20 de junho de 2013 às 13:02
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Opinião: Darwin entre a Terra e o Céu

Tanto nos fundamentos como nas implicações da teoria darwinista, a Geologia teve um papel tão decisivo como a Biologia. 
Carlos Marques da Silva*
Carlos Marques da Silva Carlos Marques da Silva

Quando pensamos em Darwin e na sua Teoria da Evolução por Selecção Natural vem-nos imediatamente à mente um Darwin biólogo, estudando tentilhões e tartarugas terrestres nas Galápagos... E, no entanto, quer no que respeita aos fundamentos, quer às implicações da teoria darwinista, a Geologia teve um papel importante.

O próprio Darwin, enquanto naturalista, apesar de um primeiro contacto algo desmotivador com a Geologia, acabou por adquirir uma sólida formação geológica de base e desenvolveu trabalho importante no domínio das Ciências da Terra. Efectivamente, é considerado por muitos - nomeadamente pelo próprio e pelos seus contemporâneos - mais um geólogo que um biólogo.

Iniciada a sua notável viagem de circum-navegação (1831-36), o primeiro desembarque de Darwin é efectuado em Cabo Verde, na Ilha de Santiago. Aí, num local impiedosamente castigado por um Sol abrasador, o que domina é a Geologia. São, pois, de natureza geológica as primeiras observações do jovem naturalista do "Beagle". Muitas outras se seguiriam.

Com base no trabalho realizado durante a sua viagem, Darwin publicou posteriormente diversos trabalhos de índole geológica. Dessas obras, porventura, a mais conhecida é aquela, publicada em 1842, em que, discorrendo sobre a estrutura e a distribuição dos recifes coralígenos, desvenda a origem dos recifes em atol do Pacífico, explicando a sua formação em torno de ilhas vulcânica sujeitas a erosão e a subsidência.

Está bem patente em "A Origem das Espécies" (1859) a influência que a leitura da obra "Princípios de Geologia" (1830-33), de Charles Lyell, cujo primeiro volume lhe foi oferecido por Robert FitzRoy, capitão do "Beagle", teve em Darwin.

A Teoria da Evolução por Selecção Natural pressupõe a existência de tempo, de muito tempo, do tempo suficiente para as mudanças evolutivas gerarem a biodiversidade que actualmente conhecemos.

A assunção, em "A Origem das Espécies", de um tempo geológico imensamente extenso, aliada a uma visão "uniformitarista" do mundo natural, de acordo com a qual a Terra mudava paulatinamente, ao longo de uma escala temporal vastíssima, segundo processos idênticos - em natureza e em intensidade - aos que actualmente vigoram, apoia-se em grande medida da leitura da obra de Lyell.

Por outro lado, a escala temporal a que, segundo a perspectiva darwinista, baseando-se no "uniformitarismo" de Lyell, a evolução ocorria, entrava directamente em conflito com leituras e interpretações cronológicas mais conservadoras dos textos bíblicos.

Juntamente com, por exemplo, a questão da "origem simiesca" da Humanidade, este tema suscitou reacções arrebatadas por parte dos sectores mais conservadores da já de si conservadora sociedade vitoriana inglesa da segunda metade do séc. XIX e alimentou variadas e calorosas polémicas.

Enfim, Darwin e a sua Teoria da Evolução, estavam e ainda estão, literalmente, entre a Terra e o Céu.

* Professor e investigador no Centro de Geologia da Universidade de Lisboa 

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os fósseis
Porque é que não existe evidência nos fósseis, da evolução das espécies como seria de esperar se a evolução tivesse ocorrido?
E porque existem fósseis de espécies que não evoluiram?
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