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Opinião

Clara Ferreira Alves

Clara Ferreira Alves

Escritora e Jornalista

Há morte para além do défice

Estou cansada da desorganização do Estado, da autoridade imoral 
do Estado, da tirania do Estado, da irresponsabilidade do Estado, 
da iniquidade do Estado

Não é um sentimento novo. Por cima das nossas cabeças paira uma substância espessa. Desconfiança. A ideia de que existe uma camada impenetrável de burocracia, mal servida pelos tiranetes de secretaria e os autoritários de pacotilha, os mandantes do selo obrigatório, da assinatura ilegível, do documento em falta, do quadradinho por preencher, das condições e cláusulas em letra miúda, das exclusões normais, das filas de espera e do tempo vácuo do silêncio administrativo. A desconfiança existe porque a burocracia existe e porque o Estado, aquilo a que largamente chamamos Estado, não está ali para nos ajudar ou proteger e sim para nos dificultar, punir, excluir ou ignorar. O Estado é o pior dos inimigos do cidadão comum quando o Estado assim decide. Não se trata apenas das deficiências processuais e kafkianas da máquina judicial, da falência das polícias ou da inexistência de socorro a vítimas.

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