18 de maio de 2013 às 23:00
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O Estado-bastão dos nossos "liberais"

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Sabemos que, num tempo em que a crise promete tornar-se insuportável, o governo vai cortar nas prestações sociais. Sabemos que os cortes na saúde e na educação serão de tal forma drásticos que põem em causa a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública. Sabemos que, graças à estúpida redução da Taxa Social Única, as nossas reformas estão definitivamente comprometidas. E ficámos a saber que, no meio de cortes gerais que prometem mergulhar o País numa crise de enormes proporções, o governo aumentou apenas o orçamento de um ministério: o da Administração Interna. Em vez dos 1.400 milhões que recebeu este ano irá receber 1.800 milhões em 2012. O único a ter mais dinheiro. À falta de pão responde-se com o bastão.

Dirão que exagero nas intenções do governo. Mas são fontes do executivo que o afirmam: com "mais desemprego, mais carências e menos prestações sociais" e não se sabendo o que acontecerá na Europa podem acontecer "sabe-se lá que protestos". E assim se explica esta excepção aos cortes gerais. A prevenção dos efeitos da crise não se faz, portanto, com políticas sociais. Aí corta-se. Faz-se através das forças policiais. E o governo não hesita em tornar isso bem claro.

É por isto que o debate sobre o "Estado grande" e o "Estado mínimo", entre mais ou menos Estado, sempre foi um falso debate. Quem trata de emagrecer o Estado, retirando-lhe as funções sociais, sabe que o tem de lhe dar músculo, reforçando-lhes as funções repressivas. Sempre assim foi. Quando se abandona a defesa da igualdade também se abandona a defesa da liberdade. Quando esquece os pobres tem de defender os restantes da miséria que os rodeia. Quando a educação, a saúde, o emprego e a dignidade humana deixam de ser direitos sobra apenas a defensa pela força da propriedade privada. Quando a paz social não se consegue através do Estado Providência, consegue-se através do Estado policial.

A questão nunca foi a dimensão do Estado. Os "liberais" nunca dispensaram o Estado para defender os valores que pensam ser fundamentais. Apenas mudam as suas prioridades. A sociedade que defendem, implacável com os mais frágeis, precisa do medo para se defender. Faz bem este governo em reforçar as polícias. Um país pronograficamente desigual não se pode dar ao luxo de acreditar no respeito da lei por quase todos os cidadãos. Até porque se a lei é a do mais forte não sobra ao Estado nenhuma autoridade moral para a impor.

O que esta "fonte governamental" disse ao País é que se prepara para a guerra social. Não sei se é um convite. Mas parece.

Comentários 45 Comentar
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'O Estado-bastão dos nossos liberais
Boa crónica.

Estamos a falar de um aumento no orçamento do MAI que é metade do que o corte no subsídio de Natal vai render ao estado. Aliás se mais precisássemos para perceber esta perversa diferença nas prioridades deste governo teríamos aí o caso dos militares e dos abonos de família. Em ambos entende-se que os valores foram pagos indevidamente, mas enquanto no caso dos Militares, Aguiar Branco já disse que os afetados não precisam de devolver o dinheiro, há centenas de famílias a receberem cartas da Segurança Social a dizerem que eles têm 30 dias para devolver o que receberam. Porque houve uma gigantesca fraude perpetuada conscientemente por estas? Duvido.

