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O povinho não precisa de gramática

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A Tempo e a Desmodo - O povinho não precisa de gramática

Cara Sophia, li com um misto de agrado e desencanto as cartas que trocou com Sena. O agrado não carece de grandes explicações: dois clássicos a falar sem rede é sempre um espectáculo; é como ver o backstage, na esperança de aprender técnicas e apanhar truques. O desencanto, por seu lado, já carece de alguma explicação. É um desencanto que nasce daquela sensação de tempo perdido, do tempo perdido por Portugal. Lendo algumas das suas cartas, um sujeito fica mesmo a pensar que os vícios de hoje são iguais aos vícios do passado. Um exemplo? Em 1976, V. escreveu assim: "a tragédia de toda a revolução é a sua incompetência cultural (...) Houve até quem no grupo parlamentar respondesse à minha crítica à má redacção de um articulado, dizendo-me que 'o povo não precisa de gramática'." (pp. 145-146).

O problema, cara Sophia, é que este desprezo pela gramática não se ficou pelo PS, alastrou a toda a gente dentro e fora do parlamento. Sugiro que leia coisas de alguns professores de Direito aqui de Lisboa. A vírgula entre o sujeito e o predicado não parece incomodar a genialidade jurídica destes sábios que marcam centenas de alunos todos os anos. O povinho não precisa de gramática, não é verdade? Lendo estes génios, um sujeito até fica a compreender a fraca qualidade dos nossos deputados, coitadinhos, e das nossas leis. Estou até desconfiado de que as faculdades de direito têm uma cadeira fantasma intitulada "como escrever uma lei sem clareza". Para quê pensar e escrever com clareza quando podemos prosperar no pântano jurídico?

Passaram quase 40 anos sobre a sua carta, e nada mudou. Ou melhor, as coisas mudaram para pior. Quando lê uma lei portuguesa, um sujeito vê ali um cotonete, uma coisa ambígua que dá para os dois lados. Há ali o culto da imprecisão. Às segundas, quartas e sábados, a lei é x; às terças, quintas e domingos, a mesma lei é y.  Ora, quem é que beneficia com esta falta de gramática, cara Sophia? A indústria dos pareceres jurídicos, partilhada por advogados da Av. Liberdade e por professores de Direito, esses seres que aparecem na TV com o subtítuto de senadores. Para quê professar a clareza quando podemos beneficiar dos velhos slogans revolucionários? O povo, pá, não precisa de gramática. 

 

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'O povinho não precisa de gramática
Sempre igual a si próprio. "este desprezo pela gramática não se ficou pelo PS, alastrou a toda a gente" sugere que o desrespeito gramatical começou no PS. Mas lendo-o, depreende-se que a Sophia era deputada socialista pelo que neste partido haveria as duas posições, os que achavam a gramática importante e os que não achavam. E percebendo-se também que partilha das preocupações da Sophia, também poderia ter dito pela mesma lógica abusadora que o respeito pela gramática se alastrou a partir deste partido.

O Henrique seria um cronista melhor se não procurasse constantemente ajustar contas com a história. Portugal em 1970 tinha 30% de analfabetos (17% em 1978) e quase metade da população não tinha a quarta classe. É natural que houvesse muitos deputados, uma vez abertas as portas do parlamento a uma verdadeira representação da população, que procurassem desvalorizar a sua falta de cultura face a outros. Mais desapontador é que não cite nada que mostre que Sophia Breynner teria consciência disso. Classificar uma revolução de "incompetente cultural" quando resolver essa incompetência era a sua missão, não me recomenda a autora da frase.

