Siga-nos

Perfil

Expresso

Opinião

Pedro Cruz

Pedro Cruz

jornalista da SIC

O passado que os une

"É muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa".

A frase é, se não me engano, de Sá Carneiro.

E o PSD usa-a amiúde, dado dar-se o caso de ser um partido autofágico, sempre envolvido em lutas internas, com grupos acantonados, que muitas vezes se esquecem da máxima, também de Sá Carneiro, "primeiro o país, depois o partido".

Adiante.

Não seria de esperar que entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio as diferenças programáticas fossem enormes.

Não são, de facto.

Como ambos ontem reconheceram, e todos já o sabíamos, são sobretudo diferenças de estilo, de personalidade, de postura.

Mas no ringue do debate, Santana levou Rio às cordas logo no segundo assalto.

Rio ficou ali encostado, sem capacidade para reagir.

O plano aproximado da fácies era assustador: Santana socava à vontade, o adversário encolhia-se e não conseguia descolar do canto.

Foi um segundo assalto demolidor.

Rio só recuperou no fim, quando Santana já não podia ripostar, nessa coisa sinistra chamada "minuto final", que continuo sem perceber porque é que ainda existe nos debates, já que se trata de um minuto de tempo de antena disfarçado de informação.

Rio caiu na estratégia de Santana, que ainda está preso a 2004/2005.

Ele, Pedro Santana Lopes, sabe que esse é o calcanhar de Aquiles que tem nesta eleição.

Mas soube arrastar Rio para esse tempo.

Rio era vice-presidente de Pedro Santana Lopes.

Não tendo estado no Governo de então, estava comprometido com o líder, no partido.

E, na altura, a pensar "no país", ficou calado.

Mas há mais diferenças.

Rio fala ao país, mas o país não vota nas diretas.

Santana fala ao partido, mas o partido conhece-o bem, muito bem, bem demais.

O que ambos não perceberam – talvez percebam no segundo debate – é que o passado compromete os dois e … é passado.

E ambos sabem que serão líderes a prazo, até vir o próximo, depois das legislativas de 2019.

Por isso é que Paulo Rangel e Luís Montenegro ficaram a ver o debate.

E não foram a jogo, porque não é a hora deles.

Rio e Santana são grisalhos.

Estão, ambos, comprometidos um com o outro.

Começaram a tratar-se por Dr. e logo depois já estavam no "Pedro" e no "Rui".

Talvez este primeiro round tenha servido para arrumar o passado no sítio onde deve estar.

Mas há um passado que os une, muito mais do que os separa.