Os milhões de euros que se vão gastar em campanha eleitoral elucidam alguém ou devem-se apenas ao mais estúpido dos princípios: o de que sempre foi assim?
Há perguntas simples que quando feitas não têm uma resposta clara. Eis uma delas: por que razão o mesmo Estado que recomenda à comunicação social que dê destaque igual a todas as forças políticas, permite que algumas delas gastem em propaganda eleitoral quase sete vezes mais do que outras (diferença do PS para o CDS) ou mesmo 17 vezes mais (diferença do PS para o MEP). Claro que, se contarmos com o POUS, podemos mesmo chegar ao valor astronómico de 55 vezes mais.
Ou seja, o Estado quer o cidadão protegido da comunicação social, mas nada obsta a que a quantidade de papel distribuído e colado, o número de comícios, o preço dos cantores e o tamanho das caravanas automóveis possa ser totalmente desigual.
É caso para dizer que bem prega frei Tomás!
Naturalmente, entendemos que cada partido deve fazer campanha de acordo com as posses e os apoios que tem - desde que devidamente controlados e auditados. Como cada órgão de comunicação social deve cobrir a campanha de acordo com o interesse e a relevância de cada candidatura.
Aliás, os próprios candidatos - a começar pelo primeiro-ministro - violam essa ideia de igualdade quando se trata de combinar os debates televisivos. Ninguém quer fazer debates com o MRPP ou o FEH. Porque, apesar do que diz a lei, a realidade impõe-se.
Como é natural.