17 de abril de 2014 às 12:51
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O português em quem Paul Ryan confia

O amigo mais famoso do congressista Devin Nunes é o candidato republicano a vice-presidente dos EUA, com quem o luso-descendente tem uma aliança estreita. Em entrevista ao Expresso, revelou detalhes dessa relação. 

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA (www.expresso.pt)
Congressista Devin Nunes tem muitos amigos, Mota Amaral e Paulo Portas são dois deles Congressista Devin Nunes tem muitos amigos, Mota Amaral e Paulo Portas são dois deles

O luso-descendente Devin Nunes é o homem de confiança de Paul Ryan, o candidato republicano a vice-presidente dos EUA, nas eleições de novembro. Com raízes familiares nos Açores, o congressista norte-americano de 38 anos revelou, numa curta entrevista ao Expresso, alguns detalhes da vida de Ryan (tido como o ideólogo do Partido Republicano) e da parceria entre ambos.   

Devin Nunes colaborou com Paul Ryan, por exemplo na defesa do "Roadmap to America's Future", o projeto que esteve na base da proposta de orçamento aprovada em 2011 pela Câmara dos Representantes, que defendia cortes substanciais na despesa do Estado e, ao mesmo tempo, diminuição de impostos.

O projeto, posteriormente rejeitado pelo Senado de maioria democrata, tornou-se das peças legislativas mais respeitadas pela direita norte-americana e é hoje vista como base para um eventual programa de Governo republicano.  

Distinguido pela "Time"


O Presidente Barack Obama considera aquela iniciativa como uma "visão pessimista da América", devido ao corte substancial nos gastos sociais do Estado (cerca de 63%), que afetaria iniciativas como as senhas de refeição para os mais pobres, o Medicaid (serviço público de saúde para os mais pobres) e o Medicare (serviço público de saúde para cidadãos com mais de 65 anos).

Em 2010, a revista "Time" elegeu Devin Nunes como uma das 40 novas estrelas da política americana.

Descreva-nos Paul Ryan? É um homem muito sério e trabalhador. É daqueles que acorda mais cedo do que os outros e deita-se mais tarde do que ninguém. É uma das figuras mais importantes do nosso tempo, alguém que pretende reformar a governação. Preocupa-se com factos e soluções. É muito eficaz e de certeza que dará um excelente vice-presidente.

Como é que se tornaram amigos e aliados? Quando cheguei ao Congresso, em 2001, Paul já lá estava há três anos. Eu era o segundo mais novo na Câmara e ele o terceiro ou quarto. Naturalmente, demo-nos bem e começámos a trabalhar numa série de iniciativas.

Paul Ryan é um político muito conservador mas que conseguiu impor-se numa região historicamente democrata (1º distrito do Wisconsin). Como é que isso foi possível? Sabe, o main stream media (órgãos de comunicação social conotados pelos republicanos com a esquerda) gosta de generalizar, passando uma imagem errada das pessoas. No caso do Paul esqueceram-se de que ele é um político com uma capacidade invulgar de pegar em problemas complicados, esmiuçá-los e, no fim, de gerar importantes peças legislativas, explicando aos americanos, sempre de uma maneira muito simples, porque que determinado assunto é importante.

Mitt Romney "foi sábio na escolha "


Ryan parece mais pragmático do que idealista. Não gosto de rótulos, isso é o que o main stream media gosta de fazer. Ele está decidido em restaurar a forma de governo republicana, o que quer dizer que o Governo Federal tem um papel muito mais pequeno do que o atual e que o protagonismo governativo deve ser devolvido aos estados. O primado está no indivíduo e não no coletivo, ou seja, num Estado todo-poderoso.

Como é que Paul Ryan pode fazer a diferença, quer em campanha como numa possível administração? A principal razão é porque ele tem soluções não só para este país como para o resto do mundo. Uma maneira de resolver a crise económica global é, primeiro do que tudo, resolver a crise económica nos EUA e ele é a pessoa mais qualificada para fazer esse trabalho. Mitt Romney foi sábio na escolha.

Ficou surpreendido com ela? (risos) Eu tive a sorte de saber um pouco antes do que a maioria das pessoas, por isso o efeito surpresa esbateu-se um pouco. Uma semana antes, baseado no que já conhecia, comecei a ficar muito confiante. Mas foi muito emocionante para alguém que tem lutado com o Paul Ryan há muito tempo na tentativa de mudar este país. Lutámos muito para restituir as liberdades e poderes individuais. Quando se luta muito e, após longo tempo, conseguimos vencer, quando vemos alguém em quem acreditamos e com quem trabalhámos tanto ter a possibilidade de tornar-se vice-presidente dos EUA, tudo isso dá-nos um enorme sentimento de recompensa.

Falava com ele sobre essa possibilidade? Várias vezes, mas nunca o coloquei na posição desconfortável de o obrigar a responder se ele aceitaria ou não o convite. Nunca faria isso a um amigo. Aconselhava-o, ele ouvia, mas nada mais.

"O mundo inteiro conta connosco"


Vocês trabalharam muito depois de 2008, altura em que a América se 'apaixonou' por Barack Obama, depois de várias derrotas eleitorais da direita. Sentiram-se isolados? Tínhamos a certeza de que estávamos a fazer algo novo, tal como o renascimento dos valores individuais, criando uma nova estratégia para os EUA. Não se tratava de uma questão de derrotas mas de um novo início, de crescer e criar algo novo e excitante. É por isso que o Paul Ryan merece todo o crédito, visto que começou com um projeto muito pequeno e chegou onde chegou. Sinto-me lisonjeado por fazer parte do grupo. Porém, ao mesmo tempo era frustrante porque víamos a economia em mau estado e muitas famílias a sofrer. Por isso havia também muita pressão.