Passos Coelho parece de facto intento em suportar as forças da autoridade. No Pontal(?) chocou-me que tivesse avisado que manifestações eram aceitáveis, tumultos não... achei uma provocação a um povo que é usualmente suave nos seus protestos, que come e cala. É que com tanta impopularidade que o governo anterior tinha, poderia-se julgar que a aposta mais segura fosse em segurar bem as forças da ordem... e no entanto no último orçamento, que me lembre, o único que não sofria cortes era o da C&T, mostrando bem as apostas onde o governo acreditava mais, para se sair da crise (a longo prazo). Quanto a este, corta em tudo mas aumenta aqui. Será que Passos Coelho acredita que não poderá convencer as pessoas da bondade das suas políticas por muito mais tempo?
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O MUNDO DA LUA E A ESQUIZOFRENIA DA ESQUERDA
Você é dos tais q NÃO aprende e gostava q os outros tb NÃO. Fala, grita, escreve e rescreve mas omite sempre algo fundamental p qualquer analise com o mínimo d rigor intelectual. O tovarich Daniel esquece-se sempre do ponto d partida da actual governação e a pesada herança q lhe foi deixada. Ignorando este 2 pequenos enormes pormenores é fácil q as suas analises sejam autênticos momentos d poesia satírica. Critica ridiculizando e diminuindo quem governa mas sempre esquecendo-se da realidade. Esta por muito q nos custe é cruel e, se o é então comece por assacar responsabilidades aos q mais contribuíram para o descalabro e descrédito do país. O probleminha q a estirpe dos Danieis Oliveira insiste em ignorar é q nos últimos 30 anos a divida directa do Estado cresceu dos 2,37 mil milhões para 132,75 mil milhões d Euros! Ou seja a uma taxa composta d 14,4%/ano. Segundo o Eurostat a Divida Publica Orçamentada deste seu país será em 2012 d 120% do PIB e d 127% do PIB em 2013. Saliente-se q nesta divida NÃO está contabilizada NEM a dita e muito querida pelos kamaradas DIVIDA NÃO ORÇAMENTADA – a das carris, metros, governos regionais, autarquias PPPs, etc., nem a denominada DIVIDA PRIVADA q segundo esses chatos do INE e do Banco de Portugal era a Março deste ano d 256.584 milhões d Euros. É ESTA AREALIDADE DA III Republica! Foi esta a herança q o actual governou encontrou MAS, com o agora espartilho e violento controlo da dita Troika (como se recordará a verdadeira e famosa troika na
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Desonestidade política, ignorância ou má fé
Esta crónica revela que o autor vive num clima de perseguição e vê as polícias como instrumentos de opressão.
Associa o orçamento das polícias ao reequipamento repressivo, material e pessoal e pretende vender a ideia de que vivemos sob perigosa ditadura.
Ofende 40 mil polícias e GNR, que todos os dias andam na rua, nas escolas, protegendo pessoas e bens e detendo e apresentando à justiça quem inflige a lei, transformando-os e promovendo-os a guardas pretorianos do regime.

Vítimas imaginárias, esta gente é perigosa, se tiverem quem lhes dê ouvidos. Curam por informação, pois não sabem o que é repressão.

  Desconhece ou finge ignorar que as polícias têm estado quase sempre sub-orçamentadas, têm as instalações podres, viaturas podres, devem rendas de casa,devem à Caixa,não pagam o fardamento que deviam, devem ordenados a 14 mil polícias,não há papel higiénico, não há gás para fazer a comida e tomar banho, etc
Tentar corrigir tudo isso é o mínimo que se pode fazer, dar um pouco de dignidade à função e aos locais de trabalho.....
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Corta-se na saúde, na educação Ver comentário
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O Estado bastão dos nossos liberais
Sem duvida que tenho de dar razão ao Daniel Oliveira, pois além de ser uma realidade é ainda uma vergonha. Podem até vir invocar que as policias se encontram há muito desorçamentadas, mas isso é o que acontece um pouco com todos os outros. O dinheiro é como a manta é sempre curta. Já o afirmei aqui por algumas vezes que esta política que está a ser seguida por este governo, vai correr muito mal. Aliás é exatamente a mesma que foi seguida por Margatet Thatcher e os pobres e os desempregados passaram para o dobro. De tal maneira que um desempregado cortou mais tarde a cabeça à estátua feita em sua honra. Todos são contra a TSU, mas a Troika quer fazer a experiência para ver se resulta. Que eu saiba ainda não foi testada em nenhum País. Sempre ouvi dizer que para quem vende se põe o Sol e para quem compra nasce. As privatizações são isso mesmo. Em tempos que já lá vão um ministro disse que quem quer saude que pague. Esse pensamento estendeu-se agora è Educação. Todos sabemos que é atraves dela a única maneira de sair da poblreza individual e colectiva. Não se percebe por isso tal pensamento. Andam a ler a Cartilha do Salazar, mas esquecem que se hoje fosse vivo teria escrito outra lavra.
DO anda a sonhar com liberais Ver comentário
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Disparates são as cassetes de certos escribas Ver comentário
Quais liberais,qual carapuça,ó Daniel Oliveira
Portugal foi á bancarrota pela mão dos socialistas de Sócrates e Cpa.Agora está de papo fresco em Paris,mandou ás urtigas os que cá ficaram e vive da reforma dourada á grande e á francesa.Vejam lá se alguém o voltou a ouvir falar dos dramas do Povo Português ou dos 480 euros do salário mínimo nacional.
Afinal vou de férias.


