18 de maio de 2013 às 17:29
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O rigor, o privilégio e a impunidade

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Rigor pode querer dizer "exatidão, correção, precisão" ou pode querer dizer "dureza, força, severidade". Infelizmente, há uma certa tendência para usar a palavra com o segundo sentido fingindo que é o primeiro que está em causa.

Do ponto de vista ético, escolheria uma definição livre que me agradaria mais: rigor é nunca exigir aos que dependem de nós mais do que exigimos a nós próprios. Infelizmente, em culturas onde a autoridade resulta de um estatuto formal e não de uma liderança reconhecida pela comunidade, esta ideia não medra. Isso nota-se nas empresas, nas salas de aula, nas forças de segurança, nas organizações políticas e no Estado. É rigoroso aquele que exige muito dos outros, independentemente da justiça dessa exigência. É rigoroso o autoritário, não aquele a quem é reconhecida autoridade.

Ouçam como falam a maioria dos patrões. Vejam o que se espera da polícia. Leiam o que se vai escrevendo sobre o que deve ser a nossa escola. Tomem atenção ao que muitos pais dizem sobre o que deve ser a educação dos seus filhos. Notem como falam os governantes. Reparem no gozo narcísico pelo poder discricionário, da mão firme, da punição e do castigo. Aquilo que muitos associam ao rigor parte, na realidade, de uma desconfiança em relação aos outros. E essa desconfiança nasce de uma sociedade sem sentido de comunidade. E essa falta de sentido de comunidade tem como origem a desigualdade social.

Não confiamos uns nos outros porque nos habituámos a viver numa sociedade onde cada um trata de si. Esta é a regra das sociedades desiguais. E é de uma suposta naturalidade desta regra que se alimenta, mesmo que não tenha consciência disso (não sou dos que acham que as convicções de cada um cheguem para definir o seu carácter), a ideologia a que comummente chamamos de neoliberal: a ganância e o egoísmo são inatas ao homem e só elas podem fazer o homem progredir. A associação do mérito à capacidade de passar por cima dos outros é o inevitável resultado da amoralidade do liberalismo simplificado - não o confundo com o original. Mas como até o poder mais arbitrário precisa que os outros lhe reconheçam autoridade, essa amoralidade apenas se aplica a quem detém o poder. É aos que devem obedecer que se aplica o implacável "rigor".

Nada, no comportamento ético da nossa elite política e económica, durante esta crise, é uma mera excrescência do sistema. Faz parte da lógica do "austeritarismo", a verdadeira ideologia dos liberais-conservadores - defensores da liberdade sem limites do poder económico e de um severo autoritarismo do Estado face aos cidadãos. A desigualdade que defendem como inevitável não se aplica apenas ao poder económico de cada um. Ele determina a desigualdade no cumprimento de determinadas regras sociais. É extensível a todos os domínios da vida. Incluindo na distribuição desigual do rigor.

O problema de Miguel Relvas não é ter menor exigência ética do que terão tantos outros. É não ter seguido o caminho que lhe permitiria conseguir tudo o que tem, cumprindo as regras que a desigualdade instituída lhe garante. Talvez o problema de Relvas seja o mesmo de outros arrivistas. Quem não nasceu em berço de ouro tem de seguir alguns atalhos para conquistar a impunidade como privilégio social. E ao fazê-lo, corre um risco de não medir o seu verdadeiro poder, julgando que está acima da sanção social. Isso é luxo para poucos.

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Miguel Relvas outra vez hoje?
Já não há paciência para as crónicas de Daniel Oliveira. É Relvas dia após dia, como se problema do país fosse esse. É curioso verificar que Daniel Oliveira não ataca a maçonaria, entidade oculta que estando infiltrada nos mais diversos sítios onde há poder usa-o em benefício dos seus membros. Relva é apenas um entre muitos que beneficiou desta organização. Não sei se é por cobardia ou por interesse pessoal que o ataque é concentrado numa personagem e não na organização, mas o certo é que DO prefere derrubar um ministro a derrubar uma organização que promove a desigualdade de oportunidades entre os cidadãos.
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Mariano Gago do PS criou a lei das equivalências!
onde Relvas navegou.Seria interessante perguntar ao ex ministro do ensino superior de Sócrates que razões o levaram a tal legislação e se terá sido uma encomenda do ex lider do PS, a tombos na altura com as vigarices da sua "licenciatura"!
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Provérbios
Caro DO, não conhece o provérbio "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo, ou não tem arte"?
Pois é! Quem tem o poder, serve-se e deixa as migalhas para os outros. Isso existe em qualquer parte do mundo. Claro que deveremos sempre lutar contra isso. Mas admirar-se que exista demonstra umaa ingenuidade confrangedora. Ou acha que se o Louçã estivesse na posição de governo seria muito diferente? A questão é que o Relvas é um "pé-de-gesso" e deixou sujar o seu nome com uma ridicularia como um título académico. Isso é que é grave para alguém que nos governa e só demonstra a competência que podemos esperar dele nessa função.
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Crónicas
Texto bem trabalhado, análise ideológica dentro do esperado, contenção e equilíbrio inesperados.

