Siga-nos

Perfil

Expresso

Opinião

Pedro Santos Guerreiro puxa pelo Benfica: Operação Marquês

  • 333

José Sena Goulão/ Lusa

Sou benfiquista e como todos os benfiquistas só acreditarei ser campeão depois do minuto 92. Para vencer o fantasma Kelvin. Para vencer o fantasma Jesus. Para vencer o fantasma da euforia precoce. Para vencer o tricampeonato. Doce.

É provável ganhar. É possível perder. Mas será preciso que o talento rua e a sorte roa para que, nesta jornada, o Benfica sucumba ante o Nacional. Digo eu. Dirão os benfiquistas, numa Luz a explodir, cheia de quem entrará não pela consagração mas pela consumação. A consumação de uma época que começou para perder e, como um ioiô, acaba para ganhar.

Benfica e Sporting fizeram, ambos, um grande campeonato. Qualquer merecerá o título. Mas foi um golo de Mitroglou em Alvalade que fez o que o anterior conjunto de três derrotas desfez: a possibilidade de vitória. A possibilidade de Vitória.

Mitroglou marcou mas não foi a estrela da companhia. Nem ele nem a dupla mais inteligente da Liga, Gaitán e Jonas. Nem sequer Jardel, poste posto à prova. Nem estrela foi a estrelinha em tantos jogos. A estrela deste ano são as estrelas dos próximos. Os miúdos. Lindelöf, Gonçalo Guedes, Ederson, Nelson Semedo. O Benfica jogou com quem tinha e quem tinha jogou à Benfica.

Rirá melhor quem rir no fim, mas a 90 (+2?) minutos do grito é Rui Vitória quem tem de travar os lábios para não se deslumbrar. Ele foi acossado pelos adeptos, açoitado pelos críticos, humilhado por Jesus mas construiu uma equipa depois de a desconstruir, libertando-se da sombra do treinador que, atravessando a Segunda Circular, não deixou de ser o melhor treinador em Portugal — nem o mais imodesto. Mas a vitória que está à beira dos dedos dos pés será sobretudo de Luís Filipe Vieira e do seu discurso no início desesperado, como antídoto pouco convincente para o envenenamento da saída de Jesus: o discurso da estrutura. Estrutura são as vitórias, diria o treinador dissidente. Estava cheio de razão.

O duelo entre os dois treinadores, um que gosta de ser irritante e o outro que gosta de não se irritar, é também o duelo entre dois presidentes, um que fala muito aos jornais e o outro que deixou de falar em entrevistas, talvez por receio de ter de falar do BES. Bruno de Carvalho não é só bruto como as casas, é o patrão que devolveu brio aos sportinguistas. Vieira deu a volta a um Benfica falhado, deu a volta até a si próprio, e se ganhar o tri sairá coroado.

A venda milionária de Renato Sanches é a nata do bolo de cerejas da formação, estratégia que permitiu ao clube da Luz superar o de Alvalade nessa vantagem. Assim o Benfica arrisca bater receitas para abater uma dívida arriscada, gerida por um administrador, Soares de Oliveira, talvez o único vice que está lá para fazer contas em vez de lá estar para fazer de conta. O Benfica encaixou na Champions, fez contratos com a Emirates e nos direitos de TV, vendeu jogadores, baixou passivo, está a internacionalizar para alcançar receitas. E joga à bola.

E joga à bola. Joga este domingo, já não para se defender a si próprio mas para defender o título, para atacar o tri, para ganhar, para ganhar, para ganhar. Três vezes e já não às vezes. Assim seja. Doce.

Diretor