Obama recebeu durante duas horas os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia
AP/Haraz N. Ghanbari
A administração Obama renovou "conselhos e orientações" aos líderes europeus sobre a saída para a crise da dívida soberana na Zona Euro, tendo o apoio financeiro de Washington ficado de fora da cimeira União Europeia - Estados Unidos.
"Não houve discussão sobre os Estados Unidos aumentarem a sua contribuição para o Fundo Monetário Internacional ou outros compromissos financeiros para com a União Europeia, na busca de soluções para esta crise", disse William Kennard, embaixador dos EUA em Bruxelas, na conferência de imprensa de encerramento da Cimeira.
Questionado pela Agência Lusa sobre o sentido dos "conselhos e orientações" que o presidente norte-americano, Barack Obama, e o seu secretário do Tesouro, Tim Geithner, transmitiram aos líderes europeus, Kennard afirmou que estes são reservados, pois "juntar a voz" de Washington a muitas outras "tornaria tudo mais difícil".
A postura da administração Obama, adiantou, tem sido de "querer ver ações mais ousadas, rápidas e decididas por parte dos líderes europeus", adiantou à Agência Lusa.
Obama reuniu-se com Van Rompuy e Barroso
Obama recebeu durante duas horas os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, em Washington, depois do encontro em Lisboa em 2010.
Em curtas declarações após o encontro, Obama sublinhou a importância que a resolução da crise europeia tem para as perspetivas de crescimento norte-americanas e disse que os Estados Unidos estão dispostos a fazer "a sua parte" para ajudar os europeus, sem dar pormenores.
No comunicado final da Cimeira, os parceiros declaram empenho em "trabalhar juntos para revigorar o crescimento económico, criação de emprego e estabilidade financeira" e refere também a necessidade de os Estados Unidos assegurarem a "consolidação orçamental" a médio prazo.
"Devemos ambos tomar medidas fortes para reagir às inquietações sobre o crescimento a curto prazo, mas também as fragilidades orçamentais e financeiras para reforçar a economia mundial", disse Van Rompuy, após o encontro.
No encontro de Washington participaram também o secretário do Tesouro norte-americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, e a sua homóloga europeia, Catherine Ashton.
"Ninguém está imune à crise"
João Vale de Almeida, embaixador da UE em Washington, sublinhou que a crise atual é um reflexo do colapso dos mercados financeiros em 2008 e que "ninguém está imune" perante ela.
"Os Estados Unidos fizeram os seus reparos sobre a situação na Europa. Nós também estamos interessados na situação nos EUA, bem como nas economias emergentes, porque estamos interligados e interdependentes", disse.
O espírito do encontro de segunda-feira foi de "extrema cooperação", perante uma "situação difícil", adiantou.
Questionado pela Agência Lusa sobre modos de cooperação entre Washington e Bruxelas no suporte ao euro, o diplomata europeu afirmou que há "muitas discussões em curso" e que medidas concretas para apoiar a moeda única europeia serão conhecidas apenas nos próximos dias ou semanas.
"Estivemos aqui para assegurar ao presidente Obama a determinação dos líderes europeus em andar em frente", aduziu.
Em cima da mesa da discussão estiveram também as situações na Síria, no Irão e no Afeganistão, entre outros teatros onde os dois conjuntos estão envolvidos.