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Nicolau Santos puxa pelo Sporting: Este título é nosso!

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FERNANDO VELUDO/LUSA

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

Sou sportinguista e vou entrar a pés juntos. O Benfica não merece ganhar este campeonato. Não foi melhor do que o Sporting. Foi pior. Tem mais derrotas do que o Sporting — quatro contra duas. Esta época, em quatro jogos com o Sporting, o Benfica perdeu três. Nesse minicampeonato, o Sporting somou nove pontos e 6-2 em golos. E o SLB também perdeu os dois jogos com o FC Porto. Não se pode ser campeão com um curriculum destes.

Em contrapartida, ainda na fase inicial da Liga, o Sporting perdeu o seu jogador mais desequilibrador — Carrillo — por influência subterrânea e desonesta da longa mão encarnada, que manipulou o seu empresário — um tal de Elio Casareto, que pela cara se vê logo que é sério e que a troco de empochar uma choruda comissão não se importou de condenar o jogador a passar uma época sem entrar em campo.

Mas o Sporting resistiu a tudo isso e é, para qualquer pessoa que faça um juízo independente, a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Mas não é só de grandes espetáculos (esta época, quem quis ver ópera foi a Alvalade!) e da beleza de movimentos da equipa que falamos. É da sua eficácia e das sucessivas provas de força e de personalidade. Nesta reta final, todos os sportinguistas tinham a certeza de que a equipa venceria todos os jogos.

No Dragão, a equipa mostrou desde o primeiro minuto que estava ali para ganhar. E mesmo um penálti que Artur Soares Dias inventou (para depois compensar não marcando outro de Coates sobre Aboubakar) não chegou para travar a lição de futebol e de personalidade que o Sporting deu. Mesmo na eliminação em Braga para a Taça de Portugal, seguramente o melhor jogo de todos os que se realizaram este ano em Portugal, o Sporting Clube de Portugal, a quem foi mal invalidado o golo de Slimani que mudaria o resultado a nosso favor, realizou uma fantástica partida.

Em Alvalade, o Benfica jogou 20 minutos, meteu um golo por Mitroglou num acaso, foi completamente esmagado (o Sporting dominou claramente, atacou mais, criou mais oportunidades) e depois passou 70 minutos a defender-se, a atirar bolas para fora, a queimar tempo, a simular lesões — e ainda há benfiquistas que estão a recuperar do susto que foi aquele falhanço inacreditável de Bryan Ruiz a dois metros da baliza e sem Ederson lá estar. Em contrapartida, nesta reta final, o Benfica ganha aos 94 minutos no Bessa com um golo de Jonas literalmente caído do céu (campo onde o Sporting empatou, com Artur Soares Dias a anular um golo limpo de Slimani e a não marcar um penálti contra o Boavista), não sofre o empate contra o Setúbal no último minuto dos descontos por incompetência absoluta do avançado setubalense, consegue virar o resultado com a Académica no minuto 85 (1-2), derrubar o Rio Ave no minuto 73 (0-1) e andou sempre com o credo na boca, a ganhar à tangente e a praticar um futebol mais próximo de uma equipa do meio da tabela do que de um campeão.

Por isso, aconteça o que acontecer amanhã, este campeonato será sempre aquele em que o Sporting foi a melhor equipa — mesmo que os deuses do futebol, por serem cruéis ou não existirem, deem o título a outro. Diretor-adjunto