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A batalha de Argel (deste lado do Mediterrâneo)

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Durante sete anos, entre 1954 e 1962, os terroristas argelinos arrasaram vilas e aldeias de colonos franceses, matando homens, mulheres e crianças. Apelide-se ou não de "independentista", quem mata crianças de forma intencional é “terrorista”. Quando a tática de terror chegou à capital, deu-se a famosa batalha de Argel. Os paraquedistas de Massu lançaram sobre os locais aquilo que hoje em dia só concebemos no Rio de Janeiro do BOPE. Não foi bonito e, em última análise, tornou impossível o sonho de Tocqueville e Camus, uma Argélia francesa mas pluralista, francesa mas autónoma, sem xenofobia europeia e sem terrorismo árabe. Meio século depois, o drama regressa ao horizonte, embora mude de cenário. Tal como na Argélia de 54, a fronteira entre criminoso e inimigo é cada vez mais ténue na França de 2016.
Em 17 de outubro de 1961, em Paris, cerca de 300 manifestantes argelinos foram massacrados pela polícia e depois lançados ao rio Sena. O episódio só foi reconhecido pelo governo francês 50 anos depois. Centenas de cadáveres de argelinos atirados ao Sena – ainda estamos longe de viver cena parecida em 2016. Parece impensável, não é? Mas convém recordar que o impensável varia com o tempo, os ataques ao Charlie e ao Bataclan eram impensáveis, tal como o ataque de Nice; uma França em estado de emergência desde novembro também era inconcebível na Europa do fim da História e da arrogância europeísta, mas esse estado de emergência está aí e continuará a apertar a sua malha de ferro sobre grande parte da população de origem árabe. É inevitável. Sim, é inevitável, porque existem de facto inimigos internos.

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