26/05/2012 atualizado às 13:43

O livro digital e o demónio da analogia

As promessas contidas no livro digital exercem um grande fascínio, mas maior é a resistência do livro impresso e não se vislumbra a sua morte.

António Guerreiro (www.expresso.pt)
9:26 Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
O livro digital e o demónio da analogia
Mudrats Alexnadra/CORBIS

Há quase meio século, escutou-se pela primeira vez a profecia da morte do livro impresso. Foi em 1962, e o profeta tinha nome que haveria de soar a visionário: Marshall McLuhan.

Reiterada de tempos a tempos, reativada como um programa inevitável a partir do momento em que a Internet e os motores de busca passaram a fazer parte do quotidiano, em meados dos anos 90, a profecia não se cumpriu: a "galáxia de Gutenberg" não passou a ser uma coisa do passado, e a espécie do Homo typographicus continuou a crescer e a multiplicar-se, ainda que a sua condição seja agora híbrida, já que passou também a responder - e todos nós sabemos com que solicitude e velocidade - às solicitações da era digital.

Certo é que o caudal dos livros que se folheiam com os dedos, os livros impressos, não parou de aumentar. Robert Darnton (ver bibliografia no final do artigo), um dos mais importantes historiadores do livro e diretor da Biblioteca Universitária de Harvard, fornece os números desta marcha progressiva, num tempo que se esperava ser de abrandamento: em 1998 foram publicados em todo o mundo 700.000 novos títulos, em 2003 foram 859.000 e em 2007 foram 976.000.

Em suma, o mais velho instrumento de leitura - o códex - não apenas não foi expulso (de acordo com a velha teoria de que um novo meio de comunicação nunca exclui completamente o anterior) como manteve a sua posição de domínio absoluto.

A descoberta tecnológica mais importante


Recordemos então, brevemente, uma história de muitos séculos e escassos - mas importantes - acontecimentos. O homem inventou a escrita por volta de 4000 antes da nossa era (um especialista como Jack Goody designou-a como a descoberta tecnológica mais importante da história da Humanidade).

Os hieróglifos egípcios têm apenas menos 800 anos, e a escrita alfabética surgiu por volta do ano 1000. No século II d.C. dá-se um acontecimento importante na história do livro: o códex, isto é, o livro composto por páginas que se viram, substituiu o rolo.

A invenção da tipografia, em 1450, veio, por sua vez, modificar o códex de uma maneira que o tornou naquilo que ainda hoje perdura.

O livro é, assim, uma das mais persistentes e duradouras tecnologias.

As razões da perenidade deste aparelho extraordinário encontram-se nestas características: armazena muita informação em pouco espaço, arruma-se e transporta-se facilmente, tem um formato que o torna bastante manuseável, e a matéria de que é feito - o papel - não encontrou rival na capacidade de preservação (um dos receios mais justificados que os suportes digitais suscitam é o de estarem longe de garantir uma tal longevidade).

A metáfora absoluta


Tão poderoso é o livro que se tornou uma "metáfora absoluta" (um conceito do filósofo alemão Hans Blumenberg) - a metáfora da imagem do mundo.

O "livro do mundo" começou por ser um motivo da especulação místico-filosófico da Idade Média, mas acabou por perder o seu originário carácter teológico e ganhar um sentido profano.

De tal modo que, no Renascimento, o codex vivus da natureza desaloja do lugar central o codex scriptus da Bíblia, dando lugar ao paradigma metaforológico do "livro da natureza".

E esta metáfora do livro do mundo ou da natureza, que marca os alvores da época moderna, enraíza-se nas representações do livro tal como o conhecemos.

Outro tipo de representações


Quando se passa para o livro eletrónico, passamos para outro tipo de representações, já muito distantes das representações mentais e das operações intelectuais ligadas às formas que o livro tem no Ocidente desde há 18 séculos.

