Desde 1936 que não se sentia tanto calor na Rússia. Com temperaturas elevadas dias a fio, que se aproximam do recorde absoluto de 36,5ºC, registado há 74 anos, a população aproveita para se refrescar nos rios e tanques, onde até ao momento 507 pessoas acabaram por encontram a morte por afogamento.
Sentida em especial em Moscovo - junto ao Kremlin, na passada sexta-feira, a máxima atingiu os 37ºC -, a onda de calor alterou também os hábitos da população. Com sol a pique, ausência de nuvens, ar quente e húmido, e temperaturas que não baixam à noite, moscovitas e turistas tiram partido do clima subtropical - inédito no país -para passear de biquíni, fazer a sesta e ir a banhos um pouco por todo o lado.
Sábado "negro"
Só na semana passada, 274 pessoas morreram afogadas em toda a Rússia. Segundo o Ministério para Situações de Emergência, na maior parte das vezes os afogamentos ficaram a dever-se à imprudência das próprias vítimas, por entrar na água em estado de embriaguez ou por ir a banhos em locais perigosos e proibidos.
Segundo fontes dos serviços médicos russos, nas últimas 72 horas pelo menos 25 pessoas morreram afogadas em rios e tanques de Moscovo.
"Sábado passado entrou para a história de Moscovo como um 'dia negro': 11 pessoas afogaram-se. É outro recorde trágico deste julho", disse o porta-voz do serviço nacional de saúde à agência de notícias russa Interfax. Já na sexta-feira e no domingo, registaram-se 14 afogamentos.
A onda de calor está longe de terminar, embora deva ocorrer uma tempestade nos primeiros dias desta semana em Moscovo. A previsão dos meteorologistas aponta para temperaturas máximas de 33ºC, que voltarão a subir na próxima sexta-feira.
Entretanto, a pior seca dos últimos cem anos fustiga as zonas rurais, provocando a perda de vários milhares de hectares de colheita.
Calor castiga Europa
A Itália está igualmente a ser afetada por uma onda de calor, obrigando italianos e turistas a mergulharem nas famosas fontes das cidades. As altas temperaturas têm provocado um aumento substancial das chamadas para o número verde das emergências e alguma perturbação nas urgências dos hospitais.
A defesa civil colocou 18 cidades - incluindo Roma, Milão e Bolonha- em estado de alerta máximo. Com máximas que ultrapassam os 40ºC, Roma e Lazio registam o recorde de calor. Empresas de transportes públicos andam a distribuir garrafas de água mineral nas paragens dos autocarros.
França, Dinarmarca e Grã-Bretanha também estão a enfrentar alguns dos dias mais quentes do ano. Na Dinamarca, país quase sempre muito frio e cinzento o ano inteiro, a alteração climática é ainda mais visível. Às 08h30 já o sol está a brilhar e a temperatura a subir, para deleite dos dinamarqueses.