Como vê a América daqui a quatro anos caso Romney e Ryan não vençam? Não falo sobre essa hipótese.

E se vencerem? Será muito duro. O mundo inteiro conta connosco para tomar as medidas corretas para inverter a situação actual. Temos de produzir legislação que seja aprovada pelo Congresso e pelo Presidente e que termine com o nosso problema da despesa excessiva do Estado.

Aceitaria trabalhar com Paul Ryan numa nova administração? Não estou interessado.

Visita muitas vezes Portugal? Claro, maioritariamente os Açores, onde os meus pais nasceram. Também já estive em Lisboa, quatro ou cinco vezes, na maioria para reuniões oficiais.

Com quem? Com os meus amigos Mota Amaral e Paulo Portas, por exemplo. Além disso tenho trabalhado ao longo dos anos com vários embaixadores portugueses.

Comentários 14 Comentar
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Lambe-botismo português
Não há a menor duvida a pre-disposição portuguesa para o lambe-botismo.

Já não chegava o Passos , o lambe-botas da Europa , mais propriamente da senhora Merkel , e agora já foram desencantar mais um , este do fanático e coqueluche do Tea Party , Paul Ryan , que defende o fim de qualquer apoio social e de segurança social para os mais pobres , medicaid e para o grosso da população em geral , medicaire , ao mesmo tempo que defende cortes de impostos para os copiosamente ricos , os tais 1% , numa sociedade cada vez mais assustadoramente desigualitária.

Paul Ryan , tambem que com os EUA à beira do precipício fiscal , no final do ano defende a mesma receita desastrosa da senhora Merkel , o mesmo Paul Ryan , que sobre a Europa disse ainda à dias , que é medíocre e pouco ambiciosa , isto vindo do tipo que nem a realidade da América conhece , quanto mais a Europeia.
Esquerdas e direitas
Aqui os nossos comentadores , que carimbam toda a gente como liberal. ultra-liberal e liberal GTX, deviam ouvir as teorias deste compadre candidato a vice presidente. Juntamente com o pseudo-presidente fazem uma parelha de reaças de alta concentração, verdadeiros aiatolas do capitalismo mais selvagem.

Dizem que é necessário suspender todo o dinheiro para a zona social, baixar os impostos aos ricos, que, por sua vez, com esse dinheiro, organizarão empresas que darão empregos às pessoas, que deixarão de necessitar de serviços sociais. Um primor de raciocínio !!!

Embrulham o pacote com religião (um mormom, outro evangélico), alguns bidons de água benta e está a andar.

A América tem orgulho na ignorância e na grosseria, são umas pedras com olhos e têm cagança nisso....

Gente a evitar.............
Só o capitalismo funciona... Ver comentário
Re: Só o capitalismo funciona... Ver comentário
O amigo dos nossos inimigos* ?!!!!
Ele pode ser de origens portuguesas, aliás até pode ser família do meu vizinho, mas com aquele sorriso amarelo-forçado, não lhe auguro grande futuro.

Mais a mais é próximo de Paulo Portas, e isso faz toda a diferença...

*inimigos não, que em política só há adversários, mas esses amigos dele, fazem parte da classe política que arruinou o País. E deviam ser responsabilizados e ninguém consegue chegar-lhes, de tal forma blindaram a aproximação!
Tudo bons rapazes
Como são desencantados estes Paul Ryans.

Com o apoio e dinheiro dos Koch brothers , magnatas do petróleo , da ALEC que é uma organização que promove os interesses das grandes corporações entre os legisladores do congresso.

www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NXUPDAMc_6o

Esta ALEC chega a ter um fundo massivo para atacar os candidatos democratas nos media , na altura das eleições , com mentiras e aldrabices difamatórias do caracter pessoal , democratas que se não se curvarem aos interesses das grandes corporações são massacrados nos media e depois perdem as eleições , tem vindo a haver varios casos desses.

A mesma ALEC , que está por detrás de equivaler o dinheiro ao "free speech" liberdade de expressão e de equivaler as grandes corporações em termos jurídicos a pessoas.

www.coffeepartyusa.com/money-equals-speech

www.alecexposed.org/wiki/ALEC_Exposed

Tudo bons rapazes , como aqueles filmes da máfia.
Mentiroso e/ou amnésico
Paul Ryan é um mentiroso compulsivo e/ou sofre de uma recorrente amnésia aguda:

nymag.com/daily/intel/2012/08/ryan-denies-taking-stimulus-then-admits-he-did.html?m id=reddit_dailyintel
Já sei... Ver comentário
Republicanos Ver comentário
Re: Republicanos Ver comentário
Mormons Ver comentário
Parabéns, Expresso, por uma vez...
Não é fácil vocês descobrirem tugo-descendentes republicanos, mas desta vez teve que ser. Obama para a rua!
Uau...
"É daqueles que acorda mais cedo do que os outros e deita-se mais tarde do que ninguém." - Olha... o homem não dorme... afinal a modificação genética não é proibida? É que para uma pessoa ser mentalmente saudável tem de dormir pelo menos 6 a 8 horas por noite até pelo riscos de doenças físicas que implica dormir menos que essas horas, para não lembrar outros aspectos que contrariam o vigor e determinação que essa imagem "do que dorme menos" e que dessa forma não serve para um cargo de responsabilidade, mas como a maioria julga que a vida é um momento de anúncio de TV e tudo o resto é feito na China, acaba por fazer o efeito desejado e enganar multidões... uau. Intelligence is in the air...
um miguel relvas nos states
Olhando bem para este lusodescendente ainda se veem algumas semelhanças físicas com o nosso bem amado dr. Relvas.
Quanto ao conteúdo ideológico, também não estará muito distante.

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