E dá-se, ao mesmo tempo, uma revolução da leitura, pois ler num ecrã não é o mesmo que ler num códex. A representação eletrónica dos textos modifica-os totalmente: a materialidade do livro dá lugar à imaterialidade do texto sem lugar próprio; e as relações de contiguidade impostas pela técnica de sucessão das páginas impressas (o que impõe uma leitura linear) opõe-se a uma livre composição fragmentária a que o digital convida.

Como observou Roger Chartier, estas mutações comandam inevitavelmente novas técnicas intelectuais.

Mas a razão pela qual os livros digitais não cumpriram exatamente o percurso triunfal que lhes tinha sido prometido no momento em que entraram em cena não tem a ver com resistências racionalmente elaboradas em função de danos e conveniências previsíveis, mas sim com hábitos, sensações e vícios incrustados no corpo e no cérebro do leitor pela civilização do livro impresso.

Disposição sensorial que o brilho do ecrã não satisfaz


Há uma erótica do livro que Proust imortalizou numa das páginas da "Recherche" (numa célebre descrição em que há uma mão que segura um livro, enquanto a outra acaricia o corpo de Albertine).

Mas há também uma disposição sensorial que o brilho do ecrã não satisfaz: aquela que retira prazer do cheiro e da textura do papel, das formas da encadernação.

De tal modo que um editor francês de livros eletrónicos (CaféScribe) tentou superar esta resistência fornecendo aos seus clientes um autocolante, para eles colocarem no computador, que emite um odor a papel.

Pode-se objetar que estes atavismos são próprios de quem se habituou à leitura nos livros impressos mas não contaminam quem se iniciou e cresceu com os computadores.

Mas, neste caso, há uma última e importante resistência que não foi ainda superada: o ecrã revela-se apto para uma leitura fragmentária e condensada, não para a leitura contínua e linear (os links da Internet levam esta aptidão ao paroxismo).

Causou algum frisson a seguinte afirmação de Bill Gates, o presidente da Microsoft: "A leitura no ecrã é ainda muito inferior à leitura no papel. Mesmo eu, que tenho ecrãs de alta qualidade e me vejo como pioneiro do modo de vida Internet, assim que um texto ultrapassa quatro ou cinco páginas, imprimo-o e gosto de o ter comigo e de o anotar. É uma verdadeira dificuldade para a tecnologia chegar a este grau de comodidade."

O apelo a um tempo próprio


Parece então - e este é um ponto importante - que o modelo de leitura a que o livro desde sempre fez apelo, e que implica, entre outras coisas, um tempo próprio, não é o mesmo modelo de leitura e de operações a que induz a rede e o ecrã.

É por isso que os leitores de ebooks têm evoluído à medida desta determinação paradoxal: os ebooks são tanto mais perfeitos e considerados eficazes quanto mais imitam os livros.

Assombradas por um demónio analógico, estas manifestações supremas do mundo digital aplicam-se a proporcionar ao leitor a sensação de que está perante um novo avatar do livro impresso, que pode folhear as páginas com as pontas dos dedos, escutar o ruído do atrito no papel, sublinhar e escrever nas margens...

Os livros digitais parecem ter como preocupação primeira adaptar-se aos leitores do livro impresso. Percebem-se assim as razões pelas quais se extinguiram as profecias da morte do livro e se multiplicaram as apologias, como aquelas que fazem Umberto Eco e Robert Darnton.

Este último reserva para o livro digital um futuro que passa por jornais e revistas, incluindo revistas científicas e monografias especializadas.

Numa altura em que as editoras universitárias foram obrigadas (mesmo nos Estados Unidos) a reduzir drasticamente o volume de publicações (e Darnton dá-nos um diagnóstico algo sombrio da situação), a edição on-line que pode ser descarregada revela-se o destino mais plausível.

Complementaridade e não exclusão


Mas, mais uma vez, é sobretudo aos mais dedicados leitores do livro impresso que se dirige o livro digital, numa situação de complementaridade e não de exclusão.

