18 de abril de 2014 às 22:01
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O Lago Niassa (fotogaleria)

Cândida Pinto
Uma expedição aérea por África

O gosto por voar e o gosto por Moçambique juntam-se numa aventura protagonizada por um grupo de pilotos da TAP que se lançou num raide aéreo em África. Misturaram a vontade de ajudar e levaram três toneladas de medicamentos.

Os enviados da Grande Reportagem - Cândida Pinto, Jorge Pelicano e Jorge Simão (Expresso), relatam esta semana a expedição aérea.

Grande Reportagem Sábado no Expresso e Domingo na SIC após o Jornal da Noite

Os pilotos andaram 15 dias pelos céus de África, em pequenos aviões, com paragens na Gorongosa, lago Niassa, Inhambane, Zâmbia e Botswana. Tudo em nome de uma paixão por voar África.

Deixamos a Gorongosa e voamos rumo ao Niassa. O lago é uma surpresa para todos. Uma imensa extensão de água doce com 365 quilómetros de comprimento a banhar Moçambique, Malawi e Tanzânia. Voamos sobre um deslumbrante espelho de água. Pelos rádios dos aviões só se ouvem expressões de espanto face ao azul de cortar a respiração. Sereno, selvagem, tranquilo. Invade-nos com uma paz invulgar. Da superfície das águas elevam-se umas estranhas nuvens em espiral. Um mistério que vai alimentar muitas conversas. Serão danças de boas vindas do Niassa?

Aterramos numa pequena ilha do Malawi frente à costa moçambicana. Na enseada está atracado o "Ilala Boat", um barco que circula pelo lago: no 1º andar seguem os turistas, no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca, peixe seco. Um barco que me traz à memória "A Curva do Rio" de V.S.Naipaul.

A divisão das fronteiras tem destas coisas. Não se avista a costa do Malawi - o lago é bastante largo - mas a fronteira passa por este pedacito de terra encostado a Moçambique : a ilha de Likoma. Isto leva a uma situação caricata: temos que carimbar aqui os passaportes porque entramos no Malawi, mas vamos sair logo depois, numa lancha para dormirmos de novo em Moçambique, onde é preciso voltar a obter o visto de entrada. Burocracia não falta. Mas a paisagem esmaga qualquer problema formal. Avançamos para uma praia, Nkwichi, onde chegamos já de noite. Ao luar na areia ouvimos o canto do Niassa, um grupo de miúdos afinados que junto à fogueira soltam a voz. Encantam.

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Curiosidades do Lago Niassa
As "estranhas nuvens em espiral" que se elevam das águas e referidas nesta reportagem, por mais inacreditável que possa parecer, são nuvens de milhões de minúsculos mosquitos que, arrastados pela brisa, atravessam o Lago, usualmente deslocando-se do Malawi para a costa moçambicana.
Não picam mas, se por eles somos apanhados, metem-se por todo o lado - olhos, ouvidos, nariz, boca - conseguido por vezes atravessar redes mosquiteiras de malha menos fina.
Os indígenas (especialmente as crianças), untam o interior de latas com gordura e, agitando-as no ar, conseguem apanha-los, comendo-os qual delicioso manjar a que chamam caril.
Quando estas nuvens atingem uma povoação e caso não haja vento que as disperse, os mosquitos acabam por morrer ao fim de pouco mais que um dia, acumulando-se em amontoados de tamanho apreciável junto às paredes e empenas dos edifícios.
A densidade destas nuvens chega a ser tal que, quem de súbito se depare com uma a curta distância, facilmente é levado a pensar tratar-se do fumo de um incêndio ou queimada.
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