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Dimitrios Papadimoulis

Dimitrios Papadimoulis

Vice-presidente do Parlamento Europeu

Investimento e crescimento são as prioridades do Governo Syriza

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O Governo grego está a realizar esforços impecáveis para retirar o país da incerteza económica. As previsões macroeconómicas foram melhores das que eram expectáveis em 2015, várias reformas significativas foram implementadas e existem sinais de recuperação firme e gradual após vários anos de recessão económica.

Estes esforços foram desenvolvidos durante um período de tempo muito reduzido, facto que mostra a eficiência e comprometimento do Governo - numa altura em que tem ainda que lidar com uma crise de refugiados séria e exigente - contra a promiscuidade entre o sistema político e mediático na Grécia. Ainda existem muitos aspetos que precisamos de alterar ou melhorar e estamos determinados a fazê-lo após a conclusão da primeira avaliação do programa de ajustamento grego.

O progresso que a Grécia está a realizar tem sido reforçado pela inclusão de obrigações do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) no programa de quantitative easing do Banco Central Europeu (BCE). Este avanço é fundamental para a economia doméstica uma vez que aumenta a liquidez dos bancos, sendo considerado um aumento de capital indireto a partir do qual os bancos podem ganhar entre 800 milhões e 1000 milhões de euros, transferindo os fundos disponíveis para o mercado para mobilizar transações e projetos.

Os últimos dados divulgados pelo Eurostat mostram claramente que a economia grega está no caminho certo, evidenciando um excedente primário de 0,7% do PIB em 2015. Pelo contrário, as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) estão novamente erradas, pelo sexto ano consecutivo.

O excedente primário da economia grega é um sinal muito positivo para os mercados, o Governo, a sociedade grega, a economia doméstica. Consequentemente, qualquer discussão sobre eventuais medidas serve apenas para acrescentar pressão desnecessária à sociedade e economia. Quaisquer medidas adicionais devem ser apenas identificadas depois da conclusão bem-sucedida das negociações de avaliação, depois do alívio da dívida, em cooperação estreita com a Comissão Europeia, o BCE e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Considerados todos estes aspetos, existe uma necessidade iminente para que a União Europeia se torne mais apelativa para os cidadãos e assente em crescimento e convergência económica. Motores financeiros poderosos como a Alemanha e a França precisam de investir na Grécia, Portugal e Sul da Europa, dar um voto de confiança a essas economias, ao potencial humano que têm, às vantagens comparativas que possuem. O investimento levará a mais crescimento e ao estudo das implicações a nível político, social e financeiro de uma austeridade rígida na periferia da Europa. A Grécia está a ajustar os seus indicadores fiscais e financeiros, mas ao mesmo tempo é crucial que estes esforços sejam complementados com iniciativas de investimento concreto que impulsionem a atividade económica.

Neste contexto, os Governos português e grego, através dos primeiros-ministros Costa e Tsipras, estão a promover uma aliança contra a austeridade e a pressionar para a implementação de um modelo alternativo de governação económica e social. Este modelo vem fortalecer a justiça social, trazer de novo para cima da mesa o desenvolvimento sustentável, redistribuir a riqueza, combater a corrupção e construir um Estado social contra a noção falhada e catastrófica da austeridade. Esta é uma causa que defendemos para enfrentar o colapso da zona euro e as perspetivas negativas para as instâncias europeias.

* Dimitrios Papadimoulis é vice-presidente do Parlamento Europeu, membro do Parlamento Europeu (MEP) e chefe da delegação do Syriza