teria ganho a qualquer candidato possível, tal como ganhou a Santana. Estava escrito nas estrelas que viria a ser líder. Foi agora.

É verdade que a vantagem de Rio não foi esmagadora. Ganhar por 54% não é muito confortável. Mas é uma vitória e, neste momento, isso chega-lhe. Não sobra mas chega.

O que vai fazer Rio do PSD? Essa é a grande questão. Não o que vai fazer no grupo parlamentar, na direção, se arruma este ou promove aquele. Isso é importante para o partido, mas quase irrelevante para o país. O que importa não é o que Rio vai fazer no PSD, mas o que Rio vai fazer do PSD. O partido não está num bom momento, tem fracas perspectivas eleitorais, vem de uma derrota autárquica histórica e perdeu boa parte do seu discurso político recente.

A vitória de Rio estava escrita nas estrelas, mas o partido está muito longe das estrelas. Não tem um caminho claro, não se percebe bem para onde vai nem o que quer, correndo o risco de ficar preso ao último período de governação. Com Rui Rio o PSD fica com as mãos livres: pode agradecer a Passos Coelho, honrar o seu trabalho e seguir em frente. Mas para onde?

Rui Rio diz que começará de imediato a criar uma alternativa à atual “frente de esquerda”. Para isso não lhe basta falar, tem que ter um programa, saber explicá-lo e, com isso, reconquistar o seu eleitorado potencial. Essa é a urgência - e a dificuldade - do PSD. Criar um discurso e um programa que seja percepcionado como uma alternativa. É uma tarefa muito difícil e, muito provavelmente, para mais que dois anos.