A dias do começo da reunião do grupo das 20 maiores economias do mundo, em Cannes, França, a OCDE efetuou um corte acentuado nas previsões que tinha realizado em maio para a zona euro, segundo as quais a região iria crescer dois por cento em 2011 e o mesmo valor em 2012, passando agora a prever um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para este ano e de 0,3 para o ano seguinte.
Em 2013, a OCDE coloca a zona euro a crescer 1,5%, duas décimas abaixo dos valores registados na região da moeda única em 2010. Na mesma nota, a OCDE apelou hoje aos líderes do G20 que adotem medidas corajosas para reconstruir a confiança, num contexto de fraco crescimento económico mundial.
Mais particularmente, a organização liderada por Angel Gurría adiantou que "nas economias avançadas do G20, as taxas de juro devem manter-se em suspenso ou, onde possível, ser reduzidas, em particular na zona euro", acrescentando, também, que os "bancos centrais devem continuar a fornecer liquidez ampla para facilitar as tensões dos mercados financeiros".
OCDE já tinha apresentado "mau cenário" europeu
Já em junho, Gurría, num discurso em Haia, Holanda, tinha alertado para um cenário negativo, sugerindo que "se nada for feito, o ritmo do crescimento na zona euro nos próximos 15 anos vai ser cerca de metade do que tem sido desde 1995", o que é claramente um "mau cenário".
O apelo da OCDE surge a dias da reunião do G20, mas, em simultâneo, ao último dia em funções do atual presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, que vai ser substituído na terça-feira pelo governador do Banco de Itália, Mario Draghi.
Também hoje, em Madrid, dados divulgados pelo Banco de Espanha indicaram que a economia espanhola registou um crescimento de 0,7% em termos homólogos face a 2010.
Cortes no crescimento vão para além da Europa
Fora da zona euro, as previsões não são muito melhores, com a OCDE a cortar para 1,7% o crescimento da economia dos Estados Unidos este ano e para 1,8 em 2012, depois de, em maio, ter apontado para um aumento de 2,6% em 2011 e 3,1 no ano seguinte.
No total dos G20, a OCDE prevê um crescimento de 1,5% este ano e no seguinte, com a retoma a fazer-se sentir em 2013, com um aumento de 2,2%. Por sua vez, para a China as previsões foram revistas em alta para 2011, de nove para 9,3%, ao que se deverá seguir um 2012 com crescimento de 8,6%, menos seis décimas do que o esperado.