3
Anterior
Vídeo: Basement Jaxx fecharam a festa do Sudoeste
Seguinte
Os vídeos do Sudoeste e Paredes de Coura
Página Inicial   >  Verão  >  Festivais de Verão  >  O medo da gripe

O medo da gripe

Paranóia. A gripe A tornou-se uma obsessão no Festival do Sudoeste. Para descansar as mães que ficam em casa, há quem traga máscaras e evite contactos com os espanhóis. E nunca foi tão cool lavar as mãos com álcool depois das refeições. (Veja os vídeos e fotogalerias através do link no final do texto)
|
Não foi registado qualquer caso de Gripe A no Sudoeste e as máscaras disponibilizadas pela organização não saíram das caixas. Mas o medo anda no ar e quem paga são os espanhóis, vistos como foco de contágio

Este ano, as mochilas que vieram ao Sudoeste trazem mais do que a tenda, o fato-de-banho, o pacote das batatas fritas ou as mortalhas. No boom da gripe A, há quem tenha vindo carregado com máscaras hospitalares e até com folhetos do Ministério da Saúde sobre a prevenção da doença. É o caso de Hugo e João, de Beja. "Se tivermos prevenidos é melhor. E deixamos as nossas mães descansadas em casa", afirmam os estudantes em frente ao palco principal. O look até os torna cool no meio de betos e freaks.


Clique para aceder ao índice do ESPECIAL DE VERÃO

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ ESPECIAL GRIPE A (H1N1)

Das prateleiras da farmácia para a tenda no camping do festival, Ana e Joana, de 17 anos, trouxeram uma embalagem de álcool em gel para lavar as mãos. "Só assim conseguimos convencer a nossa mãe a deixar-nos vir ao festival. Ela não queria, pois tinha receio que fossemos infectadas pelo vírus no meio desta multidão", revelam as duas gémeas. A solução alcalina está ao lado dos iogurtes e dos cereais para o leite. "Usamo-la religiosamente depois das refeições".

O tema da gripe tem sido recorrente nas conversas, desde que saíram de Leiria, de autocarro, em direcção à Zambujeira do Mar. "Está na cabeça de toda a gente, mesmo nos momentos de diversão". Quando um vizinho da tenda ao lado adoeceu com febre, há três dias, recearam o pior. Noutra altura, nem tinham dado a mínima importância. Afinal, o rapaz só tinha uma amigdalite. "Temos de recear apenas as pessoas que vêm de fora, pois é do estrangeiro que a gripe é contraída".

Oriundos dos arredores de Cadiz, no sul de Espanha, Sérgio González, de 24 anos, e José Navarro, de 23, sabem bem o que Joana e Ana querem dizer nas entrelinhas. Na povoação de Porto Real, onde vivem, há dezenas de pessoas no hospital infectadas pelo H1N1. Nenhuma morreu, mas o cerco da doença é real. Em Espanha, o número de casos é muito superior ao de Portugal. "No meio de milhares de pessoas, há uma certa dose de risco, embora moderada, pois estamos ao ar livre. O melhor é não pensar demasiado no assunto", diz Sérgio, enquanto coloca uma máscara bico de pato, o modelo recomendado pelos médicos para evitar o contágio. O rapaz da Andaluzia sabe de cor os sintomas da doença e o que deve fazer em caso de se sentir febril. No seu dia-a-dia, como funcionário de um cacilheiro, tem à mão um kit de emergência, uma vez que transporta milhares de pessoas todos os dias. "Seria uma infelicidade ser infectado aqui no meio do Alentejo".


André Soares, de 24 anos, já foi avisado pela mãe, médica no Hospital de Santa Maria, para que ao mínimo sintoma febril regressasse a Lisboa. "Disse-lhe que é mais provável ter uma ressaca do que o H1N1", ironiza o rapaz de piercing e óculos coloridos. Mais a sério, confessa que chegou a ponderar não vir ao Festival, por causa do surto pandémico. Mas não resistiu ao "cartaz e à pica" que é a de acampar no Sudoeste. "Tenho um amigo que ficou internado em casa. Infelizmente, vai sendo cada vez mais comum. Só rezo para que o vírus não me apanhe".

Nem todos os portugueses que vieram ao maior festival de rock de Verão apreciam a presença dos milhares de jovens espanhóis. Desta vez, não é a xenofobia ou as rivalidades entre cidadãos de países vizinhos que fazem levantar as vozes. "Se algum se aproximar de mim, dou-lhe um pontapé", gaba-se um jovem acabado de sair de uma tenda, perto dos chuveiros, com ar de ressaca. "Não quero que me peguem essa praga".

O discurso é repetido por mais adolescentes, entre o tom sério e o de gozo. Os espanhóis que se apercebem do mal-estar encolhem os ombros: "Vim para cá para ouvir os Buraka Som Sistema e não idiotices", ironiza um rapaz de Málaga.

No início da semana, uma jovem da Trofa dirigiu-se à farmácia da Zambujeira do Mar para revelar que um amigo, com quem tinha ido acampar no Sudoeste, padecia dos sintomas típicos da gripe A.


