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Expresso

  • Dijsselbloem é um europeu médio do norte

    Daniel Oliveira

    Foram os líderes europeus, e não a extrema-direita, que construíram o argumentário demagógico contra a razão de ser da União. Assim como deram, com o insulto e humilhação permanente, a que juntaram doses cavalares de sacrifícios, força à esquerda antieuropeísta nos países do sul. Como podem existir condições políticas para qualquer tipo de solidariedade europeia, de que a União dependeria para sobreviver, se os principais dirigentes europeus convencem os seus povos que as transferências de recursos para garantir a convergência correspondem a dar dinheiro a quem o vai torrar sem qualquer critério? Claro que Dijsselbloem tem de ser corrido por ter insultado vários povos ao mesmo tempo e, já agora, por ter sido escorraçado do poder pelos seus concidadãos. O que não serve para os holandeses não serve para os europeus. Mas não se julgue que isso muda alguma coisa. O que Dijsselbloem disse é que o europeu médio do norte pensa. Não apenas por preconceito xenófobo, mas porque foi isso que gente considerada moderada e europeísta lhes andou a vender nos últimos seis anos. Foram eles e não quaisquer radicais que mataram a União

  • Método para não ficar indignado com Dijsselbloem

    Henrique Monteiro

    Conseguimos, uma vez mais, algo em que somos verdadeiramente bons: indignarmo-nos! E, desta vez, em conjunto com países como a Itália, a Espanha e a Grécia. Temos razão? Etimologicamente não. Indignar-se significa ser olhado como não tendo dignidade e não é um Dijsselbloem qualquer que consegue esse feito. Popularmente, sim. O holandês disse umas coisas ao jornal Frankfurter Allgemeine que não lhe ficam bem, nem são próprias de um ministro, que para mais é presidente do Eurogrupo

  • Teresa Leal Coelho, o pequeno mundo que sobrou a Passos

    Daniel Oliveira

    Teresa Leal Coelho não tem credibilidade junto do eleitorado. O único currículo de gestão que se lhe conhece foi na companhia de Vale de Azevedo e uma experiência infeliz no CCB. A sua experiência autárquica não abona em seu favor: segundo “Observador”, faltou a 91 das 153 sessões da Câmara de Lisboa. De resto, a sua principal característica política é fazer parte do pequeno núcleo que ainda rodeia Passos Coelho, que já quase se resume a duas ex-professoras de Universidade Lusíada, onde ele estudou. É tudo incrivelmente pequeno. Tão pequeno que Fernando Medina só terá de combater a abstenção. Tão pequeno que Assunção Cristas pode ultrapassar o PSD. A displicência com que Passos tratou este processo – uma displicência que é a marca da sua liderança na oposição – poderá custar-lhe o lugar. Um preço justo para quem parece alimentar-se mais do ressentimento pelo passado do que por qualquer projeto para o futuro. Para quem parece apenas estar à espera que o diabo o tire da oposição

  • Le Pen e os emigrantes portugueses

    Henrique Monteiro

    Numa interessante reportagem multimédia a que a Rádio Renascença deu hoje destaque, verifica-se como há diversos emigrantes portugueses a apoiar Marine Le Pen. O título da reportagem também não deixa dúvidas – “O feitiço de Marine Le Pen conquista portugueses”. Ora, em vez de preconceituosamente arrumarmos estes compatriotas que já são também franceses, na gaveta dos xenófobos, fascistas e racistas interessa ver qual a razão que leva alguém que emigrou a votar em propostas xenófobas