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Expresso

  • A ordem do polícia não é mais libertadora do que a ordem do marido

    Daniel Oliveira

    A subordinação das mulheres não resulta apenas da repressão direta dos homens. Todas as formas de machismo são transmitidas por homens e mulheres, ensinadas aos filhos e às filhas pelos pais e pelas mães, impostas pelo meio por amigos e amigas. É por isso que a ideia de que quando a polícia obriga uma mulher a tirar o burkini está apenas a garantir à mulher a sua liberdade, levando-a a fazer o que faria se o homem não a obrigasse a usar aquilo, é idiota. É provável que a maioria daquelas mulheres não queira mesmo despir-se na praia. E se sinta brutalmente humilhada por alguém a querer obrigar a tal gesto. A decisão de usar o burkini é livre? Nuns casos será mais, noutros menos. Mas em muitos será tão livre como a liberdade que pode existir quando há relações de subalternidade na sociedade. Como a ordem de um polícia ou a lei do Estado não muda nada nessas relações, a imposição de despir o burkini é apenas mais uma limitação à liberdade da mulher que se sobrepõe a outra. A ordem do polícia não é mais libertadora do que a ordem do marido. É apenas outra ordem. O papel do Estado não é forçar ninguém a ser livre, porque isso é uma contradição nos termos. É criar as condições para o exercício da liberdade. E cada norma como a aprovada contra os burkinis e entretanto suspensa em algumas localidades pelo Conselho de Estado apenas fecha as pessoas nas suas conchas, cria culturas de resistência identitária e atrasa tudo mais um bocado

  • Laicismo, burquini e estupidez

    Henrique Monteiro

    Teremos sempre um argumento a favor dos nossos amigos franceses. Afinal, eles dominaram-nos intelectualmente durante anos e, sob o ponto de vista da organização do Estado (centralista e napoleónico) têm uma influência que não fica atrás daquela que os alemães têm na jurisprudência. Pois é, somos um país influenciável (não esquecer o comércio inglês ou a banca espanhola), que no campo das ideias sociais e políticas se habituou a olhar para Paris como basbaques

  • Ainda bem que a Caixa é pública!

    Henrique Monteiro

    Antes de afiarem as facas, deixem-me já afirmar que não tenho a certeza sobre quase nada nesta matéria. Muito menos se um banco como a CGD deve ser público ou privado. Como representante dos pouco sofisticados, ou mesmo básicos, na Comunicação Social, há coisas que não sei. Mas não saber é diferente de não ver

  • É grave mas não ofende a honra patriótica

    Daniel Oliveira

    A imunidade é a única proteção que os diplomatas têm perante represálias contra os seus Estados. E isso tem de incluir, como é evidente, os seus familiares. Não podemos partir do princípio que todos os diplomatas trabalham em países democráticos em que existe Estado de Direito. E mesmo quando existe, os seus familiares podem ser usados contra um determinado Estado. Mas a vida de um menor, o sofrimento dos seus pais, a noção de justiça e a defesa do instituto da imunidade diplomática exige uma solução rápida para o problema. É dever do Iraque, caso se confirmem as razões para isso, levantar a imunidade dos filhos do embaixador. O que se dispensa? Fazer deste trágico episódio um assunto de honra patriótica e, menos ainda, mais uma oportunidade para generalizações absurdas. É um assunto da justiça que envolve pessoas com proteção diplomática que aparentam ter crescido numa cultura de impunidade que é muito comum nos jovens das elites das ditaduras. Cabe à justiça resolvê-lo e à diplomacia tentar que essa proteção desapareça. Mais nada

  • Marcelo e a solidão do PS

    Henrique Monteiro

    É curioso constatar que o PS, quando não consegue o apoio dos parceiros que apoiam o seu Governo, fica completamente isolado. Veja-se o caso da alteração da lei de incompatibilidades dos gestores, de forma a acomodar os nomes previamente indicados (e vetados) para a Caixa Geral de Depósitos. O PS estava disposto a alterá-la. O PSD e o CDS – creio que para sublinhar a trapalhada que o Governo criou e, também, por dever de ofício – opõem-se. O Bloco e o PCP, porque são contra qualquer acumulação que não seja de um vegetariano com um LGBTI, também se opuseram. Por fim, Marcelo Rebelo de Sousa enviou sinais (e ele é bom a mandar sinais) de que também não estava pelos ajustes