A organização das sociedades não pode dispensar a hierarquização de poderes, imposta à dentada ou com a conta bancária.
Subir os degraus dessa hierarquia é ambição natural e indispensável ao desenvolvimento .É essa ambição que aguça o engenho dos mais capazes, descobrindo novos métodos e produtos, fazendo a vida mais fácil a todos e promovendo os autores ao escalão superior.
Sem esse incentivo de acrescentar poder, o dinamismo das sociedades desaparece, veja-se a experiência comunista.

O que há a defender é que a subida de uns não se faça pelo esmagamento de outros. Aí entram as liberdades individuais, trave-mestra de todo o sistema.
Podem e devem criar-se movimentos de opinião , que desembocam em partidos, que propõem soluções para conciliar a liberdade e ambição criativa, com a contenção necessária a que se respeite o próximo.

Essa conciliação não é fácil, o equilíbrio é instável, por isso as sociedades democráticas têm dinâmica própria.

No caso em apreço, existe a falta e o oportunismo, mas também existe a censura pública, livremente manifestada, sem receio de Pides,Kgbs,Stasi,etc.
Apreciemos o que temos........
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DO
Se isto for aprovado já vai ser um grande passo
para o futuro deste país. MANIFESTO - EMENDA CONSTITUCIONAL 2012
Repassem Obrigado.

Ac. ELÍ JOSÉ CESCONETTO cadeira 3 da ACO
MANIFESTO - EMENDA CONSTITUCIONAL 2012
Manifesto

Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas de sua lista de endereços e, por sua vez, pedir que cada um deles faça o mesmo.

Em três dias a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma idéia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.

Lei de Reforma do Congresso de 2012 (emenda da Constituição do Brasil):

1. O congressista receberá salário somente durante o mandato. E não terá direito à aposentadoria diferenciada em decorrência do mandato.

2. O Congresso contribui para o INSS. Todo o fundo (passado, presente e futuro) atual no fundo de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. O Congressista participa dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos os outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

3. O congressista deve pagar para seu plano de aposentadoria, assim como todos os brasileiros.

4. O Congresso deixa de votar seu próprio aumento de salário, que será objeto de plebiscito.

5. O congressista perde seu seguro atual de saúde e participa do mesmo sistema de saúde como o povo brasileiro.
...
PORTUGAL É O PAÍS DOS "RELVAS"
Miguel Relvas é um has been. O prazo d validade deste governante está no fim. Mantem-se no círculo governativo até o dossier RTP ficar resolvido. Já falta pouco! Desonerado o erário publico deste elefante branco em q se transformou a RTP fica Relvas libertado da pressão mediática, é substituído e regressará a sua existência feita, desde sempre, na base da intriga, bajulação, oportunismo e traição. Relvas mais não é do q uma personificação do melhor q Abril deu a Portugal. Pobre Portugal! Trata-se d um excelente exemplo do efémero, do vazio e do falso q as juventudes promovidas por este sistema politica têm conseguido gerar. Portugal é um país d Relvas. Veja-se o panorama politico e é fácil constatar q os partidos são dominados por este tipo d carreiristas. Fora da política morreriam com toda a certeza. Só na política é q conseguem prosperar e, infelizmente p os contribuintes foi e é esta a canalha d incompetentes q tomou conta dos corredores do poder directo e indirecto do Estado. Sócrates pôs a nu a falta de princípios e valores desta estirpe d gente e, Relvas veio confirmar q não só era assim como ainda pode ser pior. Hoje o cronista brinda-nos com um texto moralista e d teor acusatório. Só pode ser p brincar. Se d um lado da moeda temos os “relvas”, do outros estão os acrobatas da política. Aqueles q já foram tudo e q estão numa evolução permanente. Saltam d partido em partido, d movimento em movimento e, por vezes, d cripto comunistas passaram, num ápice, a ser os ...
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Re:já agora...quais são os numeros do EUROMILHOES? Ver comentário
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DO
Ou seja a democracia à Portuguesa!
'O rigor, o privilégio e a impunidade
Parabéns, Daniel, por mais um texto bem conseguido que convida à reflexão de nós próprios. É o segundo de forte calibre que lhe vejo em muito pouco tempo. Mas perguntar-me-ão, os outros comentadores não fazem análises sociológicas?

Questão de estilo, talvez. Prefiro alguém que me convide a interrogar se sofro de determinado mal a um que sem nada saber, me atribui de chapa o mesmo.

Chegado aqui, importa realçar o que me parece que está a expor. A questão da liberdade é uma coisa complexa: usamos palavras como aquela para defender as virtudes da nossa civilização e depois somos tudo menos absolutamente livres (já para não falar dos jovens que mandamos para a guerra com a defesa da liberdade no ouvido e que "fuzilamos" se desertam). Se os cidadão são livres, podem fazer o que querem? Podem matar? Podem roubar? podem escravizar?

