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Expresso

  • Quebrar o ciclo vicioso que desprestigia os professores

    Daniel Oliveira

    Se adotássemos o excelente sistema finlandês o resultado poderia ser catastrófico. Não por razões culturais, mas porque não há bom sistema que resista a uma máquina burocrática centralizadora e à desmotivação ou falta de vocação de professores. Quanto à primeira, defendo uma crescente autonomia das escolas. Mas é em relação aos professores que a mudança é mais urgente. A solução não é avaliar de forma severa quem está a dar aulas. Isso é trancar a porta quando a casa já foi roubada. É na entrada que tudo se decide. Na Finlândia, é mais difícil entrar na formação de professores do ensino básico do que em Medicina ou Direito. É uma pescadinha de rabo na boca. Como é difícil chegar a professor só os melhores conseguem e a profissão ganha estatuto social. A sociedade confia nos professores e eles ganham autonomia, tornando a profissão atrativa e levando os melhores a querem ser professores, o que torna a seleção mais apertada. Em Portugal, temos de quebrar outro ciclo vicioso: o desprestígio da profissão cria desalento e torna a docência pouco atrativa, levando a sociedade a não confiar nos professores e a burocracia a tutelar a sua atividade, o que leva os melhores a quererem outro rumo

  • 10 mil milhões de euros, lavagens de carro e outras gotas

    Henrique Monteiro

    Afirma-se que 10 mil milhões de euros voaram para offshores entre 2011 e 2014. Nesses quatro anos, por algum motivo, transferências comunicadas pelos bancos não terão sido inspecionadas. Apesar de o ex-secretário de Estado Paulo Núncio desmentir que tenha havido verbas não inspecionadas temos que cerca de 2,5 mil milhões de euros podem ter passado entre os pingos da chuva sem pagar impostos. Entretanto – números são números – o Estado parece ter descoberto que gastava 1,4 milhões de euros em subsídios a motoristas para lavar os carros

  • A novela de Marques Mendes

    Daniel Oliveira

    Marques Mendes é um excelente intriguista e essa é a única política que conhece. Mas sempre demonstrou fraco entendimento sobre as preocupações dos portugueses, que estão a léguas de toda a novela que tem alimentado. Agora desafiou, na prática, António Domingues a revelar a troca de SMS privados com Centeno. Se o antigo administrador da CGD o fizer terá de ser confrontado com a razão que apresentou para não querer que os rendimentos dos administradores fossem revelados: a proteção de dados pessoais e da sua privacidade. Ou considera que a conta bancária é mais privada do que caixa de mensagens de um telemóvel ou a razão para toda esta resistência era outra. Claro que tudo podia ser mais claro. Mas dizer isto não é o mesmo que dizer que vale tudo para saber mais. Recordo-me de Maria Luís Albuquerque ter mentido sobre o seu papel e a informação que detinha no recurso aos SWAP. E a mentira foi em Comissão de Inquérito. Não foi demitida e muito menos se andou a vasculhar o seu telemóvel. E bem. Cada coisa tem a sua proporção