"As propostas [do PS] tal qual foram formuladas, não têm consistência financeira para merecer aprovação", assumiu esta tarde o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro. Em conferência de imprensa conjunta as direções das bancadas do PSD e do CDS apresentaram as propostas de alteração ao Orçamento do Estado entregues pela maioria (73 no total), e rejeitaram as iniciativas oriundas dos deputados do PS.
As ideias dos socialistas, explicaram Montenegro e Nuno Magalhães, não respeitam os dois princípios de que a maioria não abdica - a neutralidade orçamental e a manutenção do equilíbrio do esforço de consolidação das contas públicas entre 2/3 de corte na despesa e 1/3 de aumento da receita. "Se o PS tiver como intenção manter propostas que não cumprem" estes dois princípios, "naturalmente não há condições para a sua aprovação", declarou Luís Montenegro.
O dirigente social-democrata acusou mesmo os socialistas de terem apresentado propostas que "sabem antecipadamente que não podem ser aceites".
Entre as propostas de alteração apresentadas pela maioria, conta-se a nova "contribuição extraordinária" sobre as pensões mais elevadas. No entanto, questionados pelos jornalistas, os dirigentes das bancadas da maioria não souberam quantificar qual a receita que será arrecadada com essas medidas, que são "eminentemente simbólicas". E ficou uma garantia: essas receitas extra "não dão folga" para aliviar outras medidas de austeridade.