A resposta comum a isto costumava ser, "a liberdade pessoal de cada um acaba onde a de outro começa". A liberdade só existe se auto-regulada pelo respeito à liberdade de outros. Estou convencido que esse é o espírito do verdadeiro liberal. Mas não usou o termo liberal, mas liberal-conservador. Autoritarismo, castigos, são traços de quem acredita que deve constranger a liberdade dos outros, à força se necessário. Onde o conceito anterior se baseia na auto-contenção justa que evita o conflito, este aposta no confronto de forças e no teste das mesmas que pode ir até à revolta. Não vejo estabilidade nisto se não houver... medo (da mudança).
Gostei
Bom artigo caro DO.

Mas existem outros "liberalismos" para além do que descreve. O que se baseia verdadeiramente na palavra: livre. Peso baixo do estado. Liberdade religiosa. Liberdade de imprensa. Liberdade de investimento. Mobilidade laboral.

Nem todo o "liberalismo" é conservador, oligopolista e pendurado no estado. Pelo menos, não em conceito.

Cmps,

António

oreivaivestido.blogspot.pt
O rigor-o-privilegio-e-a-impunidade
Há quem afirme que intelectualmente a Humanidade se já saiu da copa das árvores ainda mal se põe de pé. Karl Markes procurou um homem que não existe e ainda está longe de existir. O individualismo ainda é mais forte que o colectivo e assim será por muito tempo. Há até quem diga que isso nunca será superado pois pertence é génese da maioria dos seres vivos, mas também não deixa de ser verdade que o homem apesar de tudo tem avançado, embora com muito recuos. Regra geral os mais incompetentes e inseguros são aqueles que mais exigem. Relvas é tudo aquilo que uma sociedade precisa, pois além de mentiroso, não olha a meios para alcançar o fim a que se propõe. Alguns já começam a gritar que o Rei vai nu, mas a vergonha é tal que nem se preocupam com a nudez e tudo é feito às claras.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/miguel-relvas-um-verdadeiro-artista.html

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viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/helena-roseta-denuncia-miguel-relvas.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/relvas-politica-maconaria-e-ensino.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/bpn-fraude-sem-castigo.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/relvas-agradece-socrates-novas.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/donos-de-portugal-rtp-2.html

excelente
Texto a reter para memória futura. A vulgar confusão entre mérito e falta de escrúpulos explica por que razão se verifica o voto recorrente em políticos corruptos e a contas com a justiça.
A montanha pariu um rato
Analisando a vida política de muitos jovens que começam bem cedo nas lides das Jotas dos partidos(à exceção do BE-que não tem!),não me admira que a máquina politico-partidária consuma grande parte do tempo desses jovens. Como esses jovens têm uma vida, como todos nós, além do nosso "trabalho", o tempo que sobre será sempre para dedicar a quem nos seja próximo... atendendo a que o dia só tem 24h, naturalmente que será sempre muito dificil arranjar uma nesga de tempo para estudar, por exemplo...
Faço uma ousada comparação com 1atleta de alta competição(a sua dedicação à causa é de tal forma que nunca há muito+tempo de sobra para 1a outra coisa qqr).
Tudo isto para dizer q,pese embora seja apologista do "sofrimento" em detrimento do "facilitismo",chego a perceber as opções dos outros- o descurar do estudo em muitos casos destes jovens muito ligados a partidos. A máquina partidária nem sempre os consegue depois proteger...há um ou outro caso em q os próprios J's desenvolvem mecanismos de transmissão de conhecimentos(há pelo menos 1a J de 1partido q desenvolve universidades de verão,sp c muita afluência,mas NAO CHEGA!)pq fora isso,fica sp muito por fazer...Sei q,p ex.,na UniLusofona há 1 curso vocacionado essencialmente para estes jovens,nestas condições;porém,pelo que sei,acho que até agora ainda n houve 1 inscrito...o q é pena...
Relativamente ao Ministro adjunto,o seu único erro,sobre esta matéria,foi ter aceite a convalidação curricular nos termos em que lhe foi proposto...
Bravo
Bravo Daniel Oliveira. Bravo.
Gozo narcísico !
"Reparem no gozo narcísico pelo poder discricionário, da mão firme, da punição e do castigo." Tão crua descrição da sua própria pessoa nos programas políticos de tv!!
DO retrata uma realidade que ainda subsiste, mas que está em vias de extinção, na medida em que foi essa cultura que nos trouxe a este declíneo, e que agora dá os últimos sinais de vida. As melhores empresas portuguesas desconhecem essa realidade. DO não tem conhecimento de causa, conhece uma certa virtualidade dogmática que o afasta exponencialmente da nossa própria realidade.

Re: Gozo narcísico ! Ver comentário
Re: Gozo narcísico ! Ver comentário
O que querem ainda mais de nós?


Falta-lhes apenas que nos peçam um pedaço de nádega e depois estamos arranjados!

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