Darnton vai mais longe: mostra como as bibliotecas de investigação se tornaram ainda mais necessárias na época do "Google Book Search" e que, sem elas, a digitalização de milhões de livros que a Google já levou a cabo pode redundar no caos bibliográfico em que não é possível aferir a autoridade da cópia digitalizada.

Imaginemos, por exemplo, um livro que foi sendo alterado e acrescentado pelo autor em sucessivas edições.

A Google digitaliza-as todas? Digitaliza só a última, suprimindo as várias etapas que a ela conduzem?

A Google, sublinha Robert Darnton, tem ao seu serviço um exército de informáticos, mas não consta que nas suas fileiras haja um único bibliógrafo ou filólogo.

Campanha contra o projeto da Google


Esta e outras questões que põem em causa a possibilidade de uma biblioteca digitalizada servir para a investigação foi um dos motivos que levou o atual diretor da biblioteca de Harvard a fazer uma campanha no "New York Times" contra o projeto da Google, assinado em 2006 com cinco grandes bibliotecas, para digitalizar os seus livros: as bibliotecas de Nova Iorque, de Harvard, do Michigan, de Stanford e a Bodleian de Oxford.

Como é sabido, esse projeto acabou por encalhar em problemas de direitos de autor que ainda não foram totalmente resolvidos, mas teve um desenvolvimento importante em 2008, quando a Google assinou um acordo com um grupo de autores e de editores, embora deixando que se tornassem evidentes as suas intenções comerciais.

Perigosas - como se começou logo a ver, pelas armadilhas criadas às bibliotecas, na medida em que a Google detém o monopólio e não há qualquer possibilidade de vir a ter concorrência.

Mas regressemos ao ponto de partida. A atitude perante o livro digital já passou por três fases: uma fase inicial de entusiasmo utópico, à qual se seguiu um período de desilusão, superada a seguir por uma tendência para o pragmatismo. No entanto, nunca se quebrou totalmente um certo fascínio pelo livro digital, por mais que a realidade tenda a relativizá-lo.

A mais completa utopia iluminista


A razão reside essencialmente aqui: a hipótese de integrar todos os livros na rede, de ter todo o conhecimento disponível e à mão de poderosos algoritmos criados pelos motores de busca (versão profana da omnisciência divina) corresponde à realização mais completa da utopia iluminista.

Mas, como sabemos desde Adorno e Horkheimer, a dialética do Iluminismo cria também as suas sombras. Nicholas Carr, um estudioso americano das novas tecnologias, publicou em 2008 um artigo na revista "The Atlantic" cujo título mostrava bem como ele tinha feito uma prospeção desse lado mais negro: "Is Google Making us Stupid?".

Numa frase inicial descobrimos logo a tese do autor: "Dantes, eu era um mergulhador num mar de palavras. Agora, deslizo pela superfície como um tipo numa mota de água." Carr, importa acrescentar, não se fica apenas pelo lado sombrio. E as suas teses têm merecido bastantes críticas.

Mas algumas dessas teses encontraram fórmulas convincentes, empiricamente verificáveis por todos nós.

Como aquela, escrita num livro que publicou recentemente, em que volta à sua tese de que a Internet está a mudar o nosso cérebro, destruindo o nosso poder de concentração e incentivando formas de pensamento que enfraquecem o poder de reflexão. Aí, diz ele que o ecrã por onde acedemos à rede é "um eco-sistema de tecnologias de interrupção".

NOTA - Para a elaboração deste artigo, foi usada a seguinte bibliografia: Robert Darnton, "The Case for Books. Past, Present and Future" (2009); Nicholas Carr, "The Shallows. What the Internet Is Doing to Our Brains" (2010); Roger Chartier, "Histoires de la lecture. Un bilan des recherches" (1995); Hans Blumenberg, "Die Lesbarkeit der Welt" (1979; ed. italiana "La leggibilità del mondo").

Texto publicado na revista Atual de 12 de fevereiro de 2011

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Livro impresso vs livro digital
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 10:38 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
Penso que há vários pontos interessantes que deveriam ter sido aborados e que não foram.

