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Expresso

Imobiliário ou dinheiro no banco?

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Saíram as novas directrizes da União Europeia. Agora é a sério. O dever de boa diligência de cada depositante aumentou.

Hoje, tal como no passado, cada depósito até 100 mil euros está seguro, todavia, desde 1 de Janeiro, ao contrário do passado recente, tudo o resto pode, caso aconteça algo ao Banco em questão, desaparecer.

100 mil euros é já uma quantia significativa. Correcto. Mas, por vezes, falamos de poupanças de uma vida, heranças de famílias ou bons negócios efectuados. O dinheiro, fazem-nos crer, é e estará mais seguro num banco do que debaixo do velhinho colchão.

Pode o cidadão comum pensar que se trata de um problema de quem tem muito dinheiro. Mas e as instituições públicas? E as empresas? E os pequenos negócios que pagam salários e a fornecedores? Como ficam neste ambiente de risco acrescido que vigorará no sistema financeiro?

Percebo a necessidade de parar com a constante sangria dos contribuintes e responsabilizar não só os accionistas, mas também os credores, que devem fazer uma ponderada e cuidadosa avaliação de risco, mas e os depositantes? Serão eles e terão eles a necessária informação e conhecimentos financeiros, para avaliar o risco do seu banco de sempre? Quem escolhe, sofre obviamente, com as consequências da sua opção. Este cenário, porém, não potencia a confiança no sistema financeiro. Não é, de longe, um cenário que tranquilize as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis como os idosos, nomeadamente os que possuem baixos índices de conhecimentos financeiros. Todos nós estamos lembrados do que se passou com as obrigações e papel comercial de entidades bancárias, que tão funesto fim tiveram. Não convém fazer dos depósitos, acima de 100 mil euros, o novo papel comercial...

O mundo de hoje é volátil e com uma dinâmica intensa. Obriga a uma significativa capacidade de processamento e recolha de informação. É hoje, essencial que cada pessoa ou instituição perceba e compreenda onde vai investir, quais os riscos que corre, não somente os retornos que pode ou não obter, e a quem vai confiar as suas poupanças.

Continuando neste prisma de análise não soam tão inusitados os números que se conhecem no sector imobiliário. Hoje, mais vale investir num terreno ou numa casa do que ter o dinheiro parado a render pouco ou, em termos reais, a desvalorizar. Os depósitos a prazo já não são tão atraentes como já o foram, tanto mais que o dinheiro hoje está visível no extracto e amanhã pode estar ausente ao abrigo de uma nova resolução e num qualquer novo banco.

Os números são impressionantes. Pelo que se rapidamente apura, a soma dos investimentos imobiliários em Portugal deverá ter atingido os €15 mil milhões em 2015, envolvendo entre 106 a 111 mil transacções de propriedades, regressando assim aos níveis anteriores a 2011.

São indicadores que merecem ser vistos com muita atenção, não esqueçamos as bolhas imobiliárias que são um passado, que pode voltar a ser presente. Todavia, continuo com a minha premissa de partida, o custo de oportunidade de ter o dinheiro parado subiu.

Face à envolvente que procurei descrever, precisamos de melhor regulação e supervisão e de ter muita atenção. A Europa de hoje é uma Europa a precisar de recolocar no centro do debate a ideia de solidariedade e responsabilidade colectiva, hoje somos nós, porém amanhã poderão ser outros. A União precisa de se reinventar, sem perder os seus valores fundacionais, que neste mar de egoísmos nacionais parecem estar cada vez mais esquecidos entre as brumas da memória.