25 de maio de 2013 às 0:21
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O preço elevado do imobilismo

A proposta de revisão constitucional do PSD, sendo má, tem um mérito: permitiria a discussão sobre os efeitos da Lei Fundamental no país que somos. Porém, a maioria dos políticos optou pela demagogia.
Henrique Monteiro (www.expresso.pt)

Sejamos claros: nada de realmente tenebroso está em causa com a revisão constitucional. Ainda que a proposta do PSD fosse aprovada - e não vai ser -, o país viveria como até agora. A ideia de que há uma ofensiva neoliberal é apenas o mais recente espantalho da esquerda para afugentar qualquer mudança. Se querem um exemplo, vejam: na Saúde

(art.º 64.º), onde diz "o direito à proteção da saúde é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito" fica tudo igual, salvo o "tendencialmente gratuito", que é substituído pela expressão "não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos". É isto o neoliberalismo? Se sim, é tão-somente mais do mesmo...

Infelizmente, o debate desceu ao nível da 'peixeirada'. De um lado dizem que é um ataque neoliberal, do outro que este Governo deu cabo de escolas e hospitais. Ninguém discute, portanto, a substância. E a substância é simples: para além da canhestra reorganização de poderes do Presidente e do Parlamento que a revisão do PSD propõe, para lá das considerações sobre a gratuitidade ou não de certos atos, temos um texto constitucional que não é cumprido em diversos artigos. Isto leva a que as leis do Estado não sejam vistas (nem tidas) como aquilo que tem efetivamente de se cumprir, mas como meramente indicativas. Adriano Moreira chamou a esse tipo de postulados da Constituição motivos de esperança. Pois eu acho que quem quer ter esperança deve aderir a uma igreja, ao PCP ou a qualquer associação. A Lei Fundamental é para cumprir, não deve ser um conjunto de desideratos; as leis serão para aplicar a todos, sem exceção, de forma igual e de forma implacável. Este conceito implica uma Constituição operacional e prática. Nunca ideológica ou programática.

Acresce que o atual Estado social, que tanta gente se apressa a defender acriticamente, em toda a sua extensão, contém em si um problema: não é sustentável a prazo. Ouçam os economistas, todos eles, de Silva Lopes a Ernâni Lopes: sem cortes nas prestações sociais o país não aguenta. Querem, ainda assim, continuar com uma ficção constitucional? Muito bem, mas saibam que estão a enganar os cidadãos e a brincar com coisas sérias. Que, por muito que prometam saúde gratuita, nós sabemos que os atos médicos se tornam mais e mais caros. A vida não é simples, o país não cresce continuamente, como podia parecer nos idos de 70. Se têm vergonha, discutam a sério. Continuar assim é lamentável!

Texto publicado na edição do Expresso de 24 de julho de 2010

Comentários 18 Comentar
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Muito "confusento"
"A proposta do PSD é má, mas tem mérito !!

"Se a proposta do PSD fosse aprovada, o país viveria como até agora !!"

Se é má, não deve sequer ser levada à discussão quanto mais vir a ser aprovada.

Se é para que tudo continue como dantes, porquê então a proposta e a possível aprovação ?!

Será com esta ligeireza que se deve alterar a Constituição, só porque esta permite fazê-lo a cada 5 anos e, nada havendo de "bom", sempre é melhor meter qualquer coisa que seja mau e não sirva para nada. ?!?

Eu pasmo é que o partido que pretende ser alternância no Governo, recheado que deve estar de assessores, oráculos, gurus e adivinhos, entenda que mérito, seja a mera participação, mesmo que má.

Costuma ser mais no desporto do que na política !!

Contradições insanáveis! Ver comentário
Nem uma palavrinha sobre o Freeport?
Para quem tanto dramatizou a questão do Freeport, chegando ao ponto de afirmar que seria uma tragédia chegar-se às legislativas de 2009 sem saber se o PM estava implicado no caso, o seu silêncio é incompreensível. Mas ainda mais escandaloso é o silêncio de Mário Crespo, que escreveu no JN, em 30 de Março de 2009:

``Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport?''

