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Expresso

Sines, o meu Bósforo

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Chamemos-lhe Ricardo. Conheci-o há uns anos num jantar de família em Santiago do Cacém. Era namorado de uma prima. Era alto e moreno, tinha a barba por fazer e, acima de tudo, não tinha aquelas patilhas oitocentistas que muitos alentejanos insistem em recortar no rosto. Além de não ostentar as patilhas marialvas, Ricardo apresentava outra marca distintiva: o emprego. Não era da lavoura. Era operador das gigantescas gruas do porto de Sines que, com aqueles enormes braços, parecem os invasores espaciais do H. G. Wells. Ou seja, Ricardo é um dos mordomos das nossas contas externas, é ele que coloca os pesos nos dois pratos da balança comercial da pátria; toda a gente fala em importações e exportações, mas Ricardo é dos poucos que tocam mesmo nessas entidades que são quase sempre abstrações numéricas (+8%, -11%, etc.).

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