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O Pedro e a raposa

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 14 de outubro de 2010

Pedro Passos Coelho não duvida que a única solução é deixar passar o Orçamento do Estado. Ou então não tem estofo para liderar um governo, mesmo em Portugal. Nem precisa de pedir desculpas, podendo sempre imitar o estilo Sócrates e dizer que o mundo mudou e que Bruxelas o obrigou. E quanto mais tempo o demorar a fazer, mais ligado fica a um Orçamento que não é o dele e que irá ser, com toda a certeza, o mais restritivo e menos eleitoralista que alguma vez foi apresentado.

Quem o diz é Ferreira Leite, que em matéria de Orçamento do Estado tem experiência para dar e vender. A estratégia política de dar carta branca para que seja o Governo a resolver o problema do défice, aumentando impostos e cortando salários, é a melhor que se lhe coloca. Chumbar o Orçamento e levar o país para uma crise política, abre o cenário mais do que provável de Portugal ficar isolado e sem acesso ao crédito externo.

Nessa altura, uma recessão de 1,4% vai ser apenas um sonho cor de rosa, a realidade será mil vezes pior. Por isso, a escolha está entre ser acusado de levar o país para uma crise sem precedentes, ou poder acusar o Governo de ter agido mal e tarde.

O que falta no plano de Teixeira dos Santos


Medidas que ajudem as empresas a ganhar competitividade. No próximo ano, vamos ter menos dinheiro disponível na economia, vamos ter menos crescimento na Europa e vamos ter uma moeda forte. A procura interna vai cair a pique e a externa vai estar sob enorme pressão. A única solução é baixar preços baixando custos para relançar a competitividade das exportações. Silva Lopes tem uma pequena sugestão que pode ser determinante. Utilizar parte da receita do aumento do IVA para baixar os descontos das empresas para a Segurança Social, diminuindo custos do trabalho. A redução do que as empresas pagam para a Segurança Social tem sido muitas vezes sugerida, mas nunca aplicada, mas é uma alternativa viável para induzir mais competitividade nas nossas exportações.

O que falhou neste plano do Governo, e que se espera não falhe na apresentação do Orçamento do Estado para 2011, são as linhas de uma clara política económica que permita a Portugal enfrentar a grave crise que aí vem. O cenário de uma quebra de 1,4% do PIB no próximo ano não parece alarmista. Infelizmente não ouve capacidade, nem competência para tomar estas medidas no início do ano. Teríamos tido um ano pior, mas com uma crise suave. Mas esta agora é a nossa realidade e já não podemos permitir mais falhas. Precisamos de toda a boa vontade, toda a criatividade e de todos os incentivos possíveis para dinamizar a economia.

João Vieira Pereira  

Texto publicado na edição do Expresso de 9 de outubro de 2010

 

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