http://jn.sapo.pt/Opiniao...
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A imprestável proposta
Sendo leitor assíduo do Expresso, em formato de papel e "em linha", sou por vezes tentado a deixar de ler certos autores devido à evidente falta de isenção naquilo que escrevem. No caso, diz-se, em resumo, que a proposta do PSD é uma coisa que não presta, inútil, nada muda, fica tudo na mesma, então é algo com o qual não devemos perder tempo, não devemos dar importância a um acto que no final é coisa nenhuma. Por vezes, surpreendem-me os apoios que expressa ou, assim como quem não quer a coisa, alguns políticos tem em certos agentes da comunicação social, a forma como lhe promovem os seus produtos, influenciando os consumidores/eleitores quando sabendo, perfeitamente, que os estão a enganar. A proposta do PSD de revisão constitucional apenas teve um mérito, que foi distrair as pessoas dos reais problemas do país e nisso prestou um serviço ao Governo. Os problemas do país não tem a ver com o texto constitucional, devem-se tão só à corja de dirigentes que colocou os seus interesses pessoais à frente do interesse público e aos restantes membros da classe política que por omissão lhe permtintiram tudo o tipo de abusos, porque deles também se aproveitaram. A CRP não precisa de ser revista, os políticos, a grande maioria, é que precisa de ser reciclada e reutilizada fora da àrea do poder, para protecção dos portugueses de boa fé. O PSD terá de procurar outras bandeiras, se é que as tem, esta esfarrapou-se com uma leve aragem.
A Constituição!
Caro HM não fugindo ao tema permita-me um retrato com um pequeno exemplo.
O António era vendedor numa pequena empresa e ganhava pouco mais que o SMN, entretanto apareceu-lhe uma nova proposta com carro, cartão de crédito, bom vencimento e outras regalias e ele nem exitou, mudou-se!
Nos primeiros anos as coisas foram de vento em popa, ele vendia bem e ganhava bem, era uma vida bastante desafogada, e sem se aperceber o seu patrão embevecido pelas faustosas vendas e lucros começou a jogar roleta no Casino e como nem o bem, nem o mal sempre dura, um dia teve azar e perdeu tudo.
Como consequência o António ficou sem o bom emprego e sem hipóteses de voltar ao anterior pois essa empresa já tinha fechado.
O que aconteceu ao António, foi o que aconteceu aos Portugueses com a entrada na Europa e principalmente com a adesão ao Euro, fomos iludidos por melhores condições de vida sem percebermos se o patrão era gente séria e ponderada.
Em conclusão, isto não vai com alterações da Constituição, isto só tomará um caminho, com uma nova Restauração da Indepêndência e espero que antes de 2040, ou seja 400 anos depois da Restauração no tempo dos Filipinos, hoje será da Merkel & Cª.

PS: - Não foi esta Europa que nos prometeram, ser europeísta não significa ser burro e submisso ao baronato europeu.

Henrique Monteiro: o senhor que se segue
Perante a reacção de alguns comentadores, li atentamente o seu artigo, e... revela aquilo que todos sabemos, mas ninguém quer saber. Uma incongruência coerente.

De facto, todos assistimos ao desmantelamento de meios e equipamentos, essenciais para a população beneficiar – de facto – dos apoios do Estado Social; ao mesmo tempo que se clama, a continuidade do Estado Social. Um sofisma, em que este Governo (e não só) é useiro e vezeiro.

Sobre alterações da Constituição, também penso não serem necessárias: ninguém dá importância.

Em Portugal, qual a primeira análise sobre uma Lei? Como lhe “dar a volta”.

Orientados pelas práticas do Estado; todos agimos de igual maneira.

Nós (os portugueses de Portugal), não estamos no fim da “fila”, de tudo: por acaso.

Sobre o título: tenho verificado que lhe movem um ataque discreto, mas persistente: é o homem a abater… que se segue.

Alguém chama a atenção, que deve desculpas de algumas “apreciações” sobre o caso Freeport; eu (não você) tenho dúvidas, se quem teria que pedir desculpas não seria a “Procuradoria”.

O “dado” adquirido, em que a história (no futuro) nos irá revelar a verdade, em Portugal não se aplica; porque tudo o que é relevante, ser destruído.

E “todos” aplaudimos tal secretismo; confissão da nossa menoridade e condição de servos, incapazes de “julgar” o Poder.

Condição imutável; enquanto os melhores de nós, sentindo-se asfixiados, abandone o País.
Mais claro não há.
“Sejamos claros:”?
Pegue numa borracha e apague toda esta borrada que escreveu até o “papel” ficar branquinho.
Experiência

Há por aí alguns Silvas e Ernani's que precisavam de viver um ano inteiro com o ordenado mínimo nacional.

Sem poderem utilizar os bens que adquiriram com outros rendimentos.

Seria uma experiência interessante...
Quando se sabe o que se sabe...
FALTA DE JEITO

O talento político não nasce por geração espontânea. A maioria dos nossos políticos é fraca e tratam os eleitores como se fossem burros. Ainda me recordo, na sequência da vitória do PSD nas últimas eleições europeias, de um jornalista perguntar a Mira Amaral quando é que o PSD apresentava o seu programa para as legislativas, e este responder que se calhar quanto mais tarde melhor. Esta lucidez tem faltado ao actual líder. A questão não é a revisão constitucional, as questões são as posições do PSD sobre ”despedimento com justa causa”, “educação obrigatória e gratuita” e “saúde gratuita”. Ao definir a sua posição nestes campos, sem explicar como, coloca-se claramente à direita afastando os eleitores do centro e de esquerda. Dá de mão beijada munições ao PS e fica cada vez mais longe da maioria absoluta.
Re: FALTA DE JEITO Ver comentário
Ilusões e enganos
Portugal, para conseguir pagar todas as despesas, pede ao estrangeiro 60 milhões de Euros diários.
Este facto, denunciado por Hernâni Lopes, Medina carreira e outros, não provoca alguma luz a quem acha que tudo deve continuar na mesma?
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