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OCDE revê em alta previsões de crescimento mundial

Pela primeira vez em dois anos, a Organização reviu em alta as previsões de crescimento mundial, sublinhando que a retoma "já está em marcha."

11:57 Quarta feira, 24 de junho de 2009

A OCDE reviu em alta as suas previsões de crescimento pela primeira vez em dois anos, considerando que a retoma está doravante "nos carris", embora permaneça "fraca e frágil", indica nas suas "Perspectivas económicas" hoje publicadas.

"A retoma que chega será ao mesmo tempo fraca e frágil durante um certo tempo, e as consequências sociais e económicas da crise serão duradouras", prevê a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE), acrescentando, no entanto, que "o pior cenário parece evitado".

A Organização, que agrupa 30 países ricos, prevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) da sua zona de -4,1% este ano antes de uma retoma de 0,7% em 2010, o que marca uma ligeira melhoria em relação às suas previsões de Abril (-4,3%, - 0,1% em 2010).

Enquanto a crise atingiu simultaneamente vários países do globo, a retoma deverá surgir de forma desigual, sublinha a OCDE.

A melhoria seria mais nítida para os Estados Unidos, cujo PIB deverá recuar -2,8 por cento em 2009, antes de voltar a crescer em Paris (+0,9%), quando a OCDE se mostrava até lá mais pessimista (-4,0% em 2009, e 0% em 2010).

O PIB da zona euro deveria cair -4,8% este ano antes de conhecer um crescimento nulo em 2010. "Os sinais de uma retoma iminente nesta zona ainda não são claramente visíveis", indicou.

As previsões anteriores anunciavam uma baixa de 4,1% em 2009 e uma baixa de 0,3% em 2010.

A Organização nota, por outro lado, que a retoma "já está em marcha" em vários grandes países não membros da OCDE, entre os quais a China, a Índia e o Brasil, que além do mais não sofrem "os danos orçamentais que afectam vários Estados membros da Organização".

O comércio internacional deverá sofrer uma derrocada de 16% este ano, até porque "novos abanos do sistema financeiro não são excluídos" e a "subida substancial do desemprego" deverá prosseguir, considera a Organização.

Na zona OCDE, o desemprego deverá assim atingir os 8,5% da população activa em 2009 e 9,8% em 2010, ou seja cerca do dobro da taxa registada em 2008.

No que respeito à inflação, julga que as pressões baixistas deverão manter-se nestes dois anos, mas sem riscos de deflação prolongada, a não ser no Japão.

No final, "a maioria dos países da OCDE deverão enfrentar graves desequilíbrios macroeconómicos", ainda agravados pelos défices públicos, que os Estados deverão combater, no futuro.

A OCDE julga igualmente "crucial para o futuro" modificar as regras de regulação financeira e de supervisão "para limitar o risco de uma nova crise financeira" e apela a que se façam e se publiquem os chamados 'testes de resistência' (stress tests) aos bancos.

Lusa
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