Siga-nos

Perfil

Expresso

Opinião

Jorge Braga de Macedo

Opinião de Jorge Braga de Macedo. Uma aproximação de Portugal à Alemanha faz todo o sentido

  • 333

A integração europeia flexível tem os seus limites mas deve ter agora um impulso forte que permita melhorar a governação da zona euro e do espaço Schengen

Os economistas não conseguiram demonstrar que as perdas acumuladas ao longo do tempo são superiores aos ganhos resultantes das trocas de bens, serviços e ativos financeiros do Reino Unido com a União Europeia.

Mas a impotência dos economistas também resulta da disfuncionalidade da integração europeia, especialmente desde que à crise das dívidas soberanas na zona euro a partir de 2010 se acrescentou a crise do sistema de Schengen e dos refugiados.

Essa disfuncionalidade é tanto mais grave quanto atingiu esquemas que visavam superar as deficiências da intergovernamentalismo sem resvalar para um federalismo utópico, de maneira que ameaça uma via reformista europeia que permitisse fazer funcionar o princípio da proximidade nos dois sentidos consoante a matéria.

Esta integração flexível tem os seus limites mas deve ter agora um impulso forte que permita melhorar a governação da zona euro e do espaço Schengen.

A subsidiariedade é muitas vezes vista como tendo o sentido único de devolução para níveis mais próximos do cidadão mas a estrutura dos mercados e dos bens públicos locais, nacionais, regionais e globais determina condições para melhorar a governação que descentralizam ou centralizam.

Este caminho para ultrapassar a crise do Brexit aplica-se a todos os países membros da União Europeia mas é determinante para um Estado unitário ibérico e atlântico como Portugal. Aliado tradicional de um Reino que já deixou de ser unido. Como no final da monarquia, uma aproximação à Alemanha faz todo o sentido.