Um deles é o avanço tecnológico que fez com que, de repente, nos anos mais recentes tenham surgido uma maior diversidade de suportes digitais.

Desde os PDA q, timidamente e num ecran muito pequeno, nos permitiam ler um livro (li o Wizzard of Oz numa Palm), até aos smartphones e aos leitores dedicados de livros digitais.

Um dos obstáculos à leitura de livros digitais consiste na retroiluminação do ecran q não só afecta a leitura e cansa a vista, como provoca um gasto de bateria q não é compatível com a leitura de um livro.

O Kindle da Amazon (e o Nook da B&N, antes de se terem rendido ao ecran colorido) utiliza a teconologia e-ink q faz com q o ecran do leitor exiba um aspecto semelhante ao papel, sem retroiluminação, sem brilho e com um período de 30 dias de ciclo de carregamento de bateria. É leve (ao contrário do iPad) e transporta-se mais facilmente do q a quantidade de livros q contém em formato de papel(cabem centenas de livros no Kindle e a Amazon permite armazená-los "on site").

No fundo, o artigo pretende fazer uma comparação entre o livro em papel e o livro digital, incluindo neste último realidades q nada têm a ver com o livro. Quando um autor publica um livro,a única hipótese q tem de o corrigir é através de uma 2.ª edição. Uma página web com links não possui as características de 1 livro, nem se pode confundir com 1 e-book. Ao adquirimos (cont.)
 
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    Re: Livro    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 10:40 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    (cont.)    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 11:01 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
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Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 11:10 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 18:48 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 19:05 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 19:11 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 19:53 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 22:08 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
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jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Terça feira, 22 de fevereiro de 2011
    Re: ERRATA    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 20:55 | Terça feira, 22 de fevereiro de 2011
    Re: Livro impresso vs livro digital    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 19:47 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: Livro impresso vs livro digital    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: Livro impresso vs livro digital    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 20:04 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: Livro impresso vs livro digital    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 21:52 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
um livro é um livro
Man on the Moon (seguir utilizador), 2 pontos , 10:42 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
e nada substituirá o livro.
Os tablets são excelentes para "transportar" livros em viagem. São fantásticos para as crianças porque permitem interagir com a história (impossível no livro). São um meio fantástico de divulgação da cultura.
O que falta é a distribuição e divulgação na net. Se eu adquirir um tablet hoje, na prática não tenho as obras de referência da nossa cultura em formato digital.
 
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Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 11:08 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
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jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 18:15 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: A sério?    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 18:30 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: A sério?    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 19:38 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: A sério?    Ver comentário
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 19:54 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
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jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
Não se iluda, meu caro
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 10:25 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
A ÚNICA resistência actual ao livro digital é o preço do hardware. Nada mais que isso.

No futuro as grandes resistências serão a ignorância tecnológica para se utilizar o aparelho (principalmente por parte dos mais velhos) e a iliteracia (por parte dos mais jovens).

 
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Os livros tedem a ser...
Schön (seguir utilizador), 1 ponto , 11:19 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
cada vez mais o que são hoje os discos de vinil (em breve os já "pré-históricos" CDs também), mais objectos de colecção do que outra coisa qualquer...
O Ipad, kindle e afins são apenas mais um passo na portabilidade de conteúdos.
Já há uma geração que mal pega nos livros, mas isso não significa que não consumam os conteúdos que tinham como suporte a tecnologia "livro".
 
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JoseMFernandes (seguir utilizador), 1 ponto , 15:05 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
    Re: Os livros tedem a deixar de ser de papel    Ver comentário
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 1:36 | Terça feira, 22 de fevereiro de 2011
Não sou contra o livro digital,
Rio Grande (seguir utilizador), 1 ponto , 11:51 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
mas ainda prefiro o tradicional, pois o carrego para todos os lugares, principalmente se estou na praia, no descanso.
O livro digital é cansativo, por causa da provável luminosidade e, quem sabe (posto ignorar), da provável radiação, ainda que baixa. Também não uso celular, pois quando quero falar com alguém, o faço pessoalmente. Presumo que a tecnologia digital será o futuro imediato, em todos os níveis, sendo que algumas, como é sempre comum nesses casos, nos colocará à mercê de um controle ainda mais sofisticado e as liberdades não terão as características de agora. Basta pensar, para não pensar muito, que um colibri ideado como espião, que se parece com o verdadeiro, já está em uso e, deste modo, o maior serviço da novidade estará em controlar nosso ir e vir e, mais tarde, muito mais ainda. Mas já todos terão se acostumado e, aos poucos, esquecerão deste nosso tempo. Rio Grande
 