Estava em pânico, pois tinha receio de ter sido infectado. "Aconselhei-os a voltar para casa. Eles seguiram as minhas indicações mas não sei o que lhes aconteceu", conta o farmacêutico, que alerta: "Deve haver muitos casos de gripe normal entre os adolescentes do festival, pois muitos deles não trazem a roupa adequada para as noites húmidas, dormem em tendas e ao relento e apanham sol a mais".

O médico da organização, Luís Raimundo, conta que até ao momento todos os casos que se pensavam ser de H1N1 se revelaram infundados. "Há mais perigos em ajuntamentos em grandes superfícies comerciais e jogos de futebol do que num festival de rock ao ar livre", desdramatiza. E conta que na tenda médica, junto ao palco principal, existem 200 máscaras disponíveis e nem uma saiu dos caixotes.

O mesmo não acontece na farmácia nem nos bombeiros de Vila Nova de Milfontes. "Estamos à espera das máscaras prometidas há semanas", diz um voluntário da corporação. Já o posto médico da vila só tem máscaras reservadas para os profissionais de saúde. Quem quiser adquirir uma terá de se dirigir ao posto móvel da Cruz Vermelha, perto da praia. Mas o stock é tão escasso que a funcionária prefere nem fazer publicidade. "Vêm para aqui os turistas em massa acabar com elas".

Texto publicado na edição do Expresso de 8 de Agosto de 2009


Veja os vídeos e fotogalerias diários sobre o Festival Sudoeste e relembre ainda a cobertura do Festival Paredes de Coura na secção dedicada aos festivais de verão.


Opinião


Multimédia

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.


Comentários 3 Comentar
ordenar por:
mais votados
Para além de alguns exageros...
... o medo da gripe A, até parece que está a trazer bons hábitos, como é o caso de lavar as mãos várias vezes por dia, não meter os dedos no nariz nem tocar nos olhos. Espera-se que, passada a pandemia, os bons hábitos tenham vindo para ficar.
A educação para a saúde começa no berço
...e com o chá da avozinha porque é de pequenino que se torce o pepino e não com campanhas oportunistas criadas a pretexto do medo da peste que teria à força que vir porque não veio com a gripe das aves e tinha que vir com a gripe suina dos mexicanos.
Afinal não veio nem com esta nova mutação do H1N1, porque os vírus da gripe A sempre foram mesmo assim, mutantes e malandrecos imprevisíveis!
Quantos aos bons hábitos, está-se a falar de quais? Do ritualismo exagerado dos judeus e da hiper-higiene da AZAE ou das boa praticas sociais que nem a Sida acabou porque nem só de pão vive o homem nem de boa saúde física mas também de boa saúde psíquica e social!
A boa pratica do lava-mãos deveria começar por ser regra obrigatória nos hospitais para acabar com o flagelo das infecções hospitalares que já é conhecida á década e é a principal causa de morbidade e mortalidade em recém-nascidos (Em 30,4% das crianças, a infecção hospitalar foi causa directa do óbito e em 50,8% foi contribuinte). Dados de hospitais americanos chegam a uma incidência média de infecção hospitalar de 5%, com cinco episódios por mil pacientes-dia. No entanto, controversamente, um estudo de 2009 vai demonstrar que o treino de pessoal revelou aumentar as taxas de infecção. Ou seja, isto não vai lá com campanhas histéricas de circunstância mas com educação para a saúde a começar nos bancos das escolas.

A educação para a saúde é uma coisa séria...
que começa no berço com o cha da avozinha!
Porque é de pequenino que se torce o pepino e não com campanhas oportunistas criadas a pretexto do medo da peste que teria à força que vir porque não veio com a gripe das aves e tinha que vir com a gripe suina dos mexicanos.
Afinal não veio nem com esta nova mutação do H1N1, porque os vírus da gripe A sempre foram mesmo assim, mutantes e malandrecos imprevisíveis!
Quantos aos bons hábitos, está-se a falar de quais? Do ritualismo exagerado dos judeus e da hiper-higiene da AZAE ou das boa praticas sociais que nem a Sida acabou porque nem só de pão vive o homem nem de boa saúde física mas também de boa saúde psíquica e social!
A boa pratica do lava-mãos deveria começar por ser regra obrigatória nos hospitais para acabar com o flagelo das infecções hospitalares que já é conhecida á década e é a principal causa de morbidade e mortalidade em recém-nascidos (Em 30,4% das crianças, a infecção hospitalar foi causa directa do óbito e em 50,8% foi contribuinte). Dados de hospitais americanos chegam a uma incidência média de infecção hospitalar de 5%, com cinco episódios por mil pacientes-dia. No entanto, controversamente, um estudo de 2009 vai demonstrar que o treino de pessoal revelou aumentar as taxas de infecção. Ou seja, isto não vai lá com campanhas histéricas de circunstância mas com educação para a saúde a começar nos bancos das escolas.
Comentários 3 Comentar

Últimas

Receba a nova Newsletter
Ver Exemplo

Últimas


Pub