A culpa dos monopólios e coutadas privadas dos novos capitães da indústria, acolitados pelo Estado que agora detestam e a cuja sombra fizeram carreiras de luxo e privilégio. A culpa dos políticos superficiais, venais ou corruptos. A culpa dos partidos que promoveram o nepotismo. A culpa coletiva, convenientemente distribuída entre remediados e pobres. A culpa é uma taxa de que os ricos estão isentos.
Recentemente assisti a uma conversa no restaurante e sem fazer por tal não deixei de ouvir, nem os intervenientes estavam com qualquer preocupação que tal não sucedesse. É claro que todos estão preocupados com o que vai acontecer, ou já está a acontecer. Por tal razão a politica, o Orçamento a dívida, o défice e as culpas são o prato do dia servido desde o pequeno almoço até à ceia quando ela existe. Culpados são mais que muitos e desde D. Afonso Henriques, passando por D. João IV e D. Nuno Álvares Pereira, a Salazar, aos capitães de Abril, a Mário Soares, Cavaco, Durão Barroso, Guterres e terminando em Sócrates todos foram acusados. Foi ainda descrito as diversas crises e bancarrotas por que passamos, mas o curioso foi mesmo a solução. Já no final um senhor que tinha estado calado disparou que só via uma hipótese de sair da crise, porque os descobrimentos acabaram, assim como as conquistas, as colónias e os emigrantes não mandam mais dinheiro, embora tenham vindo a aumentar. Dizia ele:-A minha mulher está velha, já ninguém dá um tostão por ela e também não tenho filhas, nem netas, mas quem tem mulheres novas vai ter de as vender aos árabes que sempre darão uns camelos e uns barris de petróleo. Se isto chega aos ouvidos do Vitor, provavelmente aparecerá mais um imposto e dos grandes a quem tem esse património, que ainda ninguém se lembrou do valor que pode representar, pois não deixa de ser uma mais valia apetecida.