Estou muito contente por passar alguns dias (21/25) em Lisboa para férias.

Anthos

Estes aprenderam com o erro de Salazar
para evitar uma revolução há que manter as forças de segurança e militares com regalias. Menos educação, menos saude e menos segurança social, mais "segurança" = a ditadura. Só não vê quem não quer ou quem é burro.
As liberdades e os liberais
Os tais liberais são os mesmos que fizeram da Alemanha, da Austria, da Holanda, do Canadá e outros dos paises mais ricos do mundo sem nunca porem em causa a liberdade dos cidadãos e onde o Estado é mínimo e muito bem gerido. Esta obsessão pelas liberdades não deixa de ser suspeita, visto que nos países de que o Bloco gosta, as liberdades dos cidadãos deixam muito a desejar.
História das polícias na Humanidade
Primeiro apareceram os banqueiros... depois os políticos e para proteger essa corja eles inventaram a polícia, ex-militares ou melícias escolhidas a dedo... já era assim nos tempo mediavais por isso não me admira nada que o governo queira mais marrecos na rua para nos controlar... mas tombam como os outros...
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Mais polícia na rua precisa-se
Eu por acaso gostava de ir ao Bairro Alto nas calmas, tendo a certeza que não ia haver porrada, assaltos, confusões, garrafas a voar... Isso hoje em dia não é possível.

Pode ser que com o aumento do orçamento consigam colocar mais polícias na rua e assim tornar a nossa vida mais segura!
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Variações
Aqui o D.O. só gosta de quem não gosta e só está bem com quem não está bem.
Pasolini é quem sabe!
Daniel Oliveira, como sempre, disserta sobre o "Estado Social" como organização a quem pagamos para que os "pobres" não nos venham escaqueirar a montra.
Uma espécie de Cosa Nostra (de facto no fundo o Estado é nostro!) a quem pagamos protecção em vez de chamarmos a polícia.
Por mim valem as palavras do Pasolini. Entre os manifestantes e os polícias eu estou pelos polícias que são filhos dos pobres e não pelos manifestantes que deverão ser na sua grande maioria (pelo menos aqueles cuja integridade fisica mais o preocupa) filhos dos papás.
O Daniel Oliveira que fique descansado que os pobres não fazem mal a ninguém. Mas deve ser mesmo por isso que se indignou tanto!
Tecto nas reformas
Tanta medida de austeridade, mas ... e para quando a fixação de um tecto para as reformas, a semelhança do salario minimo impõe-se na conjuntura actual um tecto máximo para as reformas. É injusto mas não põe em causa nada nem ninguem.
eu sei que é uma pergunta rectórica, pois sei que não vai ser uma medida implementada uma vez que afecta mesmo directamente todos os que estão lá sentadinhos a legislar,a acessorar etc. Mas é uma pena, pois neste estado da situação, ver ainda reformas com mais de três digitos (em contos) dá vontade de ir para a rua como os gregos.
Excelente análise, DO
A questão, contudo, não se limita a prevenir a agitação social mais ou menos controlada pelos partidos de Esquerda e suas organizações de massas, que tudo fazem para as manter num estado de letargia aceitável aos olhos e ouvidos "democratas", mas também para defender a propriedade privada, esse bastião indissociável da nossa sociedade - não podemos permitir que o "caos" que a Inglaterra viveu nos bata à porta.
Recupero, com a devida vénia, uma frase sua: "
Quando a paz social não se consegue através do Estado Providência, consegue-se através do Estado policial."
SOLUÇÃO===URGENTE
SOLUÇÃO 2012 - É necessário, fundamental e urgente ... implementar um novo paradigma politico-fiscal...proibindo a cobrança de impostos sobre o TRABALHO, a POUPANÇA e o INVESTIMENTO...é injusto, imoral e incorreto....porque quem trabalha, produz, poupa e investe não merece um castigo, mas sim um prémio...só devem existir impostos sobre o CONSUMO, a POLUIÇÃO e os VÍCIOS...e a redistribuição do rendimento deve ser feita apenas no investimento do ESTADO e nunca na cobrança dos impostos.
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