26/05/2012 atualizado às 14:20
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O verdadeiro pânico

8:00 Quarta feira, 21 de janeiro de 2009

Não têm faltado más notícias para Portugal nos últimos tempos: recessão para 2009, desemprego a subir, empresas históricas a fechar. Mas, as notícias mais assustadoras têm vindo dos remotos spreads e ratings, que só agora capturaram a atenção da imprensa.

Nos últimos 10 anos, Portugal transformou-se num país altamente endividado ao exterior. A dívida é cerca de 90% do PIB, e todos os anos acrescentamos 8 a 9%. Se, de repente, os estrangeiros deixassem de nos emprestar este dinheiro, Portugal teria uma crise económica como nunca teve no último século. Fábricas fechadas porque não conseguem importar os materiais necessários, desemprego a saltar para os 20%, revoltas sociais, um ditador populista ao poder. Este cenário parece inconcebível, mas ocorreu na Argentina há poucos anos, quando os números da sua economia tinham semelhanças com a nossa situação.

Porque é que os estrangeiros fariam isso? Quem empresta ao Estado enfrenta dois riscos: a inflação, que implica que o dinheiro que recebo do Estado mais tarde em pagamento vale menos em bens reais; e a falência do Estado que pode não pagar. Desde que entrámos no euro, o primeiro risco desapareceu, e o segundo devia ser mínimo, pois desde o século XIX que o Estado português honra as suas dívidas. Por isso mesmo, desde 1999, a diferença entre a taxa de juro que os portugueses e os alemães pagam nas suas dívidas tem sido quase zero.

Nos últimos meses, aconteceu uma coisa quase impensável: esta diferença, ou spread, trepou para os 1,1%! Este número diz que os mercados internacionais acham que é bem provável que Portugal deixe o euro ou declare falência nos próximos 10 anos. Os dois riscos não são independentes, pois se Portugal não pagar as dívidas, pode ser expulso do euro; basta lembrar que um dos maiores detentores da dívida portuguesa é o próprio BCE. Esta semana, mais uma má notícia, quando a S&P reviu para cima a sua avaliação, ou rating, do risco da dívida portuguesa.

A probabilidade desta catástrofe ainda é pequena. Mas, para quem acompanhou o que aconteceu na Argentina, só o facto de ela estar na mesa é suficiente para fazer perder o sono.

Ricardo Reis, professor de Economia, Columbia University

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O verdadeiro Pânico
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:37 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
Esta é precisamente a noticia,que nenhum português desejava ler nem ouvir. Infelizmente não é por ela não ser noticia, que não existi. Um dia vão dar razão àqueles que andam a alertar, já lá vão 30 anos, que os portugueses continuam a viver a cima das suas possibilidades. Só espero que não seja tarde. Diz o velho ditado que não há uma sem duas.Parece que não aprendemos nada com os erros da Primeira Républica. Como não há luz estamos sentados num barril de polvora. Vamos rezar a Nossa Senhora de Fátima que faça um milagre.
 
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adivinhações
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 15:32 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
Eu acho INCRIVEL como é que ainda há pessoas que fazem projecções, previsões e outras adivinhações! Como me espanto que haja pessoas que as discutam, as contestem, mandam bitaites e palpites... e há quem os ouça com atenção... e pagam-lhes para escrever essas'coisas' que lhes vem à cabeça, sabe-se lá de onde...
 
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E um downgrade do UK e dos USA?
LPSP (seguir utilizador), 1 ponto , 18:27 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
Sera que a S&P nao devia tambem rever o rating do UK e dos USA? Com deficites previsto de 8%-10% do pib para os proximos anos e nenhuma garantia de aumento de impostos futuros entao o risco de incumprimento destes dois paises aumentou substancialmente... Sera que a S&P nao tem coragem de fazer esses downgrades?
 
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Tecnocracia de vistas curtas
Jaime V. (seguir utilizador), 1 ponto , 0:44 | Quinta feira, 22 de janeiro de 2009
Pois é, quer queiram ou não chegou a hora de render preito a Karl Marx.
Não há salvação fora do socialismo.
Está mais que provado que o homem é inimigo do homem quando deixado à solta.
Vamos então organizar-nos como uma sociedade com as regras do socialismo e muita justiça sobre os que pretenderem auferir benefícios à custa do sacrifício de todos.

Sou formado noutra área que não a economia e não consigo compreender a lógica do raciocínio dos tecnocratas. Provavelmente porque não foram ensinados a desenvolver as suas capacidades cognitivas, não conseguem ver mais do que um palmo à frente dos olhos. Ou então analisam subjectivamente com o espírito manietado pelos seus interesses de classe. Vêem o futuro como gostariam que ele acontecesse.

P.S.- As razões do colapso da Argentina nada têm a ver com as nossas. Atente-se na situação dos EUA que é pior que a nossa. Só à China devem 3 biliões de dolares. Ao Japão outro tanto, etc.
 
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Old news...
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 0:46 | Quinta feira, 22 de janeiro de 2009
Que o nosso país está na ruína, mal gerido, corrompido, completamente dependente das dádivas financiadoras de terceiros, qual país africano, ninguém tinha dúvidas. Basta ouvir o que o Medina Carreira vem alertando já há muito tempo. O que acontece é que ninguém quer saber. Mas mais tarde ou mais cedo, alguém irá pagar a factura do nosso desgoverno, porque, como diz o outro "isto não é vida"...
 
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Não há problema...
Kurrusivo (seguir utilizador), 1 ponto , 15:07 | Quinta feira, 22 de janeiro de 2009
...Com o Mundial 2018 vamos poder pagar as dividas todas.

K.
 
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Como é possivel?
saej (seguir utilizador), 1 ponto , 13:18 | Sábado, 24 de janeiro de 2009
Sabendo tudo isso, como é possivel insistir em projectos não reprodutivos , como o TGV e mais 1/2 duzia de autoestradas ? Esta geração de politicos vai ficar na história por entregar um país falido à geração do sec.21.
 
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