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O professor português admirador de Kadhafi

Francisco Rocha ensinava na Universidade de Sirte mas a guerra civil na Líbia obrigou-o a regressar a Viana do Castelo. Para os líbios, diz, "Kadhafi não é um opressor e é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima".
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Francisco (Paco) Rocha, à direita, no deserto líbio, com o filho Max Love
Francisco (Paco) Rocha, à direita, no deserto líbio, com o filho Max Love

Francisco Rocha, era professor da Universidade de Sirte até há um mês. Um dos 138 portugueses registados na embaixada em Tripoli, ele e a mulher Elisabet, sueca, tiveram que deixar a Líbia a 22 de fevereiro. Em Lanheses (Viana do Castelo), acompanha, preocupado, o ataque das forças rebeldes a Sirte, a cidade-berço de Muammar Kadhafi, onde deixou numerosos amigos. "Acredito que vão lutar até à última pessoa. Mas se não houvesse intervenção internacional, Kadhafi venceria."

Natural do Porto, com 62 anos, Paco Rocha - como é conhecido - tem uma licenciatura em Línguas Ibéricas em Inglaterra e mestrado em Cooperação e Desenvolvimento na Suécia, área em que trabalha há 40 anos. Já esteve em 92 países - entre os quais Angola e Moçambique - e é um militante furioso do Facebook. Com dupla nacionalidade, prefere usar o passaporte sueco.

"Isto não tem nada a ver com a Tunísia e o Egito"


Contra toda a corrente, não esconde a sua simpatia por Muammar Kadhafi e em especial pelo filho Saif, de quem se confessa "admirador". Ateu, na opinião de Francisco Rocha "os dois opressores do povo líbio são a religião e as tradições". Muammar Kadhafi também não é? "Kadhafi não é um opressor. Nunca encontrei ninguém que não o adorasse. Para eles, é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima. É indiscutivelmente o pai da nação, o símbolo da revolução."

A autenticidade da rebelião merece-lhe as maiores dúvidas. "Foi uma montagem!" Pelo menos de início. "Enquanto lá estive, não ouvi um único tiro e só vi manifestações a favor de Kadhafi" - que aliás filmou e inseriu no Facebook. A situação atual é diferente. "Certamente que não é uma encenação, porque agora há uma guerra civil. Mas não foi uma coisa espontânea, como se diz no Ocidente. Não havia nenhum diplomata que previsse isto: há um mês estavam todos a fazer negócios com ele. Então o que é que mudou? Não sei o que se passou nos bastidores."

De uma coisa Paco Rocha diz-se convicto: "Isto não tem nada a ver nem com a Tunísia nem com o Egito. É algo que se passou de fora para dentro. Foi a euforia dos egípcios que transportou a revolução para lá e a televisão Al Jazeera foi das principais instigadoras, levando atrás a BBC, a CNN, a RTP e todas as outras."

A Líbia pode tornar-se "num novo Afeganistão"


A cobertura pelos media provoca-lhe uma enorme desconfiança, reforçada pelo facto de manter contactos diários com os amigos líbios, por email, Skype e telemóvel.

"Os jornalistas não sabem do que estão a falar. Numa guerra, a primeira vítima é a verdade. Todos mentem!", garante Francisco Rocha.

Quem são os rebeldes? "É uma boa pergunta. Não sei." Chama a atenção para o facto de haver "quem chame ao coronel 'kafir', o que significa infiel". Esta acusação é dirigida frequentemente "aos que estão a abrir muito ao Ocidente. É um sinal de que há ali uma componente fundamentalista, que pode fazer da Líbia um novo Afeganistão, guiada por um conceito do mundo condicionado pelo monóculo do Alcorão. Nesses termos, não há possibilidade de haver uma democracia".

Leia mais na edição impressa do Expresso de sábado, 2 de abril, ou clicando aqui, onde a edição da banca está disponível para assinantes a partir das 00h01 de sábado.


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Dão-me arrepios
Eu aceito a comparação de Kadhafi com a Nossa Senhora de Fátima mas dão-me arrepios só de pensar do que seria capaz a Nossa Senhora de Fátima se dispusesse de aviões de caça, tanques e mercenários armados.
Uma voz lúcida que deve ser escutada
Só quem conhece muito bem a Líbia fala com esta profundidade.

Quem são os rebeldes? "É uma boa pergunta. Não sei." Chama a atenção para o facto de haver "quem chame ao coronel 'kafir', o que significa infiel". Esta acusação é dirigida frequentemente "aos que estão a abrir muito ao Ocidente. É um sinal de que há ali uma componente fundamentalista, que pode fazer da Líbia um novo Afeganistão, guiada por um conceito do mundo condicionado pelo monóculo do Alcorão. Nesses termos, não há possibilidade de haver uma democracia".

Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: “La historia de Machu Picchu”
Re: “La historia de Machu Picchu”
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Re: Uma voz lúcida que deve ser escutada
Declarações imprudentes
É do conhecimento geral que os europeus que trabalham em países árabes, não vão para lá esfregar escadas ou servir à mesa. Um professor universitário será um pequeno barão, residindo em condomínios fechados e só será contactos com a elites dessas ditaduras. Toda a pobreza, miséria, brutalidade policial, etc lhe passarão ao lado. Um ditador que contrata mercenários para bombardear o seu povo, acho que está mais próximo de Belzebu do que da santa de Leiria.
São indesculpáveis as palavras desse senhor e não abonam nada nada sobre a sua capacidade de análise.
Re: Declarações imprudentes
Re: Declarações imprudentes
PROFESSOR DE HOSPÍCIO
«« Kadhafi não é um opressor. Nunca encontrei ninguém que não o adorasse. Para eles, é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima. É indiscutivelmente o pai da nação, o símbolo da revolução »»»

Francisco Rocha, professor da Universidade de Sirte, reforçando a suspeita que a maluquice de Kadafi se estendeu ao ensino superior.
Há uns anos, Kadhafi levou uns profs. da Classica
Houve reportagens escritas pelos senhores professores universitários, publicadas pelo Expresso, a descrever paisagens feéricas e estadias dignas das mil e uma noites.

Destacavam a subserviente hospitalidade e educação com que foram recebidos e até, a ausência de pobreza visível aos seus delicados olhinhos.

Não poderia ser de outra maneira.
Para convidado ver.

E colou.
Da visita (paga por Kadhafi, claro), saíram as opiniões mais elogiosas ao regime, publicadas pelos "isentos" catedráticos que tão facilmente se deixaram subornar.

Bem se diz que "todo o homem tem um preço".
É pena.
Re: Há uns anos, Kadhafi levou uns profs. da Class
S. KADAFI
««« Para eles, é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima »»»

Francisco Rocha, afirmando que a canonização de Kadafi já está assegurada, reconhecendo q para isso contribuíram muito 42 anos de terror e o bombardeamento de civis.
Está tudo doido...
AJDABIYA, Líbia — Nove rebeldes e quatro civis morreram em um ataque aéreo da NATO perto do centro petroleiro de Brega, região leste da Líbia, informou neste sábado Isa Jamis, um político da cidade de Ajdabiya que tem a missão de manter contatos com os insurgentes.

Aviões da coalizão abriram fogo 15 km ao leste de Brega contra um comboio de cinco ou seis veículos, entre eles uma ambulância, depois que um rebelde atirou para o alto, em sinal de alegria, segundo Jamis.

"Foi um erro (do rebelde), os aviões pensaram que ele atirava na direção deles e abriram fogo contra o comboio", declarou Jamis à AFP.

Nove rebeldes morreram no incidente, assim como os quatro ocupantes de uma ambulância, o motorista e três estudantes de Medicina de Benghazi.

Nossa Senhora de Fátima
É obvio porque essa é LEI dos ditadores.
Eles pretendem que o povo os veja como um Deus ( não Nossa Senhora de Fátima ) e quem não os venerar já sabe qual será o destino.
Eles dizem que lutam pelo povo, que morre à fome no deserto, enquanto eles e familares, graças aos dinheiros que ganham com o trabalho dos escravos e enviado para bancos fora da Libia, passeiam pelos melhores hoteis, casinos, discotecas ( e não só ) do mundo.
Pelo muitos que já andou pelo mundo ( NOVENTA E DOIS PAÍSES ) fica-me a dúvida se é professor ou TURISTA.
Re: Nossa Senhora de Fátima
a admiração do Paco.
Para o Povo Português, na era do Paco, também Salazar era mais que uma " Nossa Senhora de Fátima " !
Não o são todos os " pais da pátria " ?
Aliás, o Saif deve ter aprendido do pai, aquilo " do pau e da cenoura" a que o " nosso " Paco da Suécia, via Castelo Branco também se submeteu.
Coisas do deserto " mental " .
Bem,
o que posso dizer em contrário? Rio Grande
Parece que é parvo !
Apesar do Kadafi andar de vestes compridas... este Senhor da Líbia não passa de um Ditador e não de uma "Nossa Senhora de Fátima" ! Ó Senhor Professor Paco, Vocemecê parece que é um anti Democracia ! Aquele pobre pôvo do Deserto, bem merece que o Kadafi vá para a reforma ...
Viva a Informação LIVRE!
Deixem-se destes apóstolos, Ouçam e vejam a nossa querida comunicação Social, sobretudo a Televisão, O Dentinho a Márcia e os outros. Como todos dizem a mesmíssima coisa (já sabem o que vão ver antes de sair de Lisboa!), esta unanimidade incluindo os nossos analistas, politicólogos e restante tralha que enxameia a televisão e os jornais, com certeza que este professor está completamente comprado pelo nefando Coronel!
Re: Viva a Informação LIVRE!
Não aceito muito bem a posição deste Paco...
... por uma razão básica: se ele tem interesses em Sirte quererá provavelmente defender o que possui.

Nestas ocasiões sempre me lembro do bêbedo que seguia na rua com um pé na valeta:

Deus é bom, mas o Diabo também não é mau!
!!!!
Não sei pq mas , respeitosamente, me deu vontade de ver a cara da gaja e o cenário talvez arábico envolvidos na concepção do filho do professor, o Max Love, suspeito q algo místico ou fora do comum ocorreu... LOL
???
A Líbia tem por volta de 140 tribos. Elas não respeitam a divisão de países, desenhada na época da colonização. Ou seja, só alguém muito especial ou como um Tito na antiga Iugoslávia para tocar uma caca dessas sem rachar durante o percurso
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Edição Diária 17.Abr.2014

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