4
Anterior
O problema das leituras rápidas
Seguinte
Uma réplica da bengala de Camilo
Página Inicial   >  Blogues  >  Bitaites e Bicuaites  >   O Manolo, o afecto, a memória

O Manolo, o afecto, a memória

|

Bitaites


Morreu um grande amigo, Manuel Ollero Vidal, o Manolo.

Conheci-o há muitos anos, estava ele, com Marcelino de Brito e o seu inseparável companheiro de lides sportinguistas, José Manuel Torcato, em campanha (justamente) para a presidência do Sporting. Depois, através dele, tive ocasião de conhecer outro grande amigo - o Vítor Seijo - o Germano de Figueiredo, um dos maiores jogadores de sempre do futebol português e grande figura humana, o Fanã, o Romplius, o Sebastião, o pessoal do Atlético em geral, enfim, muita gente boa. E ao Manolo (e ao Vítor e ao António da Mó, curiosamente todos galegos) fiquei a dever, para além do resto, todo o apoio que imediatamente se dispuseram a dar-me, caso eu precisasse, numa altura em que tive de ir viver para Londres e Bruxelas durante mais de um ano, a fim de poder cuidar da saúde de um familiar meu muito próximo, que felizmente ultrapassou por inteiro o mal de que padecia. Coisa que nunca esqueci nem esquecerei, por mais que esses amigos tenham já para sempre partido, o Manolo agora. Mas é assim: quando se chega a uma certa idade, o nosso carnet de endereços e telefones mais parece um cemitério. Restando porém a memória. E o inalterável afecto.

1. Se, por causa de Timor, avançámos em tempos contra a Indonésia de punho erguido, é de mão estendida que Cavaco foi agora a Jacarta! Mas já dizia o poeta: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Ou, diria eu: mudam-se os tempos, mudam-se as necessidades. Necessidades a que também chamam aliás, em jargon político, Negócios Estrangeiros ...

PS. Segundo leio, "Timor discute o que fazer com os seus nove mil milhões de dólares (do petróleo)". Mas Cavaco também tem solução para isso: uma mão estendida a Jacarta, a outra a Dili, evidentemente.

2. Portugal: o que dizer de um país que tem Miguel Relvas como o nº2 do Governo? Num casting, não passaria, de certeza. Numa audição, talvez; o Reagan, por exemplo, passou. E pior actor do que ele, não vejo. Nesse aspecto, Relvas é melhor.

3. Duarte Lima: se a ganância, essa coisa repugnante, viscosa, venenosa matasse, já estaria morto há muito tempo. Explicação para uma tal ganância? Sinceramente, não sei lá muito bem. Embora tenha uma desculpa: não sou Shakespeare.

4. Sobre o caso-Freeport, o "Correio da Manhã" não vai por quatro caminhos e sentencia, peremptório: "Sócrates recebeu dinheiro"! Contudo, da leitura da notícia, o que resta é que - segundo um tal Alan Perkins - "Charles Smith e Manuel Pedro foram usados para fazer pagamentos ilícitos", referindo o mesmo senhor "reuniões onde estes factos terão sido mencionados". Para além de que Charles Smith lhe terá dito que "a Freeport fez pagamentos para obter a licença do outlet a pessoas que recebiam em nome de Sócrates". Sócrates que, por sua vez, ameaça processar quem usou ou quem usar o seu nome". E, em grosso, é isto, quer dizer, nada ou praticamente (do ponto de vista jurídico) nada. Sendo que, de facto, o único processo em que o ex-primeiro-ministro está a ser julgado e já foi condenado é este: o do "Correio da Manhã", que pratica, sempre praticou, e com que afinco, a velha e relha teoria segundo a qual, se as provas não provam aquilo que o jornal quer provar, são as provas que estão erradas. Ora, ao que parece, isso vende. E a empresa vinga...

5. No mesmo "Correio da Manhã", outro título muito interessante: "Zita Seabra mais próxima da Opus Dei".

... E lá me vem à ideia a conhecida expressão francesa: "il (no caso, elle) revient de loin". Que não foi de resto criada para a dita Zita. Mas lá que podia ter sido, isso podia.

6. Ainda mal tinha sido eleito e nem sequer empossado, François Hollande fez de pronto reentrar no vocabulário europeu, e de resto não só, a palavra crescimento. E nem precisou para isso de por saltos altos: bastou-lhe dizer o evidente, colocando pela primeira vez Merkel em alguma dificuldade perante os seus (se assim posso com total propriedade chamá-los) parceiros. E felizmente que ninguém, por causa disso, gritou: ela vai nua! Tanto mais que aqueles casaquinhos e aqueles pantalons ficam-lhe tão bem ...

7. Robben. Se eu fosse treinador de futebol, em equipa minha não jogava. E não por ter falhado aquele penalty (contra o Chelsea). Mas porque só pensa nele, não passa a bola a ninguém, quer aparecer de qualquer maneira nas capas dos jornais do dia seguinte como o maior, o salvador, etc. etc. etc. Repito: numa equipa minha, não jogava. Nem ele, nem quem joga como ele. Embora haja por aí muito craque, ou pseudo-craque, que o faça. Um conselho? Olhem para o Messi e aprendam a jogar à bola, pensando antes de mais na equipa. Porque, achem esses craques, ou pseudo-craques, o que acharem, não são coisas incompatíveis, longe disso.


Bicuaites

1. Título da "Sábado":

"Vítor Gaspar conta a crise às crianças".

Só se for.

2. O mesmo Vítor Gaspar:

"Eu não minto nem ludibrio os portugueses".

