22 de maio de 2013 às 10:44
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"O inferno desceu ao Funchal"

Populares ouvidos pela agência Lusa falam num cenário de "inferno" e de "medo" devido ao incêndio de enormes proporções no  concelho do Funchal, na Madeira. 

Sandra Rubina, de 22 anos, não consegue disfarçar o medo e o pânico que sentiu quando as chamas começaram a aproximar-se da sua casa, na zona do Palheiro Ferreiro, concelho do Funchal.

"Foi um susto muito grande", disse à agência Lusa a jovem, que, pelas 20h30, começou a ver pessoas a fugir pela rua abaixo à mesma velocidade que as chamas galgavam a encosta, ameaçando vidas e destruindo casas.

"O inferno desceu ao Funchal", declarou Sandra Rubina, para imediatamente acrescentar: "isto é pior que o inferno".

No Sítio do Lombo, na estrada que dá acesso à Camacha, a zona onde mora e onde vai continuar a morar porque a sua casa foi poupada, ouviam-se árvores a ser dilaceradas pelo fogo, botijas de gás a rebentar, crianças e adultos a gritar.

"Foi uma agonia enorme", acrescentou João André, de 21 anos, satisfeito por a moradia onde vive com um tio também resistir à investida das chamas.

Com um pano na cara, para se proteger do fumo, João André lembrou, sobretudo, o "medo" e o "pânico", quando as pessoas constaram que os bombeiros não chegavam para combater e, também, acalmar a "ansiedade" dos populares.

Apontando para a paisagem, de onde ainda se veem focos de incêndio e fumo, Célia Caires de 45 anos explicou: "Ali ardeu uma casa, ali outra, acolá uma oficina".

Uma amiga ajuda a moradora na contabilidade que se antevê, ao amanhecer do dia, mais negra que as marcas do incêndio. "Antes de o inferno chegar, deitei água à volta da casa", explicou Célia Caires, contente por o serpentear do fogo não beliscar as poupanças de uma vida.

Deste incêndio, Jorge Santos, de 52 anos, tem também essa satisfação. "Precisava de sair de casa, onde ficaram os meus sogros e a minha filhota. Ao sair, apercebi-me que havia fogo e, quando chego ao Funchal, pelas 20h45, vejo labaredas mais altas que os apartamentos do Palheiro Ferreiro", adiantou.

A preocupação por quem deixou em casa fá-lo regressar imediatamente. Pelo caminho, o mesmo relato de outros moradores: "Muitos gritos, muita preocupação, pessoas a querer subir a estrada para acederem às suas casas, outras a descerem para fugirem do fogo".

"Há pessoas que estão a sentir uma tristeza muito grande", desabafou, reconhecendo que tal era a extensão do incêndio - que se propagou a outras localidades e ao concelho vizinho de Santa Cruz - que "os bombeiros não tinham mãos a medir".

Sobre o que designou de tragédia, vem à memória do morador outra: a dos incêndios de agosto de 2010, que colocou o concelho do Funchal debaixo de fogo vários dias.

Além do Funchal e Santa Cruz, bombeiros de toda a região estão envolvidos no combate a incêndios noutros concelhos, como Calheta e Ribeira Brava.

Um avião C-130 da Força Aérea parte hoje de madrugada com 81 homens para auxiliar as autoridades madeirenses no combate às chamas no incêndio da freguesia de São Gonçalo, no Funchal, segundo fonte do Ministério da Administração Interna.

Sandra Rubina, de 22 anos, não consegue disfarçar o medo e o pânico que sentiu quando as chamas começaram a aproximar-se da sua casa, na zona do Palheiro Ferreiro, concelho do Funchal.

"Foi um susto muito grande", disse à agência Lusa a jovem, que, pelas 20h30, começou a ver pessoas a fugir pela rua abaixo à mesma velocidade que as chamas galgavam a encosta, ameaçando vidas e destruindo casas.

"O inferno desceu ao Funchal", declarou Sandra Rubina, para imediatamente acrescentar: "isto é pior que o inferno".

No Sítio do Lombo, na estrada que dá acesso à Camacha, a zona onde mora e onde vai continuar a morar porque a sua casa foi poupada, ouviam-se árvores a ser dilaceradas pelo fogo, botijas de gás a rebentar, crianças e adultos a gritar.

"Foi uma agonia enorme", acrescentou João André, de 21 anos, satisfeito por a moradia onde vive com um tio também resistir à investida das chamas.

Com um pano na cara, para se proteger do fumo, João André lembrou, sobretudo, o "medo" e o "pânico", quando as pessoas constaram que os bombeiros não chegavam para combater e, também, acalmar a "ansiedade" dos populares.

Apontando para a paisagem, de onde ainda se veem focos de incêndio e fumo, Célia Caires de 45 anos explicou: "Ali ardeu uma casa, ali outra, acolá uma oficina".

Uma amiga ajuda a moradora na contabilidade que se antevê, ao amanhecer do dia, mais negra que as marcas do incêndio. "Antes de o inferno chegar, deitei água à volta da casa", explicou Célia Caires, contente por o serpentear do fogo não beliscar as poupanças de uma vida.

Deste incêndio, Jorge Santos, de 52 anos, tem também essa satisfação. "Precisava de sair de casa, onde ficaram os meus sogros e a minha filhota. Ao sair, apercebi-me que havia fogo e, quando chego ao Funchal, pelas 20h45, vejo labaredas mais altas que os apartamentos do Palheiro Ferreiro", adiantou.

A preocupação por quem deixou em casa fá-lo regressar imediatamente. Pelo caminho, o mesmo relato de outros moradores: "Muitos gritos, muita preocupação, pessoas a querer subir a estrada para acederem às suas casas, outras a descerem para fugirem do fogo".

"Há pessoas que estão a sentir uma tristeza muito grande", desabafou, reconhecendo que tal era a extensão do incêndio - que se propagou a outras localidades e ao concelho vizinho de Santa Cruz - que "os bombeiros não tinham mãos a medir". Sobre o que designou de tragédia, vem à memória do morador outra: a dos incêndios de agosto de 2010, que colocou o concelho do Funchal debaixo de fogo vários dias.

Além do Funchal e Santa Cruz, bombeiros de toda a região estão envolvidos no combate a incêndios noutros concelhos, como Calheta e Ribeira Brava.

Um avião C-130 da Força Aérea parte hoje de madrugada com 81 homens para auxiliar as autoridades madeirenses no combate às chamas no incêndio da freguesia de São Gonçalo, no Funchal, segundo fonte do Ministério da Administração Interna.

 

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