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Lonet (seguir utilizador), 2 pontos , 12:16 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
"Um burro carregado de livros..."
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
O ditado popular assim o diz: "um burro carregado de livros é um Doutor..."...

Na verdade para escrever um artigo com tantos "lugares comuns" e tanta presunção, este ditado - que entre os sábios académicos já tem outra leitura-escrita: "quem escreve artigos carregados de citações..." - está na ordem do dia com a Internet e os livros... Sejam lidos (escritos) em papel sejam postos de algum modo numa rede, onde todos podemos ter acesso (e esta é que é a questão),o que é preciso é que saibamos ler, sem papaguear (citando ou não citando) os que os outros já disseram... Ler e ver (aquele ver pensante - ver inteligível) o que foi escrito a partir do conhecimento da realidade...
 
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O que foi feito desta ideia?
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 19:16 | Segunda feira, 21 de fevereiro de 2011
Há um aspecto que eu estava à espera de ver abordado neste artigo, que acho que estaria sempre bem lá, e que não apareceu. Um livro impresso há-se ser sempre uma coisa preciosa, material físico que se pode tocar, emprestar, ocupa espaço e logo constrói uma existência que não pode ser esquecida. Podia falar muito sobre isto, mas o artigo nesse aspecto é muito convincente. A grande vantagem do digital é que, se ignorarmos as grilhetas dos direitos (IP,DRMs,copyrights, etc), qualquer livro pode se tornar imortal tornando-se viral. A história está cheia de livros míticos que foram queimados ou desapareceram no tempo. A história recente já não tem esses, mas tem o conceito de livros raros, livros que os editores desistiram de imprimir e que já não se encontram. A questão central do livro impresso é a infra-estrutura necessária para imprimir um bom, que exige sempre um certo número de cópias por edição.

Vem isto a propósito que não há muito tempo, especulava-se em tecnologias capazes de imprimir livros a pedido, edições acessíveis de uma única cópia. Em que pé está isso? Este tipo de tecnologias aliaria o aspecto viral do livro digital ao factor desejo do livro impresso.

O livro digital tem de facto outras possibilidades: controlo de fontes (que pena não serem tão boas como o impresso), facilidades de busca, luminosidade inerente ao livro. E pode também passar a interactivo... mas aí, já falamos de uma coisa diferente.
 
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makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 1:02 | Terça feira, 22 de fevereiro de 2011
LEITURA DIGITAL
joa de arievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 0:12 | Segunda feira, 7 de março de 2011
Eh bonito poder ler-se no escuro total regulando a luz do iBooks, por exemplo. mas nao esquecyamos que de dia sob luz solar, mesmo ak sombra, nao eh possivel ler, ou, podendo fazey-lo, exige regulacyao de contraluz no maximo, mas mesmo assim sem qualidade e muito cansativo.
Se me perguntarem, ler no iPad eh melhor que ak luz de uma vela? Duma lampada, mah? Eh sim. Mas numa luz boa, nada melhor que o papel e a tinta.

Os livros tambem teym de ser adaptados para os espacyos onde vao ser lidos, que os editores nao esquecyam isso, nao basta transportar a paginacyao do papel para o digital, ou prestarao um mau servicyo aos leitores.

Com tanta evolucyao para a leitura, nao pede uma fuga para a frente na nossa escrita de portugues?

P.S.
Eu escrevo sonhando uma moderna ortografia sem notacyoes lexicas.
 
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