Está anunciada uma greve de pilotos da TAP durante seis dias. Hoje em dia, as greves surgem invariavelmente ligadas aos sectores melhor remunerados e com melhores condições de trabalho da sociedade portuguesa. Se não são os pilotos, são os professores, por exemplo. E o "movimento sindical", para sobreviver, anda a reboque destes sectores.
Longe vão os tempos em que as greves eram sinónimo de operariado, de desfavorecidos, de gente que arriscava tudo - bastonadas, desemprego, prisões e, muitas vezes, a vida -, porque não tinha nada a perder senão a miséria em que vivia.
No final do século XIX e princípios do século XX, com as greves proibidas pelo Código Penal de 1852, eram os artesãos (tecelões, chapeleiros e outros), os pescadores, os operários da construção civil ou do mobiliário, os operários rurais ou dos têxteis, no Porto, na Covilhã, no Alentejo, que fizeram a história do movimento grevista.
Foi assim, também, durante o Estado Novo. Hoje, quando a greve é um direito de quem trabalha, o movimento operário e o movimento grevista são duas realidades diferentes. Mais, a manifestação de trabalhadores da TAP, onde se incluem os sectores operários, contra a greve dos pilotos, é um sinal da oposição entre aquelas duas realidades: o operariado e os trabalhadores mais desfavorecidos começam a desconfiar destas greves. O marxismo faliu, e os sindicatos foram na água do banho.