A sua temática final é válida, mas o foco na gramática parece-me secundário. Mais importante que esta é a lógica. Pode-se ser brilhante a gramática e dar-se pontapés na lógica todos os dias (como a sua leitura frequentemente me lembra). Ora, se os significados não são suficientemente discutidos, como podem os significantes serem claros?
Re: 'O povinho não precisa de gramática
Re: 'O povinho não precisa de gramática
Re: 'O povinho não precisa de gramática
Re: 'O povinho não precisa de gramática
Re: 'O povinho não precisa de gramática
O Povo é culto:Os drs de aviário,não!
Esse é o problema: a Universidade Portuguesa intoxicou-se com muitas "pequenas universidades" de aviário,vendendo titulos académicos para todos os gostos e dentro dos melhores preços partidários.
Assiste-se hoje á bandalheira geral dos "canudos" ,licenciaturas de fim de semana e casos escandalosos que provam o terreno movediço em que a seriedade curricular caíu.Esse negócio de chorudos lucros para alguns empresários de "universidades",merecia ser investigado a fundo e o Ministério da Educação lançar uma limpeza geral numa área de tão nefastos e públicos exemplos .
Reerguer de novo a Universidade Portuguesa,para que cumpra de modo sério a sua missão principal:investigar e transmitir O SABER!
Re: O Povo é culto:Os drs de aviário,não!
Re: O Povo é culto:Os drs de aviário,não!
Re: O Povo é culto:Os drs de aviário,não!
veja se o exemplo do sr relvas
Sócrates estava no Governo,relvas não!
Re: Sócrates estava no Governo,relvas não!
Re: Sócrates estava no Governo,relvas não!
estar na oposição ou no gov é a mesma merda
Re: O Povo é culto:Os drs de aviário,não!
o-povinho-nao-precisa-de-gramatica
Diz o povo e tem razão que cada burro com sua mania, mas também é verdade que cada época com seus costumes. Um português de cultura média não consegue entender o português do século XV. Muito tinta tem corrido devido ao actual acordo e muitos são contra enquanto outros a favor. Uma coisa é certa tudo evolui e nada fica na mesma. Hoje já ninguém escreve Farmácia, nem Filosofia com PH.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/acordo-ortografico-henrique-monteiro.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/05/acordo-ortografico-antes-da-meia.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/excelente-texto.html
O Henry errou no alvo
O Mr. Henry Raposo errou no alvo, pois não é o povinho que precisa de gramática.
pão e circo..
...pão e circo..

barbarraridades.blogspot.pt/
Dá jeito?
O que hoje é verdade, amanhã é mentira e vice-versa. Da palavra que gera acção mas garante ao orador a inacção, nasce o espaço necessário para qualquer interpretação personalizada e optimizada, para que a parte em falta seja atenuada na condenação dos seus actos danosos, tornando o ofendido seguro mas abrindo vunerabilidade para o mesmo não se fortalecer e com isso abusar da posição determinada. Assim vivemos há décadas e não é agora que isso vai mudar, porque se muda, é para pior.
Barricados
Essas leisecas cozinhadas por encomenda não os vão proteger.

Especialmente quando vierem com a conversa de mais austeridade sem terem tocado numa virgula dessas IMORAIS PPP's e rendas que pr'ái andam.

Nesse dia (que já vem perto...) vão-se barricar por detrás demuito arame farpado e muita polícia...
Re: Barricados
Re: O povinho não precisa de gramática
Bom dia Henrique Raposo,

Gosto muito dos seus textos, leios diariamente. E concordo com eles na maioria. No entanto, gostava que me desse a sua opinião em relação à licenciatura do "Dr." Miguel Relvas. Uma vez que mostrou a sua total repulsa em relação às artimanhas do Eng. José Sócrates para conseguir a licenciatura.
Continue a escrever que eu continuarei a ler.
Revoluções há muitas, palerma!
... e normalmente não são simpáticas para mentes brilhantes como a tua, Raposo.

Pregas contra a mediocridade quando é a própria mediocridade que te permite mediocrizar por aqui...

quando a maré subir, outra vez, como sempre o faz e sempre fará, não te esqueças de comprar uma bóia, Raposo!
jpafonso sempre igual a si próprio
...o que lhe confere personalidade!
Obviamente que só se pode concordar com tudo o que diz mas para chegarmos a um tal estado de precisão analítica é preciso concluir que quem faz as leis saiba tanto de direito como de gramática.
A questão levantada pelo artigo não será tanto essa mas será antes ter-se usado o facto de 'o povo não precisar de gramática' porque a sabe de cor e salteado quando fala à sua maneira com a falta de cultura dos deputados do PREC que usaram o povo para ficarem reformados com oito anos de mandato. E como estes labregos revolucionários da constituinte não foram capazes de segurar o poder deixaram o governo constitucionalíssimamente entregue a quem o foi usando e abusando em nome do povo até chegarmos a este estado de cursos comprados a granel em universidades privadas e que ninguém quer assumir como sendo da responsabilidade proporcionalmente igual ao tempo de quem teve o poder nos últimos 30 anos, que afinal dá o primeiro lugar do pontapé na gramática ao PS e não torna afinal Henrique Raposo tão faccioso e exagerado quanto a militância socialista o quer fazer.

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Edição Diária 17.Abr.2014

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