Siga-nos

Perfil

Expresso

Opinião

A montra da Liga dos Campeões

  • 333

Um miúdo com dezoito anos vai para o Bayern de Munique. A transferência de Renato Sanches já fez correr muita tinta a começar pelos valores milionários envolvidos. Mas será esta uma boa decisão para o jogador e para o clube? A minha resposta é um duplo sim.

Renato Sanches, tal como o romano imortal Júlio César, chegou, viu e venceu. Mas foram as suas prestações na Liga dos Campeões que lhe garantiram o interesse de vários clubes europeus e em particular do Manchester United e do Bayern de Munique. Os elogios de Pep Guardiola correram mundo.

A decisão do clube da Baviera de ir buscar o Renato Sanches é reveladora da tendência de apostar em talentos cada vez mais novos. No fundo, uma das premissas desta transferência é claramente o potencial de um jogador que terá muitos anos pela frente. Renato optou pelo Bayern em detrimento do clube de Manchester. Ambos jogam de encarnado (e assim não estranha a cor do equipamento) mas neste momento o Bayern é um clube com maior estabilidade e com uma estratégia definida e clara. E ninguém tem dúvidas sobre qual é o seu objectivo para o ano: vencer o campeonato (uma vez mais!) e ganhar a Liga dos Campeões que fugiu a Guardiola.

Para o jogador o timing é perfeito. Renato terá melhores hipóteses de transformar todo o seu potencial num clube como o Bayern de Munique. Como escreveu o Pedro Candeias é o poder do «BMW» face ao do «UMM». Sem dúvida que a concorrência vai ser dura mas é exactamente esse aspecto que fará toda a diferença. Treinar ao lado de jogadores experientes como o capitão Philipp Lahm, Arturo Vidal e Xabi Alonso, artistas como Manuel Neuer, David Alaba, Arjen Robben e Thiago e goleadores como Thomas Müller e Robert Lewandowski será crucial para a sua evolução. A isto temos de juntar a organização e o profissionalismo de um dos clubes dominadores a nível europeu. Renato já mostrou a sua capacidade de trabalho e o talento. Falta agora amadurecer esse talento e dar-lhe maior inteligência. Estes aspectos são cruciais na formação de um craque.

Mais ainda, o Bayern atravessa um período de transição suave para o próximo treinador, Carlo Ancelotti. Este italiano é um Senhor do futebol e são conhecidas as suas capacidades de gestão emocional dos jogadores e a sua serenidade. E é de uma equipa serena que jogadores tão novos como Renato precisam.

E para o Benfica? Este é um prémio em vários sentidos. Em primeiro lugar, é a aposta ganha no equilíbrio entre os jogadores com mais experiência e os mais novos. No fundo, é possível apostar nos «miúdos» sem que essa decisão faça a equipa perder competitividade. Para além do encaixe financeiro a transferência deste jogador mostra como o clube da Luz é de facto uma escola de talento. Em segundo lugar, o Benfica fez o seu percurso nas provas europeias sem nunca as desvalorizar e a eliminatória com o Bayern mostrou isso mesmo. E se o Atlético de Simeone vencer em Milão então a equipa da Luz poderá dizer que derrotou o campeão europeu … no Vicente Calderón.

A Liga dos Campeões é mesmo a melhor montra de uma equipa.