Engana-se é como o caraças.

3. Filipe Luís, na "Visão":

"Governo e troika estranham aumento do desemprego. Estão a gozar ou são só incompetentes?".

Quanto à troika, não sei. Quanto a Vítor Gaspar, nem sequer acredito que ele saiba o que é gozar.

4. Francisco Assis:

"O primeiro-ministro é alguém que acredita piamente numa versão extremista do liberalismo económico".

Passos perdidos ...

5. Miguel Sousa Tavares:

"Vem aí o segundo submarino e ninguém sabe o que fazer com ele. Se já não há dinheiro para fazer andar o primeiro, o que fazer com o segundo?".

Eles não saberão nadar, ó Miguel?

6. Título da revista do "Público":

"Madeira: pobreza, vergonha e medo". E adiante: "A dupla austeridade está a atingir a Madeira como um tsunami".

Será que o Jardim, à défaut de um bunker, não quererá os submarinos?

7. Do "Público":

"Apesar de os medicamentos estarem cada vez mais baratos, os encargos dos cidadãos com remédios voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano".

Pergunto: mas onde é que está a notícia?! Ainda se fosse ao contrário.

8. Título do "Correio da Manhã":

"Ladrões de fruta vendem na rua".

E - como se lamentaria um dono de grande superfície - uma vez que compram de borla, os malandros, para eles é tudo lucro!

9. Título do "Correio da Manhã":

"Treze polícias acusados de chefiar rede criminosa".

Alegadamente criminosos mas seguramente nada supersticiosos, os fulanos!

10. Conceição Bessa Ruão, deputada do PSD:

"Será que há mulheres de outras nacionalidades que abortam em Portugal, porque o aborto é gratuito?".

Mas é claro: é pô-las na fronteira e chamar a polícia. Ou melhor: chamar a polícia e pô-las na fronteira. Se a polícia não as prender entretanto, é claro.

11. Título do "Público":

"Saída da Grécia do euro 'passou de impossível a altamente improvável e indesejável".

Pelo visto, a sra Merkel ainda não decidiu o que será melhor para a Alemanha ...

12. Título (ainda) do "Público":

"Mladic (o antigo comandante do Exército sérvio, acusado de crimes contra a humanidade) enfrenta a justiça: 'Espero que Deus tenha reservado o pior para ele'".

Sim, pior, muito pior para ele - sejamos justos - do que aquilo que foi reservado para as vítimas.

13. Tom Ford, estilista norte-americano:

"Talvez os homossexuais consigam projectar certos sentimentos acerca da vida que os heterossexuais nem sequer imaginam".

E se calhar nem querem.

PS. Título do "Público":

"Relvas nega ter feito pressões, PÚBLICO mantém que existiram".

Caro leitor (e, já agora, caro eleitor), em quem é que acredita?

PS 2. O presidente do Benfica continua pelo visto a pensar que é impune (atenção, eu não disse inimputável) podendo dizer tudo o que lhe vem à cabeça, ou à cabeça de quem lhe escreve os discursos. Desta vez (leio n'"O Jogo"), para além de outros mimos, "chamou corruptos aos dragões e ladrão a Pinto da Costa". Pelo que lá irá, com certeza ter de desembolsar mais um euro ...


Frei Bento Domingues:

"Fátima só pode ser considerada ópio dos peregrinos se eles se contentarem com a 'procissão do adeus' à Virgem sem a promessa de se entregarem à alteração do meio em que vivem. Sem esse propósito, terão sujado os pés e os joelhos inutilmente. Marx não criticava a religião por ser o 'suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações desalmadas', mas por se tornar um refúgio, em vez de um princípio de vida e de acção".

Abençoado frei Bento: que as mãos nunca lhe doam.


António Tavares Teles escreve de acordo com a antiga ortografia


Opinião


Multimédia

Os assassínios, as execuções, as decapitações são as imagens mais chocantes de uma propaganda cada vez mais sofisticada. É a Jihad, que recruta guerrilheiros no ocidente para matar e morrer na Síria. O Expresso seguiu as pisadas de cinco jiadistas portugueses, mostrando quem são e como foram convertidos e radicalizados. E como lutam, como foram morrer - e como já haverá arrependidos com medo de fugir. Reportagem em Londres, no café onde viam jogos de futebol, na universidade onde estudavam e na mesquita onde rezavam. Autoridades e especialistas em terrorismo estão alerta sobre este pequeno mas perigoso grupo, onde corre sangue português - e de onde escorre sangue por Alá.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

Os muros do mundo

Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


Comentários 4 Comentar
ordenar por:
mais votados
Cãozinho do Pinto da Costa
Será que esta crónica também foi ditada pelo Pinto da Costa?
www.youtube.com/watch?v=iLpgst6hll8
Não esquecer quem é este senhor...
"STANDARD & POOR´S"
LIXO.
kácus
ui
Este gajo é mais esperto que o Vieira!!!

Ao Vieira há quem escreva os discursos. Nada de anormal, o memso fazem ao Passos Coelho e tantos outros.

Agora a este escriba, só lhe ditam, o gajo sabe, têm é de lhe dizer o que escrever.

Ah expresso que dás guarida a enganadores deste calibre.
Vergonhoso!
Então o senhor ouve-se no youtube a combinar uma noticia com o Pinto da Costa, e imaginam-se as que não foram gravadas, e vem falar de "de quem lhe escreve os discursos" sobre o presidente do SLB que disse a verdade que a CS tanto trabalha para esconder!

TENHA VERGONHA!
Comentários 4 Comentar

Últimas


Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador

PUBLICIDADE

Pub