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O Som e a Fúria

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Seja ela religiosa, ou seja profana, não há festa à portuguesa, e sobretudo nos meses de Verão, que não se manifeste pela desenfreada barulheira. Debruçados sobre o fenómeno uns quantos etnólogos, antropólogos e viajantes, entre os quais o britânico Rodney Gallop, hoje em dia mais ou menos esquecido, atribuem-no a uma atávica intenção de afugentar os espíritos maus. Foguetes e petardos, ribombos de zés-pereiras, gritaria de comadres excitadas, contando por pano de fundo com a estentória performance de várias bandas, destinar-se-iam a desinfestar os ares de entidades deletérias, susceptíveis de trazer maleitas aos humanos, e aos bichos domésticos, e de desencadear a fome e a guerra.

A chinfrineira que vai de par com a alegria colectiva, e que se exprime pelo excesso de decibéis, constitui aliás uma constante dos países mediterrânicos, aqueles que, carentes de muita coisa, menos de gáudio desnorteado, procuram iludir a sua triste sorte com quanto baste de estonteamento sonoro. Enlouquece o terreiro da vila, e o areal da praia, com altifalantes que vomitam três musicatas sobrepostas, e com transístores que misturam o relato de futebol à berrata da criançada, e a gente sente-se em casa. Roncam os tubos de escape livre, e os engenhos dos velocípedes, arenga a plenos pulmões o vendedor de cobertores, e o vocalista de serviço expectora a sua desafinação, adornado por quatro beldades rechonchudas, e de barriga ao léu, que guincham nas pausas do meneio das suculentas ancas.

O ruído arbitrário afirma-se como um atestado de presença, quer se trate da telefonia do automóvel, distribuindo a playlist do jovem condutor por quem se lhe depare no percurso, quer do magote de adolescentes que no autocarro proclama aos brados a fecundidade vocabular que armazena no tocante às partes pudendas. E em fase tão soturna como esta que atravessamos, órfã de horizontes de límpida quietude, e poluída pela enxovalhada oratória dos ministros, se não recorrermos ao charivari, a fim de não ouvirmos o que não nos interessa, ou de colhermos algo que nos divirta, enfrentamos o risco de engrossar a legião dos inúmeros deprimidos nacionais. Venha portanto o estrondo salvar-nos do tédio, e do silêncio que entre os pobres atrasados convida ainda a reflectir!

Perguntar-se-á no entanto, não é afinal de som e fúria que se faz este nosso mundo, criado em papel e tinta à imagem e semelhança do gigante Shakespeare? De um tal binómio se compõe na verdade a história que contamos, maluquinhos que de quando em quando supomos articular uma frase com juízo.


Opinião


Multimédia

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Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

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Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

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Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


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Será possível?
Eis quando, entediado e meio estonteado pelas férias mais impostas que queridas, abro uma crónica ao calhas no Expresso e a dita cuja é legível. Mais: é inteligente!
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Edição Diária 17.Abr.2014

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