Eu compreendo perfeitamente a medida prevista pelo governo de voltar a tributar o golfe à taxa mínima de 6%, deixando para trás os actuais 23%, segundo o Jornal de Negócios, noticia amplamente divulgada pela restante comunicação social - Expresso incluído. Não faria qualquer sentido um governo que passa o ano a testar o taco nos portugueses continuar a tributar este desporto a uma taxa completamente desproporcionada.
Mais, com tantos buracos que o governo tem aberto um pouco por todo o país porque não retabilizá-los? Portugal é neste preciso momento um enorme buraco à beira-mar plantado, por isso é perfeitamente razoável e entendível que o golfe seja uma aposta de futuro. Como é que as elites iriam conseguir organizar os campeonatos com impostos tão elevados? Iam ter de poupar no Beluga e baixar os prize moneys? Não pode ser. Como é que a criançada toda de roupinha no valor de quatro ou cinco ordenados mínimos ia poder continuar a aprender as boas práticas desportivo-familiares. Iam todos andrajosos e cheios de remela para as lições com o professor particular?
Eu não sei o que é que os meus amigos sentiram ao ouvirem as novas medidas de austeridade, esta coisa chamada PEC 4 que o governo se lembrou de inventar, mas eu senti-me como se tivesse apanhado com um driver em cheio na boca.
Não é crime gostar de golfe. Eu gosto. É bonito, tem muito verde e não tem claques. Mas devia ser ilegal diferenciá-lo desta forma absurda em detrimento de outros desportos bem mais importantes no desenvolvimento dos jovens e fundamentais, alguns de terapêutica quase obrigatória (rartrites, problemas de coluna, etc.) para a saúde dos portugueses. Até porque toda a gente com dois dedos de testa sabe que o golfe é um desporto praticado por pessoas que se estão a borrifar se são tributadas a 6, a 23 ou a 50%. Não é isso que as vai impedir de pisarem um green quando bem lhes apetecer com um desgraçado qualquer a alombar com os tacos. Já em relação "à plebe" que não joga golfe o governo tem pena mas os 23% são "perfeitamente razoáveis".
Alguém entenderá que um partido que se apelida de "socialista" esteja mais preocupado com 500 milhões do turismo de golfe (no fundo é tudo uma questão de "taco") do que com o benefício à saúde de quem pratica, por exemplo, natação ou faz regularmente ginásio e foi recentemente sujeito a um aumento de tributação de 6 para 23%? Em quantos milhões se mede a saúde dos portugueses?
Isto é mais uma tacada na credibilidade e nas supostas boas intenções deste governo. Soa até a provocação. Obviamente que os 6% de tributação deveriam ser aplicados a todos os desportos, não só aos que convém ao turismo de Portugal e ao governo socialista. Este governo é uma anedota pegada. Uma dúvida de um amigo meu: será que esta tributação reduzida é também aplicada ao minigolfe? Ou este tipo de golfe não é considerada desporto? É que esse está ao alcance de todos os bolsos.
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