Basta irmos a Nova Iorque, à famosa Canal Street - ali mesmo em Chinatown - onde, sem sequer precisarmos de perguntar a alguém, somos abordadas em qualquer esquina ou passeio por chineses. Discretamente e bem baixinho perguntam: "Do you looking for bags?" Um simples "yes" como resposta torna tudo claro: "Then follow me". Mais parece que estamos a negociar droga, Deus me livre!
Que vergonha e que situação embaraçosa!
No submundo das marcas de luxo, literalmente
De repente, quase sem darmos por nada, já estamos a entrar numa autêntica catacumba.
Com algum entusiasmo, lá seguimos "a" chinesa. Normalmente é uma mulher (deve ser para as clientes não terem receio de algo mau), ela guia-nos até uma escadinhas - daquelas mesmo à face do passeio da avenida -, que descemos para chegar a uma cave. No trajecto, não é raro passar-se por lixo, teias de aranha e ratos mortos atrás dos caixotes... E lá vamos nós, a tremer de medo por uma Louis Vuitton.
Naquele cenário, ocorre-nos que se nos quisessem matar ali mesmo e cortar-nos aos pedaços ninguém daria por nada. Mas arriscamos. Depois deste caminho aparentemente assustador, entramos então numa sala. Lá dentro, não há ratos, não há lixo, não há teias de aranha. Há sim, uma loja "normal", com a particularidade de estar pejada de mulheres de todos os cantos do mundo.
Há de tudo, para todos os gostos
Malas Gucci, Prada, Coach, Chanel, Louis Vuitton e tantas outras. Vendem-se carteiras, cintos, lenços, há de tudo à escolha e para todos os gostos.
Vêem-se paredes de alto a baixo repletas de malas. Todas ordenadas por marcas.
Por vezes, as Louis Vuitton não estão misturadas com as outras. Encontram-se num esconderijo dentro do esconderijo. É impressionante ao que chega o mercado negro.
Lá estamos nós e todas as outras a escolher e a negociar preços com as vendedoras. É tudo pago em dinheiro vivo (dólares). A opção de pagamento com cartão de crédito é possível, mas só se se seguirmos a vendedora até uma loja oficial na avenida, que serve de fachada ao negócio clandestino.
Ao preço da chuva
Todos sabemos ou imaginamos que uma mala de luxo pode custar entre mil e cinco mil dólares. Em Chinatown, uma réplica perfeita custa entre 100 e 200 dólares. Ou menos. Basta que se trate de uma imitação razoável, onde os preços são inferiores a 40 dólares.
Muitas destas malas até trazem certificado de garantia e/ou número de série. Falsas ou não, ninguém quer saber. Queremos é as malas!
Filmar as lojas clandestinas nas caves é impossível. Mas há outras menos assustadoras, nos fundos de cabeleireiros, por exemplo. Como esta. (vídeo em inglês)
O dia em que as lojas de superfície com imitações fecharam em Chinatown (vídeo em inglês)
Em Xangai é igualzinho (vídeo em inglês)